O primeiro mês

Num ápice, o primeiro mês passou. Um mês totalmente novo e diferente nas nossas vidas, um mês tão feliz! O Vicente cresceu a olhos vistos e até já sentimos saudades dos primeiros tempos de bebezice, quando olhamos para as fotos que lhe tirámos mal nasceu! Como é possível ser tão pequenino e, ao mesmo tempo, já ter crescido tanto?!

Temos passado a maior parte do tempo por casa, saindo maioritariamente para passeios nas redondezas e, pontualmente, para um ou outro evento de pessoas próximas. A verdade é que, na rotina de um bebé com esta tenríssima idade, sobra pouco espaço para grandes programas. Nem sequer os equacionamos, uma vez que, à partida, sairão “furados”! É a realidade.

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Um dos aspectos que tentamos levar a cabo com rigor é a criação dessa mesma rotina. Falámos disto diversas vezes noutros posts, mas penso que nunca é demais reforçar. O bebé, em especial nesta primeira etapa, PRECISA de uma rotina para se sentir bem e protegido. Precisa de conseguir antecipar o que vai acontecer a seguir, de previsibilidade. Como tal, não podemos apresentar-lhe planos diários muito diferentes uns dos outros, ou corremos o risco de gerar nele sentimentos de insegurança e desconforto. Não queremos que o Vicente se sinta perdido num mundo que ainda desconhece por completo. E asseguro-vos que, em muito pouco tempo, já conseguimos identificar uma ou outra situação em que o estabelecer da rotina foi diminuindo a angústia – o banho é uma delas. Como quase todos os bebés, o Vi chora quando o despimos, quando o colocamos dentro de água (lá dentro, rapidamente sente que é agradável e fica calmo) e, especialmente, quando o retiramos da água e o passamos para a toalha. Esta passagem, no início, era um pranto! O choro era daqueles que faziam com que o Vi ficasse roxo. E eis que os dias foram passando, o banho sempre dado da mesma forma, mais ou menos na mesma altura do dia, e o choro foi sendo cada vez menor. O bebezão já conhece os vários passos e já prevê que, depois de ser retirado da água e sentir frio, é rapidamente envolvido pela toalha e pelos braços da mãe 🙂

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É esta familiarização com o mundo que o rodeia que queremos trabalhar gradualmente e, para já, esse mundo não pode ir muito além do que o ambiente onde vivemos, com as duas pessoas que também fazem parte dele e que o vão fazendo sentir que pertence a algum sítio e que tem sempre dois colos seguros e protetores – a mãe e o pai.

Outro aspecto que importa realçar neste primeiro mês é a evolução da capacidade de foco. Se, inicialmente, o Vi olhava fixamente para a imagem da zebra da nossa sala, agora fá-lo com os elementos do móbile, com a nossa silhueta, quando nos movimentamos a meia distância, e com os nossos olhos, quando estamos com ele ao colo.  Ah! E com o espelho do lado da cama! O Vi já se observa a si mesmo com atenção! E é tão bom de ver aquele sobrolho a franzir como que procurando respostas para pensamentos profundos 🙂 🙂 🙂

 

E agora, a parte mais difícil destes 30 dias (nem tudo são rosas)… lembram-se de eu vos contar que sou totalmente apologista da amamentação em exclusivo até aos 6 meses, correto? Pois bem, sem rodeios: ninguém me contou, nem nunca li, que poderia ser tão difícil amamentar em pleno. Pensei em desistir – quase todos os dias. Não o fiz agarrada à esperança de que a situação iria melhorar em breve. Não melhorou, pelo contrário. Penso que não nos devemos focar nas coisas difíceis e menos positivas que nos acontecem, porém, se não falarmos delas e quisermos passar simplesmente a imagem de que tudo é perfeito, contribuímos para esta desinformação acerca de alguns temas que quase se tornam tabu. Fala-se muito do parto, da dor do parto, da gravidez e dos seus sintomas… e da amamentação, porque não se fala? Porque é que as mães que pararam de amamentar por dor e desespero se escondem? Será porque sentem que as vão condenar e apelidar de más mães? É certo que amamentar, ou não, um filho começa por ser uma escolha – eu própria questiono a escolha por não o fazer, porque, a meu ver, vontade deveríamos ter todas. Mas nem sempre é esse o caso! Sou a primeira a admitir que não tinha noção, mas este acto de amor, de proximidade, este vínculo afectivo que aconchega o nosso bebé, pode simplesmente tornar-se na maior dor física e emocional que experimentamos na vida!

