Rotina diária com um recém-nascido

Passado praticamente um mês desde o nascimento do Vicente, temos tentado estabelecer uma nova rotina que se ajuste tanto às necessidades dele, como às nossas. Sabíamos, de antemão, que não era nada fácil e que se iria tratar de um mês bem desafiante, o que de facto se verificou! Na verdade, para quem é pai/ mãe pela primeira vez, tudo é novo! Aquela sensação de entrar com o bebé em casa e de já não ter o apoio dos profissionais da maternidade é assustadora! Somos nós e ele, nós para ele! E não podemos falhar.

Felizmente, aquelas refeições preparadas e congeladas dias antes do parto revelaram-se imprescindíveis! No meio de uma certa desorientação na primeira semana, não iria haver espaço na nossa mente para o planeamento e execução das mesmas! A sensação que dá, principalmente nesses dias, é a de que mal o bebé adormece e temos um tempinho para fazer tudo o que de normal há para fazer em casa, já está na hora de ele mamar novamente!

Além desta preparação, há igualmente uma série de práticas que podemos adoptar antes do nascimento do bebé e que só vêm melhorar a vivência posteriormente:

 

  • O minimalismo

Rapidamente, ao viver com um recém-nascido, seja por uma questão de falta de tempo de qualidade, seja por um cansaço extremo (que sentimos por vezes, sim!), a nossa casa fica “decorada”, um pouco por todo o lado, com fraldas de boca, chupetas, biberões, babetes e toda uma panóplia de artigos de puericultura dos quais nem sabíamos da existência e utilidade antes de precisarmos deles! Imaginem este cenário num contexto que, por si só, já é desarrumado e cheio de artigos sem utilidade – o caos!

Um conselho que dou sem pestanejar é mesmo este: destralhem a vossa casa com antecedência. Livrem-se de tudo aquilo que não acrescenta nada nem à decoração, nem em utilidade. Peças com uma função própria que não utilizam há mais de um ano, provavelmente não fazem falta. Roupas que não vestem há meses, idem. Dêem uma “volta” ao guarda-roupas e livrem-se de tudo o que não usam/ vestem, sem pena nem remorsos! O objectivo é ganhar espaço e uma certa harmonia visual, que em muito contribui para a nossa própria organização de ideias.

Sabem aquela papelada que vai sendo acumulada com o intuito de “um dia” arquivar? Tirem uma tarde e tratem dela. Deitem para o lixo toda a que, entretanto, se revelou inútil e arrumem num único local toda a outra, organizada por tema e datas. Comprem dossiers ou arquivos, se for necessário. Já se aperceberam de como desaparece aquela “moinha” constante que sentíamos ao saber que estava ali aquilo que precisava de ser feito e que nunca mais ganhávamos coragem de fazer?

Prateleiras com artigos aleatórios… organizem-nas com caixas. Caixas para tudo, fechadas. Deitem fora tudo o que está guardado “por pena” ou “por recordação” (quantas “recordações” não são dispensáveis?). Doem utilidades que podem fazer falta a outras pessoas e que não vos fazem a vocês. Vendam o que ainda vos pode render uma quantia justificável.

Na cozinha, façam uma escolha. Serão necessários tantos tupperwares? Aquelas tampas sem par, o que continuam a fazer ali de lado? As panelas que, há séculos, foram postas a um canto, porque continuam a ocupar espaço? Peguem num saco gigante e coloquem tudo lá para dentro. Doem a quem possa dar uso. Comida guardada há meses, que ainda está na validade, mas que até foi comprada por impulso e que sabem que vai acabar por se estragar – dêem-na a quem possa precisar! Talheres e artigos vários que pareciam muito úteis no início, mas que o trabalho de os lavar no final da utilização nos desmotiva a utilizá-los… corram com eles! Resumindo, façam com que os vossos armários e gavetas sejam exclusivos ao que é necessário ao dia a dia e com que estejam sempre muito limpos e arrumados.

No wc, a história repete-se. Artigos de beleza/ estética, maquilhagem, têxteis… quem não acumula? Uma vez mais, tirem uma ou duas horas do dia e destralhem. Muitas vezes, guardamos items durante meses ou anos que, depois de abertos, duravam muito menos tempo! Resumam os atoalhados a duas mudas, não é necessário mais – enquanto uma lava, a outra está em uso e poupamos espaço em gavetas!

Juntem todos os aparelhos electrónicos que têm em casa e analisem. A quantos deles dão real uso? Quantos já estão obsoletos sem que tenham sido verdadeiramente utilizados e quantos caminham para lá? Quanto vos poderiam render todos esses items? OLX com eles! 🙂

Mobiliário… Precisam mesmo de todas as mesinhas, cadeiras, prateleiras, puffs que têm? Pragmaticamente, analisem e dêem ou vendam aquilo que só ocupa espaço e que não contribui em utilidade, nem acrescenta na decoração. Tirem da vista tudo o que “polui”. Relembrem-se quando olham para um item: contribui ou contamina?

 

  • Limpeza geral e práticas de entrada em casa

O mais próximo possível da data do parto, tirem um dia inteirinho, juntamente com o/a vosso/a marido/mulher para fazerem uma limpeza a fundo em casa. Se sentirem que já não estão capazes, contratem serviços externos. No meu caso, sentia-me perfeitamente capaz e fizemo-lo. Limpámos interiores de armários, roupeiros e gavetas, janelas, paredes, tudo. A ideia é não estar preocupado com a sujidade da casa durante, pelo menos, um mês em que o foco vai estar totalmente noutra direção. Se puderem, comprem um aspirador robot para tratar dessa parte por vocês no dia-a-dia. Sobra o pó para limpar e a roupa para lavar e engomar e, acreditem, já vai ser bem desafiante para gerir!

