Princípios do educador montessoriano #4

4. Seja ativo na preparação do ambiente. Tome cuidado constante e seja meticuloso com ele. Ajude a criança a estabelecer relações construtivas com ele. Mostre o local adequado onde são guardados os meios de desenvolvimento e demonstre o seu uso apropriado.

Ambiente preparado! Já falámos dele tantas vezes ao longo do blog.

Este ambiente que circunda a criança deverá ser alvo da nossa maior atenção enquanto pais. Se queremos que a mesma interiorize hábitos de arrumação e cuidado, deveremos apresentá-lo arrumado e cuidado.

Tudo começa em nós mesmos, os nossos filhos observam-nos, bem como aquilo que nós fazemos e, tendencialmente, imitam-nos. Dessa forma, mantendo um ambiente ordeiro, encorajamo-los a fazerem o mesmo. Se, quando queremos utilizar um objecto, o retirarmos do local onde ele pertence, o utilizarmos e, no final, o voltarmos a guardar no mesmo sítio, incentiva-los-emos a adoptarem este hábito.

Um cuidado que devemos ter passa por colocar à altura e alcance das crianças objectos que elas possam manipular livremente, ao invés de outros nos quais não podem mexer. Dessa forma, abrimos-lhes portas para que explorem o mundo que as rodeia e torna-se muito mais fácil para elas tirarem um maior partido da experiência sensorial. Temos que, a todo o tempo, estar atentos a este ambiente e fazer as mudanças necessárias para acompanhar o desenvolvimento delas, naquele momento. E, no caso de lhes serem acessíveis peças/ artigos que elas possam danificar ou que as possam magoar, dever-lhes-á (e isto leva o seu tempo e muita, muita tolerância da nossa parte) ser ensinada a forma correta de os utilizar, contrariamente ao que, muitas vezes assistimos, em que o pai/ mãe/ adulto diz imediatamente ao seu filho “não podes tocar”!

A cozinha é um excelente exemplo de um ambiente perfeito para a exploração infantil – tem acessórios de cutelaria, loiças, copos de vidro, tupperwares, … e oferece oportunidades de actividades que os nossos filhos adoram: cortar, descascar, cozinhar, lavar… Não só devemos encorajar a execução destas tarefas (elas são determinantes na aquisição de independência!), como devemos incluí-los e mantê-los ocupados durante o dia o maior tempo possível com elas.

A apresentação e demonstração do uso apropriado dos meios de desenvolvimento deve ser feita de forma incansável por nós, pais. E quando o nosso filho cometer um erro, se se tratar de um erro de procedimento, não devemos corrigi-lo! Devemos, sim, permitir que o erro seja cometido e que ele continue o seu caminho; daí por uns dias, voltamos a demonstrar novamente e logo chegará o momento em que ele conseguirá fazê-lo da forma correta 🙂

Se, por sua vez, estiver a causar um dano material no ambiente, cabe-nos ajudá-lo a estabelecer relações construtivas com o mesmo. É algo benéfico para ele e para o ambiente. Mostramos-lhe como se faz e dizemos-lhe que aquilo que ele estava a fazer não é o correto, mas sempre com uma alternativa de acção. Exemplo: o nosso filho atira um prato para o chão. O nosso papel, neste momento, deverá consistir em passar a mensagem clara (falando baixo, calmamente e ao nível dos olhos dele) de que aquele comportamento não está certo, apresentando-lhe, em alternativa, um objecto que seja do interesse dele e que, esse sim, possa ser lançado.

É muito importante estarmos sempre presentes, representando, a todo o momento, um apoio para as nossas crianças. Um suporte e um incentivo, sem castigos nem elogios, para a construção de uma relação muito positiva com o ambiente onde elas habitam 🙂

 

Vamos trabalhar(-nos) nesse sentido?

 

Até já!

Joana

Alteração do móbile e introdução das rocas

Alcançadas as 12 semanas do Vicente, chegou também a altura de fazer mais uma alteração no móbile. A descoberta das mãos leva a que o mesmo se constitua de elementos que proporcionam a experiência o mais rica possível: elementos de cores essencialmente primárias, de madeira, que produzem som aquando em movimento e que incluem argolas. Estas argolas visam ajudar a que o bebé perceba que a mão pode agarrar e manipular objectos. Uma delas, é pendurada com fio elástico, que fará com que, a determinada altura, ele consiga levá-la à boca, aumentando a qualidade da experiência sensorial.