Física, por razões óbvias. No meu caso, muito resumidamente, uma má pega inicial, aliada ao facto de ter tido um bebezão muito sôfrego a mamar (entenda-se: garganeiro 😀 ), fez com que ficasse logo com feridas profundas nos mamilos, que chegaram a sangrar muito, mesmo com os supostos “aliados” mamilos de silicone. E a dor que causava, juntamente com a dor do ingurgitamento mamário, era tanta, que não vos consigo explicar.

Emocional, porque (no meu caso) sabia que, se desistisse ou vacilasse, não estaria a dar o melhor ao meu filho. Também não consigo transmitir em palavras o sentimento de culpa que tinha. E ainda tenho.

De uma forma muito subtil e ainda pouco assumida, tive que optar por um esquema que não encaro como ideal, mas que me devolveu alguma sanidade e, principalmente, uma mãe menos angustiada e sofrida ao Vicente. Este esquema envolve bombas de extração de leite, biberões e, infelizmente, algum leite artificial, uma vez que comecei a produzir menos leite materno a partir do momento em que não estimulava a sua produção a cada duas ou três horas, como acontecia quando amamentava diretamente. Entretanto, pelo caminho, as feridas sararam e, com toda a felicidade do mundo, voltei a tentar. Correu lindamente, porém, a quantidade insuficiente de leite fez com que o sôfrego Vicente chorasse inconsolavelmente mal o fluxo diminuía e, com tamanha irritação, começasse a bolsar tudo. Insisti durante três dias consecutivos, mas a situação manteve-se e o Vi, que nos habituou a um ganho de peso duas vezes superior ao esperado, ganhou, nesses três dias, apenas metade do valor considerado ideal. Confesso que a questão do peso me passa um pouco ao lado, não me interessa muito se ganha mais ou menos do que o valor tabelado, desde que esteja saudável e bem disposto. Mas bem disposto, era algo que o Vi não ficava depois de mamar. Voltei a usar a bomba para perceber que quantidade de leite é que lhe estava a dar e, efectivamente, era menos do que a que deveria.

Resumindo, mantive o esquema da bomba, biberão e fórmula. Consigo actualmente dar 4/5 biberões de leite materno diariamente e 1/2 de artificial. Vivo um pouco refém das ditas bombas, mas, enquanto der, pretendo manter-me assim. Um dia de cada vez, é o que penso. Sem culpas, vou tentando.

Entrando agora no segundo mês, outros desafios se colocam, outras maravilhas se manifestam (o primeiro sorriso intencional é uma delas), muita coisa nova há para contar. Assim que tiver 2 ou 3 intervalos (nem que seja em 2 ou 3 dias diferentes, como está a acontecer agora), voltarei para vos fazer um update da vivência por estes lados 🙂

E a vossa experiência de maternidade, como está a ser? Se pensam em ter filhos, como imaginam o pós-parto? Já alguém vos tinha falado de forma nua e crua sobre a amamentação?

 

Até breve!

Joana

Rotina diária com um recém-nascido

Passado praticamente um mês desde o nascimento do Vicente, temos tentado estabelecer uma nova rotina que se ajuste tanto às necessidades dele, como às nossas. Sabíamos, de antemão, que não era nada fácil e que se iria tratar de um mês bem desafiante, o que de facto se verificou! Na verdade, para quem é pai/ mãe pela primeira vez, tudo é novo! Aquela sensação de entrar com o bebé em casa e de já não ter o apoio dos profissionais da maternidade é assustadora! Somos nós e ele, nós para ele! E não podemos falhar.

Felizmente, aquelas refeições preparadas e congeladas dias antes do parto revelaram-se imprescindíveis! No meio de uma certa desorientação na primeira semana, não iria haver espaço na nossa mente para o planeamento e execução das mesmas! A sensação que dá, principalmente nesses dias, é a de que mal o bebé adormece e temos um tempinho para fazer tudo o que de normal há para fazer em casa, já está na hora de ele mamar novamente!

