Princípios do educador montessoriano #2

2. Nunca fale mal da criança na sua presença ou ausência

“Ele é manhoso!”

“É mimado demais!”

“Ele é mau, levanta-me a mão!”

“Não sabe fazer nada!”

“Só faz porcaria!”

“Só sabe chorar!”

“Está sempre a chatear-me!”

“O irmão não era nada assim!”

“Pensava eu que vinha outro bebé calminho…!”

“Já só funciona à palmada!”

“Ele já a sabe toda!”

 

Podia estar aqui o dia inteiro a escrever frases típicas e que ouvimos por parte de muitos pais. Há, de facto, desafios difíceis de superar com um bebé/ criança, porém, porque entendemos que devemos descarregar na imagem dela a nossa frustração e cansaço? Pior ainda, na imagem que passamos dela para os demais? Com tantos aspectos positivos que ela certamente terá, porque nos focamos em “contaminar”, ao invés de “contribuir”? (Recordam-se?).

Pois bem, não só tornamos as conversas entre amigos e conhecidos num verdadeiro aborrecimento, como desrespeitamos os nossos filhos que não estão ali para se defenderem ou nos desmentirem. E, ainda que estejam, nunca usufruem de uma posição para tal. Isto porque o pai/ mãe que tem esta conduta, é o mesmo que usualmente assume uma posição de “ser superior”, não estando acostumado a colocar-se ao nível do filho, nem para comunicar, nem para ouvir.

Tal como fiz no post relativo ao 1º princípio, volto a colocar a questão: fazemos isso com outros adultos? Se a resposta for sim, então façamos uma introspeção no sentido de reconhecer e corrigir esse comportamento. Se for não, uma segunda questão emerge: porque havemos de o fazer com as crianças?

No momento em que elas começam a entender o conteúdo das conversas ou dos comentários negativos alheios, podemos certamente esperar comportamentos reactivos da parte das mesmas. Ninguém gosta de se sentir atacado, minimizado, ridicularizado e muito menos envergonhado.

São sentimentos de revolta, aqueles que queremos gerar nos nossos filhos?

São diálogos negativistas e enfadonhos, aqueles que queremos ter com os nossos conhecidos, amigos ou familiares?

 

Concentremo-nos no bem 🙂

 

Até breve!

Joana

Rotina da manhã

A manhã, cá por casa, inicia-se por volta das 06:00h/ 07:00h. Normalmente, o dá o último leitinho da noite, seja às 22:00h, às 02:00h ou às 04:00h (estes dois últimos já não acontecem há alguns dias! 😀 ) e eu dou o primeiro da manhã, desde que não seja antes das 06:00h. É uma forma de garantir que tenho o descanso necessário quer para aguentar, sozinha, um dia quase inteiro com o bebé em casa e com muitas das tarefas inerentes à mesma por executar, quer para conseguir continuar com a ótima produção de leite que tenho tido até agora.

O Vi demora cerca de 15 minutos na sua refeição e depois, por norma, ficamos cerca de 45 minutos com ele no colo/ ombro, em posição vertical, uma vez que é um bebé bastante bolsador e não queremos correr riscos 🙂 Umas vezes adormece, outras não. Quando adormece, aproveito para tratar de mim (banho, pequeno-almoço) e para tirar leite com alguma tranquilidade. Quando não adormece, tento aproveitar enquanto o D ainda está em casa para, pelo menos, tirar leite e tomar banho enquanto ele dá “um olhinho” – desta vez, tudo um pouco à pressa, para não atrasar muito os horários do trabalhador 😉 Isto porque, neste horário, o Vi costuma ter alguns desconfortos típicos da fase em que está e não fica sozinho de forma serena.