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Simultaneamente com a introdução do móbile, as rocas aparecem agora com especial destaque. Na verdade, em breve, irão mesmo substituí-lo, constituindo então a principal ferramenta sensorial de exploração do mundo.

O bebé descobre que aquela sensação física nas suas mãos está relacionada com as formas e movimentos que ele está a ver. Gradualmente, vai desenvolvendo uma coordenação entre a visão, o toque e o som. Vai sentido e vendo que os diferentes movimentos com a roca se refletem em sons variados: alto e baixo, agradável e incomodativo. Experimenta também as diferenças na temperatura e textura: a madeira e o metal, por exemplo, são lisos e suaves e o metal é mais frio do que a madeira. Descobre, além disso, a relação entre peso e dimensão: materiais do mesmo tamanho, mas feitos de materiais diferentes, podem variar no peso. E por aí em diante…

A determinada altura, o bebé atinge então um ponto em que já descobriu as diferentes capacidades das suas mãos e não só já ganhou a habilidade para obter informação através delas, como aprendeu a usá-las para manipular o ambiente que o rodeia. Está, agora, preparado, para explorar objectos pela casa fora 🙂

No caso do Vicente, as primeiras rocas (de madeira) foram apresentadas aos 2 meses. Ficava muito atento quando eu ou o D as agitávamos e, com ajuda, conseguiu até, numa ou outra vez, segurá-las (porém, sem qualquer intenção).

Agora, quase com 3 meses, já manifesta vontade de as agarrar e capacidade para o fazer por si só, movendo-as bruscamente (como se espera de um bebé desta idade) e batendo com elas na cara, ficando sempre surpreendido com os sons obtidos e com o impacto que, por vezes, chega a magoar!

Está a ser delicioso assistir a esta evolução tão grande, num espaço de tempo tão curto! O Vi está a crescer a cada dia e uma coisa que quero muito enquanto mãe, é nunca me arrepender por ter deixado escapar uma etapa importante sem lhe ter dado o devido valor. E todas as etapas o são! E eu e o D estamos aqui, a desfrutar e a viver em conjunto cada uma delas 🙂

 

Até já!

Joana

 

 

 

Princípios do educador montessoriano #3

3. Concentre-se em fortalecer e ajudar o desenvolvimento daquilo que é bom na criança, para que a sua presença deixe cada vez menos espaço para o que é mau.

Qual a criança que gosta de ser constantemente punida?

Este princípio deve fazer-nos reflectir acerca das reacções negativas que temos para com os nossos filhos, quando estes não têm a conduta ou a forma de agir esperada em determinada situação.

Deveremos dirigir-nos a eles, focando-nos no seu comportamento negativo?

Talvez, dessa forma, estejamos a fazer com que os mesmos se sintam constantemente desadequados e a sua auto-estima seja afetada. E o que podemos esperar desta criança é que, ela mesma, se torne num adulto orientado para o que há de negativo consigo próprio e com os demais, mantendo o padrão a que foi, desde cedo, habituada.

Educar de forma positiva (educar “para a paz”, lembram-se?) pressupõe, por sua vez, que exista um adulto a agir de forma coerente e de acordo com aquilo que espera do seu filho. Não podemos exigir que o mesmo aja corretamente, quando também não o fazemos. Parte da aprendizagem faz-se por observação e pelo exemplo. Dessa forma, antes do impulso de criticar, deveremos parar uns breves segundos para uma introspeção – teremos alguma responsabilidade por aquele comportamento menos adequado? Se sim, o que poderemos fazer de diferente para o evitar numa próxima vez?

Esta conduta positiva, tal como o nome sugere, reflecte-se, igualmente, no foco pelos aspectos positivos das acções e comportamentos da criança, que se sentirá segura e confiante para continuar na mesma direção. Não são necessários castigos nem recompensas. Basta que lhe seja explicada e, principalmente, mostrada através de modelos que agem em conformidade, a forma mais correta de agir.

Não nos esqueçamos: as crianças não trazem qualquer maldade ou comportamentos destrutivos na sua bagagem. Estas estão, somente, num processo de aprendizagem daquilo que deve ou não ser feito, que deve ou não ser dito, … e, pensemos, quantas vezes aquilo que vemos nelas de negativo não é criação da nossa própria mente, com todos os preconceitos e desconfianças armazenados ao longo da vida?

 

Até breve!

Joana