Além desta preparação, há igualmente uma série de práticas que podemos adoptar antes do nascimento do bebé e que só vêm melhorar a vivência posteriormente:

 

  • O minimalismo

Rapidamente, ao viver com um recém-nascido, seja por uma questão de falta de tempo de qualidade, seja por um cansaço extremo (que sentimos por vezes, sim!), a nossa casa fica “decorada”, um pouco por todo o lado, com fraldas de boca, chupetas, biberões, babetes e toda uma panóplia de artigos de puericultura dos quais nem sabíamos da existência e utilidade antes de precisarmos deles! Imaginem este cenário num contexto que, por si só, já é desarrumado e cheio de artigos sem utilidade – o caos!

Um conselho que dou sem pestanejar é mesmo este: destralhem a vossa casa com antecedência. Livrem-se de tudo aquilo que não acrescenta nada nem à decoração, nem em utilidade. Peças com uma função própria que não utilizam há mais de um ano, provavelmente não fazem falta. Roupas que não vestem há meses, idem. Dêem uma “volta” ao guarda-roupas e livrem-se de tudo o que não usam/ vestem, sem pena nem remorsos! O objectivo é ganhar espaço e uma certa harmonia visual, que em muito contribui para a nossa própria organização de ideias.

Sabem aquela papelada que vai sendo acumulada com o intuito de “um dia” arquivar? Tirem uma tarde e tratem dela. Deitem para o lixo toda a que, entretanto, se revelou inútil e arrumem num único local toda a outra, organizada por tema e datas. Comprem dossiers ou arquivos, se for necessário. Já se aperceberam de como desaparece aquela “moinha” constante que sentíamos ao saber que estava ali aquilo que precisava de ser feito e que nunca mais ganhávamos coragem de fazer?

Prateleiras com artigos aleatórios… organizem-nas com caixas. Caixas para tudo, fechadas. Deitem fora tudo o que está guardado “por pena” ou “por recordação” (quantas “recordações” não são dispensáveis?). Doem utilidades que podem fazer falta a outras pessoas e que não vos fazem a vocês. Vendam o que ainda vos pode render uma quantia justificável.

Na cozinha, façam uma escolha. Serão necessários tantos tupperwares? Aquelas tampas sem par, o que continuam a fazer ali de lado? As panelas que, há séculos, foram postas a um canto, porque continuam a ocupar espaço? Peguem num saco gigante e coloquem tudo lá para dentro. Doem a quem possa dar uso. Comida guardada há meses, que ainda está na validade, mas que até foi comprada por impulso e que sabem que vai acabar por se estragar – dêem-na a quem possa precisar! Talheres e artigos vários que pareciam muito úteis no início, mas que o trabalho de os lavar no final da utilização nos desmotiva a utilizá-los… corram com eles! Resumindo, façam com que os vossos armários e gavetas sejam exclusivos ao que é necessário ao dia a dia e com que estejam sempre muito limpos e arrumados.

No wc, a história repete-se. Artigos de beleza/ estética, maquilhagem, têxteis… quem não acumula? Uma vez mais, tirem uma ou duas horas do dia e destralhem. Muitas vezes, guardamos items durante meses ou anos que, depois de abertos, duravam muito menos tempo! Resumam os atoalhados a duas mudas, não é necessário mais – enquanto uma lava, a outra está em uso e poupamos espaço em gavetas!

Juntem todos os aparelhos electrónicos que têm em casa e analisem. A quantos deles dão real uso? Quantos já estão obsoletos sem que tenham sido verdadeiramente utilizados e quantos caminham para lá? Quanto vos poderiam render todos esses items? OLX com eles! 🙂

Mobiliário… Precisam mesmo de todas as mesinhas, cadeiras, prateleiras, puffs que têm? Pragmaticamente, analisem e dêem ou vendam aquilo que só ocupa espaço e que não contribui em utilidade, nem acrescenta na decoração. Tirem da vista tudo o que “polui”. Relembrem-se quando olham para um item: contribui ou contamina?

 

  • Limpeza geral e práticas de entrada em casa

O mais próximo possível da data do parto, tirem um dia inteirinho, juntamente com o/a vosso/a marido/mulher para fazerem uma limpeza a fundo em casa. Se sentirem que já não estão capazes, contratem serviços externos. No meu caso, sentia-me perfeitamente capaz e fizemo-lo. Limpámos interiores de armários, roupeiros e gavetas, janelas, paredes, tudo. A ideia é não estar preocupado com a sujidade da casa durante, pelo menos, um mês em que o foco vai estar totalmente noutra direção. Se puderem, comprem um aspirador robot para tratar dessa parte por vocês no dia-a-dia. Sobra o pó para limpar e a roupa para lavar e engomar e, acreditem, já vai ser bem desafiante para gerir!