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Cerca de 30 minutos antes do segundo biberão, aproveito que sua a disposição já o permite e treinamos a musculatura do pescoço (coloco-o de barriga para baixo na cama, lado a lado com o espelho para que ele se vá observando) durante uns 10 minutos e os outros 20 minutos são passados com o móbile. Ele adora e ri-se imenso 🙂

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Por volta das 11:00h/ 12:00h, estando já alimentado, faz geralmente uma sesta maior e bem tranquila  (o período da mesma varia entre 1h e 3h… por vezes 4h – que é o que está a acontecer neste preciso momento!) e eu aproveito para ligar o turbo e tratar de roupas, almoços e jantares, fazer a cama, arranjar-me melhor e, se possível, descansar, fazer as compras da semana (fazemos online com entrega em casa) e dedicar-me ao blog 🙂

Chegamos à terceira refeição do dia e, com ela, iniciamos o período da tarde, sempre mais dinâmico/ agitado, ou mesmo turbulento, quando se começa a aproximar a noite! Falar-vos-ei adiante 🙂

 

Até já!

Joana

Já nos seguem no Instagram?

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Acompanhem as stories do nosso dia-a-dia e algumas publicações que vou fazendo, seguindo-nos no Instagram: joanasframalho

Um ótimo dia para todos e até ao próximo post, onde conto falar-vos um pouco da nossa rotina da manhã 😉

Joana

Princípios do educador montessoriano #1

A filosofia de Montessori traduz-se numa série de valores, princípios e métodos que, juntos, visam constituir uma “educação para a paz”. Não precisamos de nos aprofundar muito no tema para percebermos o porquê. O Ser Humano completo (o grande objetivo) caracteriza-se pela sua pacificidade e serenidade para consigo e para com os demais. É uma forma de estar na vida e é também a forma na qual nos devemos encontrar, enquanto educadores montessorianos.

Esta paz deve, assim, começar em nós mesmos e, na base da mesma, está o nosso entendimento acerca do significado de respeito. Enquanto pais e educadores, respeitar a criança é essencial. Fazer com que a mesma se sinta, constantemente, respeitada fará, por conseguinte, com que ela respeite os outros, com a sua individualidade e diferença, e seja aberta à diversidade, entendendo-a como algo que enriquece o mundo e não como uma ameaça que deve ser eliminada. O contacto com esta diferença, desde muito cedo, é a semente para a paz que plantamos nos nossos filhos.

Maria Montessori enumerou 10 princípios básicos que visam guiar-nos no sentido do respeito pela criança e pelas suas necessidades. Estes devem ser seguidos em casa, tal como em qualquer ambiente montessoriano. Falaremos acerca de todos eles, um por um, em diferentes posts. É importante reflectirmos individualmente. Cá por casa, para que nunca caiam no esquecimento, foram afixados no frigorífico e, diariamente, passamos os olhos por eles 😉

1. Nunca toque a criança, a menos que seja convidado por ela de alguma maneira

Já pensaram na quantidade de vezes em que tocaram, ou mesmo pegaram, numa criança sem que ela tenha pedido ou demonstrado interesse nisso? Assumo aqui a mea culpa… fi-lo vezes sem conta, sem nunca pensar no quão errada estava.

Respeitar a criança passa por não a entendermos como um ser sem vontade própria e “manuseável” por toda a gente. Devemos evitar tocar nela sem o seu consentimento, sendo que ela própria pedirá ou dará sinais quando quiser que tal aconteça, basta que os saibamos interpretar.

O mesmo se aplica àqueles momentos em que a mesma está ocupada com alguma tarefa, a ler um livro, a brincar, ou mesmo a descansar. Não devemos interrompê-la, muito menos com qualquer contacto físico. Devemos sim respeitá-la, bem como aquilo que ela está a executar no momento.

É, igualmente, importante respeitar a criança quando ela está aborrecida ou zangada e não quer que ninguém a segure ou toque.

