Montessori, com Gabriel Salomão

Há oportunidades que, certamente, nos surgirão muito poucas vezes na vida. Esta foi uma delas 🙂

Cinco dias de formação sobre o Método de Montessori, conduzidos pelo Gabriel Salomão, uma referência muito respeitada, um guia estrondosamente sábio, que aconteceram nas instalações do Atelier Montessori de Lisboa e na São Lourenço Montessori School.

Uma das muitas vertentes positivas desta metodologia, é permitir-nos repensar os diversos campos da nossa vida enquanto adultos e educadores, ajudando-nos a reflectir sobre as nossas ações e valores, sempre focados em encontrar o melhor que há em nós e que podemos oferecer aos outros.

Entre conteúdos científicos e conversas profundas, sinto que cheguei ao final com uma plenitude tão grande, que me sinto ainda mais motivada para percorrer este caminho de  autoconhecimento e, em especial, do verdadeiro conhecimento da criança.

Se têm o desejo e a vontade de educar os vossos filhos com coerência, amor, respeito, autonomia e liberdade, ou se simplesmente gostariam de conhecer profundamente a natureza das crianças que vos rodeiam, não deixem de seguir o trabalho do Gabriel e, claro, de ler alguma bibliografia de Maria Montessori.

Estamos perante um método de ajuda à vida

 

Até já!

Joana

 

Introdução alimentar – 6 meses

Depois de 2 meses a devorar uma sopa e uma papa diárias (devorar mesmo 🙂 ), chegou a altura de fazer mais umas adições ao plano alimentar do Vi.

Não sendo nós apologistas do atual consumo desmesurado de carne, optámos, ainda assim, por seguir as recomendações da pediatra e incluímo-la na sopa do almoço. Não pretendemos que o Vi cresça a consumir carne numa base diária, porém, nesta fase em que ele ainda é muito pequeno e as restrições são algumas, não vamos inventar. Muito tempo haverá para lhe criar a consciência de que a criação de animais para consumo humano está muito longe dos princípios éticos que desejaríamos ver em prática no mundo. Optamos, assim, por incluir carne de frango do campo e juntá-la a 4 ou 5 legumes, em puré, tal como já acontecia antes.

Outra mudança neste período foi a introdução da papa com glúten. Felizmente a Holle tem duas opções lácteas à escolha: de espelta e de banana. Já experimentámos as duas e o Vi adorou-as. Vamos assim variando entre estas e a de Millet que ele já consumia desde os 5 meses. A refeição da papa deixou também de ser o jantar e passou a ser o lanche.

Ao jantar, a recomendação foi passar a dar a sopa de vegetais e, dessa forma, existirem apenas duas refeições de leite por dia. Na verdade, por algum motivo ou por motivo nenhum em concreto, assim que o bebezão fez 6 meses, tive uma quebra enorme na produção de leite, que se tem acentuado, a cada dia, até hoje. Inicialmente, os dois biberões diários eram de leite materno; neste momento, só conseguimos um a cada 2 dias. Foi algo muito natural e que tenho aceitado bem. Sinto que fiz tudo o que podia e fico satisfeita por nunca ter desistido. Agora é deixar fluir, continuando sempre com a extração diária, e quando acabar, fechamos este ciclo.

Duas semanas depois de fazermos estas alterações, chegou a altura de aumentar o leque de frutas e oferecer algumas mais alergénicas: pêssego, manga, papaia, melão, ameixa. O Vi já tinha provado papaia e manga e aceitou bem. Até agora, gostou sempre de tudo 🙂

Aos 7 meses, a ideia será alternarmos a papa do lanche com iogurte natural não açucarado. Não adoramos a ideia, mas talvez testemos. Ainda assim, a papa com cereais e não apenas o lacticínio é uma opção mais sensata, para nós. A seu tempo, e tal como planeamos com fazer a carne, acabaremos também por eliminar o leite de vaca da ementa (aqui em casa não consumimos).

Uma questão que foi tema de conversa na consulta de pediatria foi o BLW. Confesso que me agrada a ideia de o bebé ser apresentado aos alimentos na sua forma original e ter a oportunidade de os explorar e levar à boca livremente. Testei, por várias vezes, com o Vicente (sempre com total vigilância) e ele adaptou-se sempre bem e conseguiu ir triturando e engolindo as frutas que lhe fui dando, nunca se tendo engasgado de forma séria. Ainda assim, a pediatra desaconselhou enormemente (este “enormemente” devia estar escrito em Caps!) qualquer introdução de alimento sólido antes dos 8 meses. Argumentou muito seriamente a sua posição e o que é facto é que acabámos por concordar e aceitámos adiar esta forma de alimentação. Sem radicalismos, por vezes damos um ou outro pedaço de fruta ou pão, uma vez que notamos que o Vi demonstra muito interesse em ganhar autonomia neste campo.