Uma prática que terá que vir acoplada a esta grande limpeza é a obrigatoriedade de descalçar ao entrar em casa. Vossa e de quem visitar a vossa casa. É sempre difícil pedir isto a pessoas com quem não estamos à vontade, porém, porque viriam estas pessoas em concreto, nesta fase tão extenuante, a nossa casa? Se não estamos à vontade, é porque não nos são próximas; se não nos são próximas, poderão visitar-nos noutra altura. Não é altura para cerimónias e, uma vez mais, temos que nos lembrar daquilo que é verdadeiramente importante: o bem estar do nosso bebé e o nosso próprio bem estar.

 

  • Análise de todos os aspectos relacionados com a manutenção

Aquela torneira com pouco fluxo, o quadro por colocar na parede porque não apetece ir buscar o prego e o martelo, o estore que não fecha bem, o armário que precisa de batentes, os vasos cujas flores já morreram e que agora só têm terra, as capas do sofá que precisam de ser lavadas, … Se não o fizerem agora, não vai ser feito tão depressa. Ganhem coragem e tratem de tudo. Vão sentir-se livres, leves, soltos! E super orgulhosos de vocês mesmos porque dissiparam mais uma “moinha” que andava aí a incomodar 😉

 

  • O guarda roupas do bebé

Organizem-no. Organizem-no muito bem. Por tipos de peças e por idade. Na lufa-lufa das trocas e banhos do bebé, queremos é que o acesso às peças principais seja rápido e fácil. Caso não seja, caímos no esquema de as peças nunca sequer sairem do cesto da roupa retirada do estendal para o roupeiro e este cesto passa a ser “o” roupeiro. Outro conselho, e acreditem que sempre quis ter pouca roupa para o Vi, é munirem-se bem de algumas peças: bodies básicos, pijamas/ babygrows e fraldas de boca/ de algodão. Comprem vários para os diversos tamanhos, se não querem passar os dias a fazer máquinas de roupa com meia dúzia de peças. Isto porque num mesmo dia, podemos ter que trocar 3 ou 4 vezes de roupa – a maioria das vezes, no nosso caso, pelos bolsados/ regurgitações. Umas 2 ou 3 mudas de cama também podem ser úteis.

 

  • Stock de roupa caseira

Se não têm um pequeno stock de roupa confortável e apresentável, aloquem uma pequena parte do orçamento para tal. O tempo passado em casa vai ser bastante, a probabilidade de a roupa se sujar com facilidade é grande e, como tal, interessa ter algumas peças bem confortáveis, minimamente apresentáveis (não nos queremos sentir lixo, certo?) e que não necessitem de grande tratamento (entenda-se: passar a ferro!). É menos uma preocupação no puerpério.

 

  • Stock de comida e de consumíveis

Comida que se possa preparar rapidamente. Encham a despensa dela. Atenção que não falo de junk food, mas sim de alimentos que podem ser preparados de forma simples e rápida: atúm, grãos e feijões, favas e ervilhas, folhas de espinafres e nabiças, medalhões de pescada, ovos, misturas congeladas de vegetais, etc. E sopa! Tenham sempre, sempre, sempre uma sopa feita. Garante não só um aporte de nutrientes essenciais para a amamentação, como também uma salvação para picos de loucura em que, simplesmente, não dá para preparar nada e nos temos que cingir à mesma e “à sandes”!

Relativamente aos consumíveis, previnam-se para não terem que pensar neles durante bastante tempo – guardanapos, papel toalha, papel higiénico, produtos de limpeza, produtos de higiene, etc.

 

Com estas práticas, asseguro-vos de que será muito mais fácil orientarem-se física e mentalmente quando regressarem a casa com o bebé e tiverem que tratar de todo um novo conjunto de assuntos que não serão mais do que extras aos que já existiam.