Agora que o Vicente nasceu e, em particular, nesta fase em que ele é muito pequenino e não expressa facilmente a sua vontade, há uma tendência natural para que toda a gente queira pegar nele, agarrar-lhe nas mãos, dar-lhe beijinhos, etc. Não podemos, por um lado, querer educar todas as pessoas do mundo para o respeito que se deve ter para com qualquer ser humano, independentemente da sua idade, nem, por outro, formar uma “bolha” à volta do nosso filho, evitando todos os contactos. O bom senso deverá imperar e é isso que, enquanto pais, devemos exigir daqueles que nos rodeiam.

Um exemplo prático aplicado à nossa realidade actual: temos visitas em casa, ou estamos em casa de alguém, e o Vicente, por algum desconforto, chora sem parar. Naturalmente, muitos dos presentes vão querer pegar nele para o consolar. Ora, coloquemo-nos no lugar dele, um bebé que ainda não completou dois meses no processo de conhecimento e ligação aos próprios pais e ao ambiente onde vive. Se já estava desconfortável com algo, o que aconteceria se, de repente, se visse no colo de alguém que extravasa estes dois seres e que ele não conhece, nem identifica, de qualquer maneira, como “seguro”? Que confusão para uma mente ainda tão imatura! Possivelmente até podia parar de chorar, mas (sabemos todos) nem sempre isso é sinal de conforto. Enquanto pais, o nosso papel passa por, de alguma forma, criarmos o tal bom senso nas outras pessoas e, principalmente, protegermos o nosso filho daquilo que, ainda que as possa fazer sentirem-se bem, não o faz sentir-se bem a ele.

Agora que pensam nisto, não faz todo o sentido?

Não têm as crianças ou, num sentido mais estrito, os nossos filhos, o direito de não querem qualquer contacto físico com outras pessoas? Não usufruímos, nós adultos, desse mesmo direito inúmeras vezes? Qual a diferença, então?

Até já!

Joana

 

 

O primeiro mês

Num ápice, o primeiro mês passou. Um mês totalmente novo e diferente nas nossas vidas, um mês tão feliz! O Vicente cresceu a olhos vistos e até já sentimos saudades dos primeiros tempos de bebezice, quando olhamos para as fotos que lhe tirámos mal nasceu! Como é possível ser tão pequenino e, ao mesmo tempo, já ter crescido tanto?!

Temos passado a maior parte do tempo por casa, saindo maioritariamente para passeios nas redondezas e, pontualmente, para um ou outro evento de pessoas próximas. A verdade é que, na rotina de um bebé com esta tenríssima idade, sobra pouco espaço para grandes programas. Nem sequer os equacionamos, uma vez que, à partida, sairão “furados”! É a realidade.

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Um dos aspectos que tentamos levar a cabo com rigor é a criação dessa mesma rotina. Falámos disto diversas vezes noutros posts, mas penso que nunca é demais reforçar. O bebé, em especial nesta primeira etapa, PRECISA de uma rotina para se sentir bem e protegido. Precisa de conseguir antecipar o que vai acontecer a seguir, de previsibilidade. Como tal, não podemos apresentar-lhe planos diários muito diferentes uns dos outros, ou corremos o risco de gerar nele sentimentos de insegurança e desconforto. Não queremos que o Vicente se sinta perdido num mundo que ainda desconhece por completo. E asseguro-vos que, em muito pouco tempo, já conseguimos identificar uma ou outra situação em que o estabelecer da rotina foi diminuindo a angústia – o banho é uma delas. Como quase todos os bebés, o Vi chora quando o despimos, quando o colocamos dentro de água (lá dentro, rapidamente sente que é agradável e fica calmo) e, especialmente, quando o retiramos da água e o passamos para a toalha. Esta passagem, no início, era um pranto! O choro era daqueles que faziam com que o Vi ficasse roxo. E eis que os dias foram passando, o banho sempre dado da mesma forma, mais ou menos na mesma altura do dia, e o choro foi sendo cada vez menor. O bebezão já conhece os vários passos e já prevê que, depois de ser retirado da água e sentir frio, é rapidamente envolvido pela toalha e pelos braços da mãe 🙂

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É esta familiarização com o mundo que o rodeia que queremos trabalhar gradualmente e, para já, esse mundo não pode ir muito além do que o ambiente onde vivemos, com as duas pessoas que também fazem parte dele e que o vão fazendo sentir que pertence a algum sítio e que tem sempre dois colos seguros e protetores – a mãe e o pai.

