O espelho

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Ao mesmo tempo que projectámos a caminha no chão do Vi, procurámos logo por soluções de espelhos para colocar ao lado da mesma.

O espelho tem um papel fundamental nos primeiros meses de vida do bebé. Ele observa-se, observa os seus movimentos e os movimentos das outras pessoas. Ainda desde a sua posição na cama, pode ver tudo o que tem a ver consigo e com a sua imagem, sendo estimulada a sua curiosidade, interesse e consequente oportunidade de movimento propositado do corpo.

A confiança que queremos que o bebé ganhe com a circulação livre pelo quarto pressupõe que este, primeiro que tudo, desenvolva um conhecimento acerca da área. O espelho permite, então, uma experiência visual da mesma, mesmo antes de o nosso filho conseguir mover-se nela.

Quando está deitado de barriga para baixo na sua cama, além do fortalecimento muscular que vai ganhando no pescoço e tronco (veremos em posts posteriores a enormíssima importância disto!), poderá, através do espelho, ganhar uma percepção ainda maior das distâncias, criar um “mapa interno” com noções corretas do espaço e “pontos de referência” que o irão guiar quando o mesmo se deslocar para o explorar.

Por uma questão de segurança, acabámos por optar por uma série de espelhos acrílicos sem cantos, do IKEA, colocados lado a lado. É uma solução que normalmente está esgotada na loja (todo o mundo quer estes espelhos?!), porém, após 2 ou 3 meses de espera, lá estavam eles 🙂

Uns meses mais tarde, assim que o Vicente começar a querer colocar-se de pé, os espelhos passarão para a parede oposta à da cama, onde será igualmente colocado um varão/ corrimão para que ele se ampare. Falaremos dessa fase a seu tempo 🙂

Até breve!

Joana

Ps. Já há cobertura da cabeceira da cama! 🙂 🙂 🙂 cinza, como não poderia deixar de ser!

 

A caminha no chão

Consideremos um quarto “normal” de recém nascido. O que encontramos?

Normalmente tem um berço/ cama de grades, um trocador, talvez uma cadeira de amamentação para o adulto… a sensação que temos, desde logo, é a de se trata de um espaço onde o bebé não faz muito mais além de dormir. E quando não o está a fazer, é levado para locais mais movimentados da casa. Já repararam que este bebé não tem a oportunidade de passar tempo acordado no seu próprio espaço, de ficar sozinho no mesmo, nem de trabalhar a sua capacidade de foco e concentração, sem que seja distraído por outros estímulos? Para que tal possa acontecer, é necessário o ambiente certo, aquele que vai de encontro ao seu nível de desenvolvimento, naquele momento, e este quarto que comummente encontramos não é exemplo disso.

Já um quarto típico “montessoriano” fornece tudo aquilo que procuramos para tal. É um quarto com cores neutras, bonito na sua simplicidade, que transmite calma, com o máximo de luz natural possível, com lâmpadas de cores quentes/ amareladas e com detalhes e alguns brinquedos (não muitos), esses sim, com cores mais vibrantes. É um quarto cujo mobiliário não tem um preço demasiado elevado e que facilmente pode ser “transformado” para acompanhar os vários estadios pelos quais o bebé vai passando.

Divide-se, logo à partida, em quatro áreas distintas, cada uma com fundamental importância:

  • Dormir
  • Vestir/ trocar fraldas
  • Amamentação
  • Actividade

E hoje vamos centrar-nos na área do dormir.

O elemento mais conhecido por quem conhece e até quem não conhece o método de Montessori é, sem dúvida, a cama do bebé, que se apresenta no chão, permitindo-lhe o movimento ilimitado.

Já aparecem no mercado várias caminhas deste género, até em forma de casinhas (aliciantes no aspecto, claro…), porém, o que se pretende verdadeiramente é um tão-simples colchão no chão, sem elementos que possam constituir perigo e magoar o bebé quando este se movimentar e um tapete (ou outra opção adaptada) que amorteça os poucos centímetros de “queda”, que é colocado imediatamente ao lado. Este colchão, idealmente, é colocado num dos cantos do quarto, ficando apenas com dois dos lados “abertos” à sua deslocação.

As camas de grades a que estamos habituados apareceram com o objectivo de “proteger” o bebé dos perigos da casa, porém, na verdade, podem elas sim constituir um perigo quando o mesmo tenta sair e trepar as laterais – a queda, nesse caso, não é de poucos centímetros… Também a passagem de uma cama de grades para uma cama normal de criança se revela mais dificil do que passado de uma cama no chão e estando já acostumado ao facto de não existirem barreiras que circunscrevem o espaço e impedem a queda.