De uma forma bastante resumida, para que quem ainda não tem filhos possa imaginar-se na situação, a rotina do Vicente nas primeiras semanas consistiu em: acordar, trocar fralda (10/15 minutos; 20 minutos quando toma banho), mamar (20/ 30 minutos), ficar sentado ou na vertical para arrotar (30/40 minutos), dormir e voltar a acordar para mamar 3 horas após a hora de início da mamada anterior. Se fizermos umas contas simples e se não houver episódios de bolsados/ cólicas/ desconfortos pelo meio, verificamos que nos sobram cerca de 90 minutos entre cada conjunto de cuidados ao bebé, seja de dia ou de noite. Ultimamente, tem havido ocasiões em que o Vi dorme mais e as 3 horas passam a 4 horas, o que ajuda bastante. De noite, para que não andássemos ambos tão cansados, também encontrámos um esquema que nos tem feito recuperar vagamente umas horas perdidas – muito graças à introdução do biberão (os motivos para tal não foram os melhores, mas contar-vos-ei depois esta grande jornada que tem sido a amamentação). Ainda assim, a verdade é que nos vemos constantemente assoberbados com coisas para fazer, sentindo que não estamos a ser capazes de chegar a todo o lado! Porém, não desesperamos. Toda a gente passa por isto, uns mais facilmente do que outros está certo, mas nós até podemos dar graças à boa equipa que formamos, que se tem reflectido no bebé saudável, tranquilo, lindo e maravilhoso que é o Vicentinho 🙂

 

 

Até breve!

Joana

Bem vindo, Vicente!

20 de Abril de 2018. O dia da chegada do Vicente ao mundo 🙂

Saímos de manhã e, antes de fecharmos a porta de casa, olhámos lá para dentro uma última vez. Não mais seríamos dois. Nunca mais. E o misto de emoções que se sente não tem explicação. É a primeira ténue impressão de que a vida já mudou.

 

Passava um pouco das 18h30 e já éramos três. O Vicentinho nasceu perfeito após um trabalho de parto bem tranquilo. Nasceu, ali, o maior desafio das nossas vidas.

Desde esse dia até então, temos vindo a adaptar-nos a uma realidade completamente diferente. Tudo gira em torno das necessidades do bebezão e, é verdade, o cansaço atinge níveis nunca antes experimentados! Mas também não é menos verdade que o sentimento de felicidade pura é o maior que alguma vez sentimos. Sabem aquela sensação de que não nos falta nada, nada, nada? 🙂

Os dias vão voando entre embalos, amamentação, trocas e os normais afins, sobrando (de facto!) ainda pouco tempo para obter as primeiras impressões montessorianas. Mas uma coisa vos digo, a primeira delas deu-se sem que ninguém esperasse. Estávamos nós no sofá, com o Vicente ao colo, e apercebemo-nos de que ele abrira muito os olhos, com o sobrolho e testa franzidos, dirigindo a atenção para algo que não era bem a nossa cara. Parecia a expressão de um menino muito maior com um já enorme entendimento do mundo que o rodeia – mas não! – era apenas o nosso bebezão que ainda nem sequer foca ao perto, quanto mais a meia distância. E no que é que se concentrava ele? Simples: numa imagem muito grande de uma zebra, branca e preta, que temos por detrás do sofá. Com 3 dias de vida, o Vicente foi atraído por ela e, desde então, passa bastantes minutos seguidos a “contemplá-la”! É claro que não interrompemos estes momentos preciosos.

 

O móbile munari também já foi introduzido (logo na primeira semana) e a verdade é que já observamos algum foco nos vários elementos. Há que escolher muito bem a fase do dia em que proporcionamos esta experiência – o melhor mesmo é aproveitar depois de o bebé estar alimentado e devidamente confortável numa posição deitada ou semi-deitada (penso que esta última seja a melhor), com a sorte de ele não adormecer de imediato 🙂 🙂

 

E agora que já estou a conseguir encontrar uns instantes para regressar ao activo no blog, conto falar-vos um pouco mais desta experiência de chegar a casa com um ser humano a nosso cargo, do que pode ser importante preparar antecipadamente no sentido de não vermos o nosso lar transformado num caos em meia dúzia de horas, da experiência da amamentação (a parte que ninguém nos conta), bem como das rotinas do dia-a-dia, que em tudo se têm que adaptar!

Até breve!

Joana

Preparações da 39ª semana

Mala feita, tudo pronto. Hora de iniciar aquelas preparações que só nos irão facilitar a vida quando chegarmos a casa com o Vicentinho: lavandaria toda tratada (pouco para lavar, nada para passar a ferro), móveis a brilhar, chão desinfectado, enfim… tudo impecável.