Outro aspecto que importa realçar neste primeiro mês é a evolução da capacidade de foco. Se, inicialmente, o Vi olhava fixamente para a imagem da zebra da nossa sala, agora fá-lo com os elementos do móbile, com a nossa silhueta, quando nos movimentamos a meia distância, e com os nossos olhos, quando estamos com ele ao colo.  Ah! E com o espelho do lado da cama! O Vi já se observa a si mesmo com atenção! E é tão bom de ver aquele sobrolho a franzir como que procurando respostas para pensamentos profundos 🙂 🙂 🙂

 

E agora, a parte mais difícil destes 30 dias (nem tudo são rosas)… lembram-se de eu vos contar que sou totalmente apologista da amamentação em exclusivo até aos 6 meses, correto? Pois bem, sem rodeios: ninguém me contou, nem nunca li, que poderia ser tão difícil amamentar em pleno. Pensei em desistir – quase todos os dias. Não o fiz agarrada à esperança de que a situação iria melhorar em breve. Não melhorou, pelo contrário. Penso que não nos devemos focar nas coisas difíceis e menos positivas que nos acontecem, porém, se não falarmos delas e quisermos passar simplesmente a imagem de que tudo é perfeito, contribuímos para esta desinformação acerca de alguns temas que quase se tornam tabu. Fala-se muito do parto, da dor do parto, da gravidez e dos seus sintomas… e da amamentação, porque não se fala? Porque é que as mães que pararam de amamentar por dor e desespero se escondem? Será porque sentem que as vão condenar e apelidar de más mães? É certo que amamentar, ou não, um filho começa por ser uma escolha – eu própria questiono a escolha por não o fazer, porque, a meu ver, vontade deveríamos ter todas. Mas nem sempre é esse o caso! Sou a primeira a admitir que não tinha noção, mas este acto de amor, de proximidade, este vínculo afectivo que aconchega o nosso bebé, pode simplesmente tornar-se na maior dor física e emocional que experimentamos na vida!

Física, por razões óbvias. No meu caso, muito resumidamente, uma má pega inicial, aliada ao facto de ter tido um bebezão muito sôfrego a mamar (entenda-se: garganeiro 😀 ), fez com que ficasse logo com feridas profundas nos mamilos, que chegaram a sangrar muito, mesmo com os supostos “aliados” mamilos de silicone. E a dor que causava, juntamente com a dor do ingurgitamento mamário, era tanta, que não vos consigo explicar.

Emocional, porque (no meu caso) sabia que, se desistisse ou vacilasse, não estaria a dar o melhor ao meu filho. Também não consigo transmitir em palavras o sentimento de culpa que tinha. E ainda tenho.

De uma forma muito subtil e ainda pouco assumida, tive que optar por um esquema que não encaro como ideal, mas que me devolveu alguma sanidade e, principalmente, uma mãe menos angustiada e sofrida ao Vicente. Este esquema envolve bombas de extração de leite, biberões e, infelizmente, algum leite artificial, uma vez que comecei a produzir menos leite materno a partir do momento em que não estimulava a sua produção a cada duas ou três horas, como acontecia quando amamentava diretamente. Entretanto, pelo caminho, as feridas sararam e, com toda a felicidade do mundo, voltei a tentar. Correu lindamente, porém, a quantidade insuficiente de leite fez com que o sôfrego Vicente chorasse inconsolavelmente mal o fluxo diminuía e, com tamanha irritação, começasse a bolsar tudo. Insisti durante três dias consecutivos, mas a situação manteve-se e o Vi, que nos habituou a um ganho de peso duas vezes superior ao esperado, ganhou, nesses três dias, apenas metade do valor considerado ideal. Confesso que a questão do peso me passa um pouco ao lado, não me interessa muito se ganha mais ou menos do que o valor tabelado, desde que esteja saudável e bem disposto. Mas bem disposto, era algo que o Vi não ficava depois de mamar. Voltei a usar a bomba para perceber que quantidade de leite é que lhe estava a dar e, efectivamente, era menos do que a que deveria.