Desta forma, eis o plano diário atual e que se manterá até aos 8 meses:

  • 08:00h – Leite artificial
  • 12:00h – Puré de legumes com carne + fruta
  • 16:00h – Papa (intercalada com iogurte a partir dos 7 meses)
  • 20:00h –Puré de legumes
  • 23:30h – Leite materno

 

Até breve!

Joana

Introdução alimentar – 4 e 5 meses

Como já puderam ler em publicações anteriores, a amamentação por estes lados nunca foi um processo fácil. Não querendo desistir de dar ao Vicente o mais precioso alimento a que ele poderia ter acesso, nem conseguindo amamentar diretamente, a partir do segundo mês optei pela utilização de uma bomba extratora. Diariamente, extraía a quantidade suficiente para 4 das 5 refeições.

Quando chegámos aos 4 meses, e uma vez que preferíamos dispensar totalmente o leite artificial que constituía a quinta refeição diária, em concordância com a pediatra resolvemos iniciar os purés de legumes ao almoço. Cada profissional tem a sua forma de encaminhar esta questão e, no caso da nossa, o esquema era o seguinte:

  • 1ª sopa (aprox. 150ml), sem sal, com uma base de batata/ batata doce + cenoura e um fio de azeite no final. A cada dois dias, introduzir um novo legume, ficando atentos a reações, até um total de 4 ou 5 legumes por sopa. Tínhamos liberdade total para inserir todos os legumes, excepto as leguminosas (favas, grão, feijão, ervilhas, lentilhas) e os espinafres e o agrião, cujas quantidades deveriam ser reduzidas (1 a 2 folhas por dose de sopa).
  • Ao final de duas semanas, iniciar as frutas a seguir à sopa: preferencialmente a maçã e a pêra (por serem menos alergénicas), cozidas e trituradas ou cruas e raladas e, menos frequentemente, a banana triturada.
  • Oferecer água nesta refeição. Se o bebé não tiver interesse, não insistir.

Foi um processo que precisou de duas semanas de adaptação, não porque o Vicente não gostasse destes novos alimentos (na verdade, adorou-os) mas porque a utilização da colher obrigou a uma nova aprendizagem e ao treino e controlo do reflexo de extrusão, ainda tão presente nesta fase. Muita sopa vinha para fora e muito choro se seguia, pelo cansaço e pela frustração ao não receber o alimento de uma forma tão rápida e fácil como acontecia com o biberão. De qualquer forma, ultrapassado este período inicial, o almoço tornou-se na refeição mais entusiasmante do dia.

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Chegados aos 5 meses, tendo a minha produção de leite diminuído um pouco e não havendo melhorias no refluxo do Vicente, aceitámos introduzir a papa láctea sem glúten ao jantar (evitávamos, desta forma, mais uma refeição líquida, que resultava frequentemente num maior número de regurgitações). Nunca fomos propriamente simpatizantes das papas, porém, a Holle veio mudar um pouco a nossa perspectiva. As papas desta marca não têm qualquer adição de açúcar e são BIO. Fomos logo preparados para o facto de muitos bebés não serem fãs das mesmas, havendo a necessidade de lhes juntar fruta para facilitar o processo, porém, como comilão e sôfrego que sempre foi, o Vicente adorou e não foi necessário adicionar-lhes nada 🙂

Dois cuidados que sempre tivemos e que, para nós, são essenciais passam por comprar sempre legumes e frutas biológicas (da Quinta do Arneiro ou de supermercados BIO) e não juntar água na cozedura da sopa (os legumes cozinham nos seus sucos e, no final, temos um verdadeiro puré e não uma sopa aguada e menos nutritiva).

Desta forma, chegámos aos 6 meses com este plano diário de refeições (os horários são aproximados):

  • 08:00h – Leite materno
  • 12:00h – Puré de legumes + fruta
  • 16:00h – Leite materno
  • 20:00h – Papa
  • 23:30h – Leite materno

Não deixem de estar atentos porque, em breve, falaremos das adições feitas aos 6 meses!

 

Até já,

Joana