Como ainda sobrou tempo, dediquei uma tarde a preparar refeições para mim e para o D, que congelei e que se destinarão à primeira semana com o bebé. Já são muitas as mudanças e novas rotinas com as quais teremos que lidar nesses primeiros dias, por isso, tudo aquilo que pudermos antecipar, ajudará certamente. Optei por dois pratos diferentes: pescada gratinada com batatas e ovo e feijão verde guisado com cenouras e quinoa tricolor. A juntar a estes, tenho ainda um empadão de carne feito pela minha mãe (cá em casa não cozinhamos nem consumimos carne, porém, de vez em quando abrimos uma excepção – e foi o caso). Dividi tudo por marmitas de doses individuais ou duplas et voilà, congelador com elas!

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É verdade que tudo o que não apetece no final de uma gravidez é passar uma série de horas em pé e a tratar deste tipo de tarefas, porém, se queremos assumir sozinhos uma responsabilidade que é só nossa e não queremos depender da ajuda de terceiros (que também têm as suas vidas) mais tarde, penso que valha bem a pena o esforço!

 

Até breve! (não sei bem se com ou sem Vicente! 🙂 )

Joana

Montessoriando pelo IKEA

Sabem quando as opções mais simples estão à porta de nossa casa e nem nos apercebemos disso? Senti isso com o IKEA, enquanto procurava por soluções “montessorianas” para o quartinho do Vi, fossem elas brinquedos, mobiliário, decoração…

Aproveitando uma visita durante esta semana à loja, dediquei uma parte do tempo a fotografar, para formar um pequeno álbum dessas opções, seja para vos dar a conhecer, seja para nós próprios nos lembrarmos do que lá existe quando pensarmos em adquirir mais qualquer coisinha 🙂 Na verdade, houve muito poucas zonas da área infantil que escaparam à objectiva!

 

  • Brinquedos

Como sabemos, a filosofia de Montessori privilegia a utilização de brinquedos com boa qualidade e de materiais naturais, ao invés dos de plástico, não apenas pela experiência sensorial mais rica, mas também porque a criança aprende a valorizar a beleza dos materiais nobres e a Natureza a partir da qual os mesmos são produzidos. Além disso, o tipo de utilização que se dá a um brinquedo de madeira ou tecido, por exemplo, deverá ser muito mais cuidada do que aquela que se pode dar a um qualquer objecto de plástico, sendo este quase indestrutível. E nós queremos ensinar as nossas crianças a serem cuidadosas no trato, seja consigo mesmas, com as pessoas/ animais/ natureza que as rodeia, seja com o ambiente e os materiais que o compõem.

O IKEA disponibiliza dezenas de brinquedos de madeira e tecido e alguns (poucos) de plástico, na verdade. Ainda assim, independentemente da matéria-prima, todos eles apresentam um propósito e podem beneficiar no desenvolvimento cognitivo e motor do bebé/ criança. Não encontramos na loja aqueles brinquedos multi-estímulos, de plástico, que entretêm a mente e nada acrescentam à mesma. Além disso, encontramos muitas réplicas realistas de uma série de artigos que são utilizados na vida real – loiças, mobiliário, peluches… tão importantes, principalmente até aos 6 anos da criança!

 

  • Mobiliário

Desde camas baixinhas para crianças pequenas, a cómodas adaptadas, móveis de arrumação, estantes e espelhos, no IKEA encontramos uma série de soluções para um quarto típico “montessoriano”. Além da quantidade de oferta, existe a vantagem da qualidade dos materiais (não é best, mas é muitíssimo aceitável para o tempo que vão servir) e do preço dos artigos, que é bastante baixo comparando com a concorrência e nos permite ter uma maior capacidade de desapego (não confundir com despesismo!) quando chegar a altura de substituir. O ex-libris, a meu ver, é a oferta de mesinhas e cadeiras pequenas – as opções são muitas e todas elas podem fazer sentido e ajustar-se a um determinado espaço/ contexto.

 

  • Artes/ artigos diversos

Também a secção de desenho e artes plásticas a loja nos oferece algumas opções – folhas texturizadas,  tintas acrílicas, aguarelas, canetas e lápis de cor, carimbos, marcadores… até aventais para proteção da roupa!