Uma prática que terá que vir acoplada a esta grande limpeza é a obrigatoriedade de descalçar ao entrar em casa. Vossa e de quem visitar a vossa casa. É sempre difícil pedir isto a pessoas com quem não estamos à vontade, porém, porque viriam estas pessoas em concreto, nesta fase tão extenuante, a nossa casa? Se não estamos à vontade, é porque não nos são próximas; se não nos são próximas, poderão visitar-nos noutra altura. Não é altura para cerimónias e, uma vez mais, temos que nos lembrar daquilo que é verdadeiramente importante: o bem estar do nosso bebé e o nosso próprio bem estar.

 

  • Análise de todos os aspectos relacionados com a manutenção

Aquela torneira com pouco fluxo, o quadro por colocar na parede porque não apetece ir buscar o prego e o martelo, o estore que não fecha bem, o armário que precisa de batentes, os vasos cujas flores já morreram e que agora só têm terra, as capas do sofá que precisam de ser lavadas, … Se não o fizerem agora, não vai ser feito tão depressa. Ganhem coragem e tratem de tudo. Vão sentir-se livres, leves, soltos! E super orgulhosos de vocês mesmos porque dissiparam mais uma “moinha” que andava aí a incomodar 😉

 

  • O guarda roupas do bebé

Organizem-no. Organizem-no muito bem. Por tipos de peças e por idade. Na lufa-lufa das trocas e banhos do bebé, queremos é que o acesso às peças principais seja rápido e fácil. Caso não seja, caímos no esquema de as peças nunca sequer sairem do cesto da roupa retirada do estendal para o roupeiro e este cesto passa a ser “o” roupeiro. Outro conselho, e acreditem que sempre quis ter pouca roupa para o Vi, é munirem-se bem de algumas peças: bodies básicos, pijamas/ babygrows e fraldas de boca/ de algodão. Comprem vários para os diversos tamanhos, se não querem passar os dias a fazer máquinas de roupa com meia dúzia de peças. Isto porque num mesmo dia, podemos ter que trocar 3 ou 4 vezes de roupa – a maioria das vezes, no nosso caso, pelos bolsados/ regurgitações. Umas 2 ou 3 mudas de cama também podem ser úteis.

 

  • Stock de roupa caseira

Se não têm um pequeno stock de roupa confortável e apresentável, aloquem uma pequena parte do orçamento para tal. O tempo passado em casa vai ser bastante, a probabilidade de a roupa se sujar com facilidade é grande e, como tal, interessa ter algumas peças bem confortáveis, minimamente apresentáveis (não nos queremos sentir lixo, certo?) e que não necessitem de grande tratamento (entenda-se: passar a ferro!). É menos uma preocupação no puerpério.

 

  • Stock de comida e de consumíveis

Comida que se possa preparar rapidamente. Encham a despensa dela. Atenção que não falo de junk food, mas sim de alimentos que podem ser preparados de forma simples e rápida: atúm, grãos e feijões, favas e ervilhas, folhas de espinafres e nabiças, medalhões de pescada, ovos, misturas congeladas de vegetais, etc. E sopa! Tenham sempre, sempre, sempre uma sopa feita. Garante não só um aporte de nutrientes essenciais para a amamentação, como também uma salvação para picos de loucura em que, simplesmente, não dá para preparar nada e nos temos que cingir à mesma e “à sandes”!

Relativamente aos consumíveis, previnam-se para não terem que pensar neles durante bastante tempo – guardanapos, papel toalha, papel higiénico, produtos de limpeza, produtos de higiene, etc.

 

Com estas práticas, asseguro-vos de que será muito mais fácil orientarem-se física e mentalmente quando regressarem a casa com o bebé e tiverem que tratar de todo um novo conjunto de assuntos que não serão mais do que extras aos que já existiam.

De uma forma bastante resumida, para que quem ainda não tem filhos possa imaginar-se na situação, a rotina do Vicente nas primeiras semanas consistiu em: acordar, trocar fralda (10/15 minutos; 20 minutos quando toma banho), mamar (20/ 30 minutos), ficar sentado ou na vertical para arrotar (30/40 minutos), dormir e voltar a acordar para mamar 3 horas após a hora de início da mamada anterior. Se fizermos umas contas simples e se não houver episódios de bolsados/ cólicas/ desconfortos pelo meio, verificamos que nos sobram cerca de 90 minutos entre cada conjunto de cuidados ao bebé, seja de dia ou de noite. Ultimamente, tem havido ocasiões em que o Vi dorme mais e as 3 horas passam a 4 horas, o que ajuda bastante. De noite, para que não andássemos ambos tão cansados, também encontrámos um esquema que nos tem feito recuperar vagamente umas horas perdidas – muito graças à introdução do biberão (os motivos para tal não foram os melhores, mas contar-vos-ei depois esta grande jornada que tem sido a amamentação). Ainda assim, a verdade é que nos vemos constantemente assoberbados com coisas para fazer, sentindo que não estamos a ser capazes de chegar a todo o lado! Porém, não desesperamos. Toda a gente passa por isto, uns mais facilmente do que outros está certo, mas nós até podemos dar graças à boa equipa que formamos, que se tem reflectido no bebé saudável, tranquilo, lindo e maravilhoso que é o Vicentinho 🙂

 

 

Até breve!

Joana

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