Princípios do educador montessoriano #1

A filosofia de Montessori traduz-se numa série de valores, princípios e métodos que, juntos, visam constituir uma “educação para a paz”. Não precisamos de nos aprofundar muito no tema para percebermos o porquê. O Ser Humano completo (o grande objetivo) caracteriza-se pela sua pacificidade e serenidade para consigo e para com os demais. É uma forma de estar na vida e é também a forma na qual nos devemos encontrar, enquanto educadores montessorianos.

Esta paz deve, assim, começar em nós mesmos e, na base da mesma, está o nosso entendimento acerca do significado de respeito. Enquanto pais e educadores, respeitar a criança é essencial. Fazer com que a mesma se sinta, constantemente, respeitada fará, por conseguinte, com que ela respeite os outros, com a sua individualidade e diferença, e seja aberta à diversidade, entendendo-a como algo que enriquece o mundo e não como uma ameaça que deve ser eliminada. O contacto com esta diferença, desde muito cedo, é a semente para a paz que plantamos nos nossos filhos.

Maria Montessori enumerou 10 princípios básicos que visam guiar-nos no sentido do respeito pela criança e pelas suas necessidades. Estes devem ser seguidos em casa, tal como em qualquer ambiente montessoriano. Falaremos acerca de todos eles, um por um, em diferentes posts. É importante reflectirmos individualmente. Cá por casa, para que nunca caiam no esquecimento, foram afixados no frigorífico e, diariamente, passamos os olhos por eles 😉

1. Nunca toque a criança, a menos que seja convidado por ela de alguma maneira

Já pensaram na quantidade de vezes em que tocaram, ou mesmo pegaram, numa criança sem que ela tenha pedido ou demonstrado interesse nisso? Assumo aqui a mea culpa… fi-lo vezes sem conta, sem nunca pensar no quão errada estava.

Respeitar a criança passa por não a entendermos como um ser sem vontade própria e “manuseável” por toda a gente. Devemos evitar tocar nela sem o seu consentimento, sendo que ela própria pedirá ou dará sinais quando quiser que tal aconteça, basta que os saibamos interpretar.

O mesmo se aplica àqueles momentos em que a mesma está ocupada com alguma tarefa, a ler um livro, a brincar, ou mesmo a descansar. Não devemos interrompê-la, muito menos com qualquer contacto físico. Devemos sim respeitá-la, bem como aquilo que ela está a executar no momento.

É, igualmente, importante respeitar a criança quando ela está aborrecida ou zangada e não quer que ninguém a segure ou toque.

Agora que o Vicente nasceu e, em particular, nesta fase em que ele é muito pequenino e não expressa facilmente a sua vontade, há uma tendência natural para que toda a gente queira pegar nele, agarrar-lhe nas mãos, dar-lhe beijinhos, etc. Não podemos, por um lado, querer educar todas as pessoas do mundo para o respeito que se deve ter para com qualquer ser humano, independentemente da sua idade, nem, por outro, formar uma “bolha” à volta do nosso filho, evitando todos os contactos. O bom senso deverá imperar e é isso que, enquanto pais, devemos exigir daqueles que nos rodeiam.

Um exemplo prático aplicado à nossa realidade actual: temos visitas em casa, ou estamos em casa de alguém, e o Vicente, por algum desconforto, chora sem parar. Naturalmente, muitos dos presentes vão querer pegar nele para o consolar. Ora, coloquemo-nos no lugar dele, um bebé que ainda não completou dois meses no processo de conhecimento e ligação aos próprios pais e ao ambiente onde vive. Se já estava desconfortável com algo, o que aconteceria se, de repente, se visse no colo de alguém que extravasa estes dois seres e que ele não conhece, nem identifica, de qualquer maneira, como “seguro”? Que confusão para uma mente ainda tão imatura! Possivelmente até podia parar de chorar, mas (sabemos todos) nem sempre isso é sinal de conforto. Enquanto pais, o nosso papel passa por, de alguma forma, criarmos o tal bom senso nas outras pessoas e, principalmente, protegermos o nosso filho daquilo que, ainda que as possa fazer sentirem-se bem, não o faz sentir-se bem a ele.

Agora que pensam nisto, não faz todo o sentido?

Não têm as crianças ou, num sentido mais estrito, os nossos filhos, o direito de não querem qualquer contacto físico com outras pessoas? Não usufruímos, nós adultos, desse mesmo direito inúmeras vezes? Qual a diferença, então?

Até já!

Joana

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