Além disso, foi com muita satisfação que encontrei elementos de utilização diária exactamente iguais aos dos adultos, porém, com o tamanho adequado para um bebé ou criança – neste caso, conjuntos de talheres, que era algo que procurava há algum tempo. Um dos desafios durante o crescimento dos nossos filhos, a meu ver, é justamente a introdução destes elementos “reais” que em nada facilitam a vida dos pais, mas que em tudo são fundamentais para o ganho de autonomia, responsabilidade pelas ações e coordenação motora, em particular dos movimentos finos. Incluem-se não só os talheres de metal/ aço, como também os pratos de cerâmica e os copos e jarros de vidro. Mais uma vez, os materiais de plástico não transmitem uma sensação real que induza a criança a desenvolver cuidado para com o ambiente que a rodeia.

 

Gostava, num dos próximos posts, de vos falar em soluções de outras duas lojas que, frequentemente, apresentam brinquedos e objetos muito adequados a ambientes pedagógicos. Revelar-vos-ei também a nossa wishlist de alguns artigos não tão fáceis de encontrar, mas que são utilizados em salas de aprendizagem Montessori e cuja importância e eficácia já é sobejamente reconhecida 🙂

 

Até já!

Joana

Visitas à maternidade e amamentação

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O nascimento de um bebé desejado é sempre um motivo de felicidade e festa para os pais, em especial, e para toda a extensão familiar. Todos o querem conhecer, pegar nele, e dar-se igualmente a conhecer. Os quartos das maternidades transformam-se, como tal, em salas de estar de quem, ali, vai tendo vontade de ficar, e ficar e ficar…

Compreensível, até certa parte, porém, descolemo-nos daquilo que é “comum” e concentremo-nos no real interesse e necessidade do bebé. Não estaremos a pensar mais em nós próprios do que nele quando lhe impomos a presença de um excessivo número de pessoas logo após nascer? Respondam, para vocês mesmos, a esta pergunta, mas não caindo em desculpas emocionais! 🙂 Elas não nos permitem afastar o nosso egocentrismo.

O momento do nascimento é um turbilhão de novas emoções para a mãe e para o pai, e de novas sensações para o bebé. Este abandona o ambiente calmo, consistente e previsível intra-uterino e experimenta uma série de novos estímulos, os quais, de todo, ainda não consegue compreender. São poucas as âncoras que o podem ligar a um ambiente psíquico seguro – a presença da mãe, do pai e a amamentação. O bebé não precisa de mais nada nos primeiros dias de vida. E é nisto que eu e o D queremos estar focados.

Como tal, decidimos que as visitas à maternidade serão exclusivas aos familiares mais próximos e a um número muito limitado de amigos chegados. O tempo de cada visita também será curto, no sentido de influenciar o mínimo possível a rotina que estaremos, muito preliminarmente, a tentar estabelecer. Pessoas menos chegadas ao Vi terão muito tempo para o conhecer, sem que tenhamos que precipitar o excesso de estímulos à volta dele, em especial nesta fase que deverá ser o mais serena possível e durante a qual o bebé já conta com os mais diversos desafios.  🙂

Possivelmente, se pensasse neste assunto há 1 ou 2 anos atrás, sentiria que estávamos a adoptar uma postura demasiado pragmática. Talvez na altura ainda não estivéssemos preparados para assumir uma educação consciente e que respeita as necessidades do bebé, desde o 1º dia. Devemos ter sempre em mente duas palavras e questionarmo-nos acerca delas: “Contribuir ou Contaminar“? A resposta e resultado das nossas acções e decisões deverá ser sempre “Contribuir“. Contribuir, neste caso, para o desenvolvimento pleno do Ser Humano que está prestes a chegar.

É também na maternidade que começamos a trabalhar a rotina da amamentação, sendo necessário (uma vez mais) espaço e tempo, em exclusivo, para tal. Sem fundamentalismos, sou defensora da mesma até (pelo menos) aos 6 meses. Acredito profundamente nos benefícios físicos e, muito em particular, nos emocionais. O vínculo e a segurança gerados neste momento de intimidade e partilha entre mãe e bebé só podem favorecer o seu crescimento pleno. Sabendo que demora cerca de 8 semanas até que o ritmo do aleitamento esteja estabelecido e seja confortável para ambos, quanto mais nos dedicarmos e nos empenharmos em superar a fase inicial de adaptação, mais prazeroso certamente será, não caindo (como tantas vezes acontece) no erro do abandono desta prática tão precocemente.

