O primeiro mês

Num ápice, o primeiro mês passou. Um mês totalmente novo e diferente nas nossas vidas, um mês tão feliz! O Vicente cresceu a olhos vistos e até já sentimos saudades dos primeiros tempos de bebezice, quando olhamos para as fotos que lhe tirámos mal nasceu! Como é possível ser tão pequenino e, ao mesmo tempo, já ter crescido tanto?!

Temos passado a maior parte do tempo por casa, saindo maioritariamente para passeios nas redondezas e, pontualmente, para um ou outro evento de pessoas próximas. A verdade é que, na rotina de um bebé com esta tenríssima idade, sobra pouco espaço para grandes programas. Nem sequer os equacionamos, uma vez que, à partida, sairão “furados”! É a realidade.

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Um dos aspectos que tentamos levar a cabo com rigor é a criação dessa mesma rotina. Falámos disto diversas vezes noutros posts, mas penso que nunca é demais reforçar. O bebé, em especial nesta primeira etapa, PRECISA de uma rotina para se sentir bem e protegido. Precisa de conseguir antecipar o que vai acontecer a seguir, de previsibilidade. Como tal, não podemos apresentar-lhe planos diários muito diferentes uns dos outros, ou corremos o risco de gerar nele sentimentos de insegurança e desconforto. Não queremos que o Vicente se sinta perdido num mundo que ainda desconhece por completo. E asseguro-vos que, em muito pouco tempo, já conseguimos identificar uma ou outra situação em que o estabelecer da rotina foi diminuindo a angústia – o banho é uma delas. Como quase todos os bebés, o Vi chora quando o despimos, quando o colocamos dentro de água (lá dentro, rapidamente sente que é agradável e fica calmo) e, especialmente, quando o retiramos da água e o passamos para a toalha. Esta passagem, no início, era um pranto! O choro era daqueles que faziam com que o Vi ficasse roxo. E eis que os dias foram passando, o banho sempre dado da mesma forma, mais ou menos na mesma altura do dia, e o choro foi sendo cada vez menor. O bebezão já conhece os vários passos e já prevê que, depois de ser retirado da água e sentir frio, é rapidamente envolvido pela toalha e pelos braços da mãe 🙂

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É esta familiarização com o mundo que o rodeia que queremos trabalhar gradualmente e, para já, esse mundo não pode ir muito além do que o ambiente onde vivemos, com as duas pessoas que também fazem parte dele e que o vão fazendo sentir que pertence a algum sítio e que tem sempre dois colos seguros e protetores – a mãe e o pai.

Outro aspecto que importa realçar neste primeiro mês é a evolução da capacidade de foco. Se, inicialmente, o Vi olhava fixamente para a imagem da zebra da nossa sala, agora fá-lo com os elementos do móbile, com a nossa silhueta, quando nos movimentamos a meia distância, e com os nossos olhos, quando estamos com ele ao colo.  Ah! E com o espelho do lado da cama! O Vi já se observa a si mesmo com atenção! E é tão bom de ver aquele sobrolho a franzir como que procurando respostas para pensamentos profundos 🙂 🙂 🙂

 

E agora, a parte mais difícil destes 30 dias (nem tudo são rosas)… lembram-se de eu vos contar que sou totalmente apologista da amamentação em exclusivo até aos 6 meses, correto? Pois bem, sem rodeios: ninguém me contou, nem nunca li, que poderia ser tão difícil amamentar em pleno. Pensei em desistir – quase todos os dias. Não o fiz agarrada à esperança de que a situação iria melhorar em breve. Não melhorou, pelo contrário. Penso que não nos devemos focar nas coisas difíceis e menos positivas que nos acontecem, porém, se não falarmos delas e quisermos passar simplesmente a imagem de que tudo é perfeito, contribuímos para esta desinformação acerca de alguns temas que quase se tornam tabu. Fala-se muito do parto, da dor do parto, da gravidez e dos seus sintomas… e da amamentação, porque não se fala? Porque é que as mães que pararam de amamentar por dor e desespero se escondem? Será porque sentem que as vão condenar e apelidar de más mães? É certo que amamentar, ou não, um filho começa por ser uma escolha – eu própria questiono a escolha por não o fazer, porque, a meu ver, vontade deveríamos ter todas. Mas nem sempre é esse o caso! Sou a primeira a admitir que não tinha noção, mas este acto de amor, de proximidade, este vínculo afectivo que aconchega o nosso bebé, pode simplesmente tornar-se na maior dor física e emocional que experimentamos na vida!

Física, por razões óbvias. No meu caso, muito resumidamente, uma má pega inicial, aliada ao facto de ter tido um bebezão muito sôfrego a mamar (entenda-se: garganeiro 😀 ), fez com que ficasse logo com feridas profundas nos mamilos, que chegaram a sangrar muito, mesmo com os supostos “aliados” mamilos de silicone. E a dor que causava, juntamente com a dor do ingurgitamento mamário, era tanta, que não vos consigo explicar.

Emocional, porque (no meu caso) sabia que, se desistisse ou vacilasse, não estaria a dar o melhor ao meu filho. Também não consigo transmitir em palavras o sentimento de culpa que tinha. E ainda tenho.

De uma forma muito subtil e ainda pouco assumida, tive que optar por um esquema que não encaro como ideal, mas que me devolveu alguma sanidade e, principalmente, uma mãe menos angustiada e sofrida ao Vicente. Este esquema envolve bombas de extração de leite, biberões e, infelizmente, algum leite artificial, uma vez que comecei a produzir menos leite materno a partir do momento em que não estimulava a sua produção a cada duas ou três horas, como acontecia quando amamentava diretamente. Entretanto, pelo caminho, as feridas sararam e, com toda a felicidade do mundo, voltei a tentar. Correu lindamente, porém, a quantidade insuficiente de leite fez com que o sôfrego Vicente chorasse inconsolavelmente mal o fluxo diminuía e, com tamanha irritação, começasse a bolsar tudo. Insisti durante três dias consecutivos, mas a situação manteve-se e o Vi, que nos habituou a um ganho de peso duas vezes superior ao esperado, ganhou, nesses três dias, apenas metade do valor considerado ideal. Confesso que a questão do peso me passa um pouco ao lado, não me interessa muito se ganha mais ou menos do que o valor tabelado, desde que esteja saudável e bem disposto. Mas bem disposto, era algo que o Vi não ficava depois de mamar. Voltei a usar a bomba para perceber que quantidade de leite é que lhe estava a dar e, efectivamente, era menos do que a que deveria.

Resumindo, mantive o esquema da bomba, biberão e fórmula. Consigo actualmente dar 4/5 biberões de leite materno diariamente e 1/2 de artificial. Vivo um pouco refém das ditas bombas, mas, enquanto der, pretendo manter-me assim. Um dia de cada vez, é o que penso. Sem culpas, vou tentando.

Entrando agora no segundo mês, outros desafios se colocam, outras maravilhas se manifestam (o primeiro sorriso intencional é uma delas), muita coisa nova há para contar. Assim que tiver 2 ou 3 intervalos (nem que seja em 2 ou 3 dias diferentes, como está a acontecer agora), voltarei para vos fazer um update da vivência por estes lados 🙂

E a vossa experiência de maternidade, como está a ser? Se pensam em ter filhos, como imaginam o pós-parto? Já alguém vos tinha falado de forma nua e crua sobre a amamentação?

 

Até breve!

Joana

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