Para o quarto do Vi, procurámos um estrado simples o suficiente para ser fácil de colocar directamente no chão e um colchão evolutivo (o melhor possível, que neste tipo de coisas não gostamos de descurar na qualidade nem de olhar a preços), que colocámos por cima. Este colchão evolutivo (do IKEA) é constituido por 3 partes – a maior (o colchão propriamente dito) e duas mais pequenas, que vamos juntado com um sistema de fixação, à medida que a criança cresce, e que se ajustarão posteriormente a uma grande oferta de camas baixinhas que a mesma loja oferece. Como inicialmente só precisamos da parte maior do colchão, guardámos uma das outras e a terceira aproveitámos para fazer a cabeceira da cama (poderão ver na foto). Para que esta cabeceira fique com um acabamento mais bonito, comprámos um tecido ao nosso gosto (e a condizer com o quarto) e entregámo-lo às mãos de uma costureira para fazer uma forra – depois fotografo novamente quando estiver tudo pronto 🙂

Depois precisámos apenas de adquirir lençóis com elásticos, um sobrecolchão impermeável e, para tapar o bebé, utilizaremos apenas um edredon revestido por uma capa (há que ter cuidado com a utilização de edredons devido ao sobreaquecimento durante a noite! O ideal será colocar uma almofada grande nos pés da cama, por dentro do edredon, de forma a que o bebé não se possa “afundar” para dentro do mesmo). No verão, dormirá apenas com a dita capa do edredon por cima.

Ao lado da cama, e a revestir metade da área do quarto, colocámos um tapete de espuma (daqueles tipo puzzle), que amortecerá eficientemente todas as quedas. Aconselho-vos, na escolha de uma solução deste género, a terem muito cuidado com os componentes utilizados no fabrico dos mesmos. Quase todos eles têm químicos que podem ser nocivos para o bebé e o risco de sufoco é uma realidade! Nós optámos pelo único que encontrámos no mercado sem qualquer químico na composição, nem quaisquer riscos para o bebé – o Skip Hop Playspot Geo Kid Foam Tiles. Não estava disponível em qualquer loja física em Lisboa, mas facilmente o adquirimos online.

Et voilà, o Vi já tem um espaço de dormir seguro para o receber após os primeiros meses em que, durante a noite, ficará no nosso quarto, num bercinho pequeno que adquirimos para o efeito 🙂

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Até breve!

Joana

O quartinho…

Há cerca de 1 ano atrás, sentimos que havia chegado o momento de pensarmos muito seriamente num novo projecto a dois: sermos pais. As condições estavam praticamente reunidas e queríamos apenas utilizar o primeiro semestre de 2017 para ultimar preparativos que dificilmente seriam concretizáveis de uma forma tão eficiente depois.

Aumentando, inevitavelmente, o interesse por “bebés e crianças” nesta fase em que já estava focada naquilo que se viria a suceder, deparei-me com o método de Montessori. Explorei (primeiramente, de forma superficial) um pouco mais sobre ele e senti, de imediato, que seria o caminho que gostaria de seguir assim que fosse mãe. E logo quis saber mais. Aproveitando o privilégio de ter a profissão que tenho e o que a mesma me permite – viajar mundo fora – coletei alguma da melhor bibliografia acerca do tema, em vários locais por onde fui passando, e os meus livros de cabeceira viraram-se totalmente para este tema.

Na verdade, nunca fui pessoa de fazer algo ou tomar decisões importantes de ânimo leve. O “fazer por fazer” e o “logo se vê” nunca foram para mim. E na educação de um filho, muito menos. Ainda que a intuição e algum empirismo tenham o seu lugar bem estimado, penso que, quanto mais entendermos, nos interessarmos e explorarmos determinado assunto, mais capazes seremos de desempenhar o nosso papel de forma competente.

As leituras e pesquisas foram evoluindo e, claro, quis mais. Lancei-me na formação online e, desde então, alguns cursos/ workshops passaram a complementa-las.

Entretanto, aí pelo meio, apareceu o Vicente 🙂 🙂 🙂 🙂

Dado o timing e tudo aquilo que, até então, já sabia sobre o método (e que o D – meu marido – também foi sabendo por osmose e, claro, concordando), rapidamente começámos a idealizar o quartinho de bebé. Lançámos “as mãos na massa” no início do 2º trimestre da gravidez, já com as principais decisões absolutamente tomadas.

Falemos, então, da primeira delas: a perspectiva do bebé e a escolha do mobiliário principal.

Como falámos no post anterior, um dos principais princípios do método de Montessori é o ambiente preparado. É este ambiente que vai permitir o desenvolvimento pleno do bebé, proporcionando-lhe a oportunidade do movimento livre e seguro, promovendo a autonomia e confiança nas suas capacidades. Ora, nada mais importante do que um quarto que corresponda a este princípio. Para tal, a primeira decisão que tomámos foi a de que todo o mobiliário destinado à utilização do Vicente estivesse à altura do seu alcance, de forma a que, por exemplo, não fosse necessária a nossa intervenção para retirar brinquedos da estante ou, até, para que este saísse da cama!

Obviamente não estamos a falar de algo que vá ser posto em prática nos primeiros meses de vida, porém, a existência deste ambiente logo desde o nascimento é fulcral para a vivência e ligação que, rapidamente, o bebé vai criar com o seu espaço. Não esquecer que o sentimento de segurança se começa a trabalhar no 1º dia! 🙂

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Mais pormenores sobre cada elemento do quarto ser-vos-ão dados em breve!

Até lá!

Joana