Resumindo, mantive o esquema da bomba, biberão e fórmula. Consigo actualmente dar 4/5 biberões de leite materno diariamente e 1/2 de artificial. Vivo um pouco refém das ditas bombas, mas, enquanto der, pretendo manter-me assim. Um dia de cada vez, é o que penso. Sem culpas, vou tentando.

Entrando agora no segundo mês, outros desafios se colocam, outras maravilhas se manifestam (o primeiro sorriso intencional é uma delas), muita coisa nova há para contar. Assim que tiver 2 ou 3 intervalos (nem que seja em 2 ou 3 dias diferentes, como está a acontecer agora), voltarei para vos fazer um update da vivência por estes lados 🙂

E a vossa experiência de maternidade, como está a ser? Se pensam em ter filhos, como imaginam o pós-parto? Já alguém vos tinha falado de forma nua e crua sobre a amamentação?

 

Até breve!

Joana

Rotina diária com um recém-nascido

Passado praticamente um mês desde o nascimento do Vicente, temos tentado estabelecer uma nova rotina que se ajuste tanto às necessidades dele, como às nossas. Sabíamos, de antemão, que não era nada fácil e que se iria tratar de um mês bem desafiante, o que de facto se verificou! Na verdade, para quem é pai/ mãe pela primeira vez, tudo é novo! Aquela sensação de entrar com o bebé em casa e de já não ter o apoio dos profissionais da maternidade é assustadora! Somos nós e ele, nós para ele! E não podemos falhar.

Felizmente, aquelas refeições preparadas e congeladas dias antes do parto revelaram-se imprescindíveis! No meio de uma certa desorientação na primeira semana, não iria haver espaço na nossa mente para o planeamento e execução das mesmas! A sensação que dá, principalmente nesses dias, é a de que mal o bebé adormece e temos um tempinho para fazer tudo o que de normal há para fazer em casa, já está na hora de ele mamar novamente!

Além desta preparação, há igualmente uma série de práticas que podemos adoptar antes do nascimento do bebé e que só vêm melhorar a vivência posteriormente:

 

  • O minimalismo

Rapidamente, ao viver com um recém-nascido, seja por uma questão de falta de tempo de qualidade, seja por um cansaço extremo (que sentimos por vezes, sim!), a nossa casa fica “decorada”, um pouco por todo o lado, com fraldas de boca, chupetas, biberões, babetes e toda uma panóplia de artigos de puericultura dos quais nem sabíamos da existência e utilidade antes de precisarmos deles! Imaginem este cenário num contexto que, por si só, já é desarrumado e cheio de artigos sem utilidade – o caos!

Um conselho que dou sem pestanejar é mesmo este: destralhem a vossa casa com antecedência. Livrem-se de tudo aquilo que não acrescenta nada nem à decoração, nem em utilidade. Peças com uma função própria que não utilizam há mais de um ano, provavelmente não fazem falta. Roupas que não vestem há meses, idem. Dêem uma “volta” ao guarda-roupas e livrem-se de tudo o que não usam/ vestem, sem pena nem remorsos! O objectivo é ganhar espaço e uma certa harmonia visual, que em muito contribui para a nossa própria organização de ideias.