Maria Montessori fala em dois períodos embrionários – o Pré-Natal (antes do nascimento) e o Pós-Natal (após o nascimento e até aos 3 anos), sendo este último uma fase da vida embrionária construtiva, em que o bebé precisa de amor, acolhimento e de uma necessidade física (aleitamento) satisfeita logo quando nasce, num ambiente muito especial – o colo materno. O aleitamento aparece assim como “uma necessidade subconsciente da mãe dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento. (…) Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que une as duas criaturas, soluciona o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural“. (“The Absorbent Mind“).

Não deveria esta prática ser mais valorizada pelas mães dos tempos de hoje?

Até já!

Joana

Produtos de higiene e fraldas

Não sendo uma entendida em puericultura (como aliás referi no post anterior) nem em cuidados mais específicos ao bebé recém nascido, optei por me informar online e pedir alguns conselhos a amigos e familiares que tiveram filhos recentemente. Bastou juntar tudo, adicionar a minha/ nossa própria perspectiva, algumas preferências pessoais, um ligeiro minimalismo e… Tchanan! 🙂 Eis o carrinho de higiene do bebezão (modelo RÅSKOG do IKEA):

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No primeiro nível, mais à mão, colocámos um cesto cinza também do IKEA (modelo PUDDA) com os produtos que irão ser utilizados no banho e nas mudanças de fralda. São todos da Uriage e vendidos  (quase todos eles) em pack, com uma mala de maternidade de oferta (não vamos utilizá-la como tal, porque encontrámos uma mais prática, mas terá certamente outras funções):

  • Água lavante – misturada com água corrente, numa proporção aproximada de 1:4, irá ser utilizada nas trocas de fralda, ao invés das toalhitas. Fazemos a mistura num doseador em spray e complementamos com compressas (não esterilizadas);
  • Leite hidratante corporal/ Creme muda fraldas/  Creme hidratante facial – não pretendemos utilizar de início, a menos que se revelem necessários;
  • Soro fisiológico esterilizado – servirá para, após o banho, higienizar a cara e a zona dos olhos, com ajuda de compressas esterilizadas;
  • Creme lavante – é o único que não vem incluído no pack. Tem função de gel de banho e champô e utilizaremos no banho diário.

Optámos pela Uriage por ter como base água termal e zero químicos nocivos nas composições… E pelo cheiro 🙂 Com o passar dos meses, creio que acabaremos por liberalizar um pouco mais a escolha de produtos.

Noutro cesto branco da Zara Home, colocámos:

  • Termómetro digital;
  • Cotonetes;
  • Kit de manicure (tesoura, corta-unhas e lima);
  • Escova e pente (soubemos que o Vi tem algum cabelinho, pelo que devem já constar no necessaire da maternidade) 🙂 ;
  • Porta-chupetas e duas chupetas Soothie Shapes, da Philips Avent – era preferível, para nós, que as chupetas fossem todas em silicone (pelo conforto para o bebé). Dessa forma, adquirimos estas e outras duas da Chicco, que permanecem “em armazém” e que utilizaremos caso haja alguma questão de adaptação. Possivelmente não introduziremos a chupeta logo no início, para que não interfira, de alguma forma, com a amamentação. Ainda assim, temos muito poucas certezas quanto a esta questão! Logo veremos…

Por fim, neste primeiro nível do carrinho, colocámos as compressas esterilizadas e as não esterilizadas (do Continente).

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O segundo nível terá apenas as fraldas descartáveis e um pacote de toalhitas que utilizaremos ocasionalmente. No caso das fraldas, optámos pelas Dodot Protection Plus Sensitive, baseados essencialmente em reviews de outras pessoas nos vários canais de venda. Certamente não nos tornaremos cegos fiéis a uma marca em particular, porém, nos dois ou três primeiros meses, seguiremos com esta. Já no que toca às toalhitas, uma vez que não pretendemos utilizar numa base diária, quaisquer umas que sejam menos “agressivas” e com menos componentes químicos servem.

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No terceiro e último nível, colocámos reservas de compressas esterilizadas, de toalhitas, de fraldas, de soro fisiológico esterilizado, de produtos de higiene (a maioria foi-nos oferecido) e as tais chupetas da Chicco que temos de backup.

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E é este o nosso organizador de artigos de cuidados ao bebé 🙂 Ficará sempre ao lado da cómoda/ trocador, bem como da banheira, que é dobrável e só a montaremos para o momento do banho.

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Por agora, e estando a meio da 37ª semana, vou dedicar-me à finalização da mala para a maternidade!

Até já!

Joana