Sabem aquela papelada que vai sendo acumulada com o intuito de “um dia” arquivar? Tirem uma tarde e tratem dela. Deitem para o lixo toda a que, entretanto, se revelou inútil e arrumem num único local toda a outra, organizada por tema e datas. Comprem dossiers ou arquivos, se for necessário. Já se aperceberam de como desaparece aquela “moinha” constante que sentíamos ao saber que estava ali aquilo que precisava de ser feito e que nunca mais ganhávamos coragem de fazer?

Prateleiras com artigos aleatórios… organizem-nas com caixas. Caixas para tudo, fechadas. Deitem fora tudo o que está guardado “por pena” ou “por recordação” (quantas “recordações” não são dispensáveis?). Doem utilidades que podem fazer falta a outras pessoas e que não vos fazem a vocês. Vendam o que ainda vos pode render uma quantia justificável.

Na cozinha, façam uma escolha. Serão necessários tantos tupperwares? Aquelas tampas sem par, o que continuam a fazer ali de lado? As panelas que, há séculos, foram postas a um canto, porque continuam a ocupar espaço? Peguem num saco gigante e coloquem tudo lá para dentro. Doem a quem possa dar uso. Comida guardada há meses, que ainda está na validade, mas que até foi comprada por impulso e que sabem que vai acabar por se estragar – dêem-na a quem possa precisar! Talheres e artigos vários que pareciam muito úteis no início, mas que o trabalho de os lavar no final da utilização nos desmotiva a utilizá-los… corram com eles! Resumindo, façam com que os vossos armários e gavetas sejam exclusivos ao que é necessário ao dia a dia e com que estejam sempre muito limpos e arrumados.

No wc, a história repete-se. Artigos de beleza/ estética, maquilhagem, têxteis… quem não acumula? Uma vez mais, tirem uma ou duas horas do dia e destralhem. Muitas vezes, guardamos items durante meses ou anos que, depois de abertos, duravam muito menos tempo! Resumam os atoalhados a duas mudas, não é necessário mais – enquanto uma lava, a outra está em uso e poupamos espaço em gavetas!

Juntem todos os aparelhos electrónicos que têm em casa e analisem. A quantos deles dão real uso? Quantos já estão obsoletos sem que tenham sido verdadeiramente utilizados e quantos caminham para lá? Quanto vos poderiam render todos esses items? OLX com eles! 🙂

Mobiliário… Precisam mesmo de todas as mesinhas, cadeiras, prateleiras, puffs que têm? Pragmaticamente, analisem e dêem ou vendam aquilo que só ocupa espaço e que não contribui em utilidade, nem acrescenta na decoração. Tirem da vista tudo o que “polui”. Relembrem-se quando olham para um item: contribui ou contamina?

 

  • Limpeza geral e práticas de entrada em casa

O mais próximo possível da data do parto, tirem um dia inteirinho, juntamente com o/a vosso/a marido/mulher para fazerem uma limpeza a fundo em casa. Se sentirem que já não estão capazes, contratem serviços externos. No meu caso, sentia-me perfeitamente capaz e fizemo-lo. Limpámos interiores de armários, roupeiros e gavetas, janelas, paredes, tudo. A ideia é não estar preocupado com a sujidade da casa durante, pelo menos, um mês em que o foco vai estar totalmente noutra direção. Se puderem, comprem um aspirador robot para tratar dessa parte por vocês no dia-a-dia. Sobra o pó para limpar e a roupa para lavar e engomar e, acreditem, já vai ser bem desafiante para gerir!

Uma prática que terá que vir acoplada a esta grande limpeza é a obrigatoriedade de descalçar ao entrar em casa. Vossa e de quem visitar a vossa casa. É sempre difícil pedir isto a pessoas com quem não estamos à vontade, porém, porque viriam estas pessoas em concreto, nesta fase tão extenuante, a nossa casa? Se não estamos à vontade, é porque não nos são próximas; se não nos são próximas, poderão visitar-nos noutra altura. Não é altura para cerimónias e, uma vez mais, temos que nos lembrar daquilo que é verdadeiramente importante: o bem estar do nosso bebé e o nosso próprio bem estar.

 

  • Análise de todos os aspectos relacionados com a manutenção

Aquela torneira com pouco fluxo, o quadro por colocar na parede porque não apetece ir buscar o prego e o martelo, o estore que não fecha bem, o armário que precisa de batentes, os vasos cujas flores já morreram e que agora só têm terra, as capas do sofá que precisam de ser lavadas, … Se não o fizerem agora, não vai ser feito tão depressa. Ganhem coragem e tratem de tudo. Vão sentir-se livres, leves, soltos! E super orgulhosos de vocês mesmos porque dissiparam mais uma “moinha” que andava aí a incomodar 😉

 

  • O guarda roupas do bebé

Organizem-no. Organizem-no muito bem. Por tipos de peças e por idade. Na lufa-lufa das trocas e banhos do bebé, queremos é que o acesso às peças principais seja rápido e fácil. Caso não seja, caímos no esquema de as peças nunca sequer sairem do cesto da roupa retirada do estendal para o roupeiro e este cesto passa a ser “o” roupeiro. Outro conselho, e acreditem que sempre quis ter pouca roupa para o Vi, é munirem-se bem de algumas peças: bodies básicos, pijamas/ babygrows e fraldas de boca/ de algodão. Comprem vários para os diversos tamanhos, se não querem passar os dias a fazer máquinas de roupa com meia dúzia de peças. Isto porque num mesmo dia, podemos ter que trocar 3 ou 4 vezes de roupa – a maioria das vezes, no nosso caso, pelos bolsados/ regurgitações. Umas 2 ou 3 mudas de cama também podem ser úteis.

 

  • Stock de roupa caseira

Se não têm um pequeno stock de roupa confortável e apresentável, aloquem uma pequena parte do orçamento para tal. O tempo passado em casa vai ser bastante, a probabilidade de a roupa se sujar com facilidade é grande e, como tal, interessa ter algumas peças bem confortáveis, minimamente apresentáveis (não nos queremos sentir lixo, certo?) e que não necessitem de grande tratamento (entenda-se: passar a ferro!). É menos uma preocupação no puerpério.

 

  • Stock de comida e de consumíveis

Comida que se possa preparar rapidamente. Encham a despensa dela. Atenção que não falo de junk food, mas sim de alimentos que podem ser preparados de forma simples e rápida: atúm, grãos e feijões, favas e ervilhas, folhas de espinafres e nabiças, medalhões de pescada, ovos, misturas congeladas de vegetais, etc. E sopa! Tenham sempre, sempre, sempre uma sopa feita. Garante não só um aporte de nutrientes essenciais para a amamentação, como também uma salvação para picos de loucura em que, simplesmente, não dá para preparar nada e nos temos que cingir à mesma e “à sandes”!

Relativamente aos consumíveis, previnam-se para não terem que pensar neles durante bastante tempo – guardanapos, papel toalha, papel higiénico, produtos de limpeza, produtos de higiene, etc.

 

Com estas práticas, asseguro-vos de que será muito mais fácil orientarem-se física e mentalmente quando regressarem a casa com o bebé e tiverem que tratar de todo um novo conjunto de assuntos que não serão mais do que extras aos que já existiam.

De uma forma bastante resumida, para que quem ainda não tem filhos possa imaginar-se na situação, a rotina do Vicente nas primeiras semanas consistiu em: acordar, trocar fralda (10/15 minutos; 20 minutos quando toma banho), mamar (20/ 30 minutos), ficar sentado ou na vertical para arrotar (30/40 minutos), dormir e voltar a acordar para mamar 3 horas após a hora de início da mamada anterior. Se fizermos umas contas simples e se não houver episódios de bolsados/ cólicas/ desconfortos pelo meio, verificamos que nos sobram cerca de 90 minutos entre cada conjunto de cuidados ao bebé, seja de dia ou de noite. Ultimamente, tem havido ocasiões em que o Vi dorme mais e as 3 horas passam a 4 horas, o que ajuda bastante. De noite, para que não andássemos ambos tão cansados, também encontrámos um esquema que nos tem feito recuperar vagamente umas horas perdidas – muito graças à introdução do biberão (os motivos para tal não foram os melhores, mas contar-vos-ei depois esta grande jornada que tem sido a amamentação). Ainda assim, a verdade é que nos vemos constantemente assoberbados com coisas para fazer, sentindo que não estamos a ser capazes de chegar a todo o lado! Porém, não desesperamos. Toda a gente passa por isto, uns mais facilmente do que outros está certo, mas nós até podemos dar graças à boa equipa que formamos, que se tem reflectido no bebé saudável, tranquilo, lindo e maravilhoso que é o Vicentinho 🙂

 

 

Até breve!

Joana

Bem vindo, Vicente!

20 de Abril de 2018. O dia da chegada do Vicente ao mundo 🙂

Saímos de manhã e, antes de fecharmos a porta de casa, olhámos lá para dentro uma última vez. Não mais seríamos dois. Nunca mais. E o misto de emoções que se sente não tem explicação. É a primeira ténue impressão de que a vida já mudou.

 

Passava um pouco das 18h30 e já éramos três. O Vicentinho nasceu perfeito após um trabalho de parto bem tranquilo. Nasceu, ali, o maior desafio das nossas vidas.

Desde esse dia até então, temos vindo a adaptar-nos a uma realidade completamente diferente. Tudo gira em torno das necessidades do bebezão e, é verdade, o cansaço atinge níveis nunca antes experimentados! Mas também não é menos verdade que o sentimento de felicidade pura é o maior que alguma vez sentimos. Sabem aquela sensação de que não nos falta nada, nada, nada? 🙂

Os dias vão voando entre embalos, amamentação, trocas e os normais afins, sobrando (de facto!) ainda pouco tempo para obter as primeiras impressões montessorianas. Mas uma coisa vos digo, a primeira delas deu-se sem que ninguém esperasse. Estávamos nós no sofá, com o Vicente ao colo, e apercebemo-nos de que ele abrira muito os olhos, com o sobrolho e testa franzidos, dirigindo a atenção para algo que não era bem a nossa cara. Parecia a expressão de um menino muito maior com um já enorme entendimento do mundo que o rodeia – mas não! – era apenas o nosso bebezão que ainda nem sequer foca ao perto, quanto mais a meia distância. E no que é que se concentrava ele? Simples: numa imagem muito grande de uma zebra, branca e preta, que temos por detrás do sofá. Com 3 dias de vida, o Vicente foi atraído por ela e, desde então, passa bastantes minutos seguidos a “contemplá-la”! É claro que não interrompemos estes momentos preciosos.

 

O móbile munari também já foi introduzido (logo na primeira semana) e a verdade é que já observamos algum foco nos vários elementos. Há que escolher muito bem a fase do dia em que proporcionamos esta experiência – o melhor mesmo é aproveitar depois de o bebé estar alimentado e devidamente confortável numa posição deitada ou semi-deitada (penso que esta última seja a melhor), com a sorte de ele não adormecer de imediato 🙂 🙂

 

E agora que já estou a conseguir encontrar uns instantes para regressar ao activo no blog, conto falar-vos um pouco mais desta experiência de chegar a casa com um ser humano a nosso cargo, do que pode ser importante preparar antecipadamente no sentido de não vermos o nosso lar transformado num caos em meia dúzia de horas, da experiência da amamentação (a parte que ninguém nos conta), bem como das rotinas do dia-a-dia, que em tudo se têm que adaptar!

Até breve!

Joana