O quartinho…

Há cerca de 1 ano atrás, sentimos que havia chegado o momento de pensarmos muito seriamente num novo projecto a dois: sermos pais. As condições estavam praticamente reunidas e queríamos apenas utilizar o primeiro semestre de 2017 para ultimar preparativos que dificilmente seriam concretizáveis de uma forma tão eficiente depois.

Aumentando, inevitavelmente, o interesse por “bebés e crianças” nesta fase em que já estava focada naquilo que se viria a suceder, deparei-me com o método de Montessori. Explorei (primeiramente, de forma superficial) um pouco mais sobre ele e senti, de imediato, que seria o caminho que gostaria de seguir assim que fosse mãe. E logo quis saber mais. Aproveitando o privilégio de ter a profissão que tenho e o que a mesma me permite – viajar mundo fora – coletei alguma da melhor bibliografia acerca do tema, em vários locais por onde fui passando, e os meus livros de cabeceira viraram-se totalmente para este tema.

Na verdade, nunca fui pessoa de fazer algo ou tomar decisões importantes de ânimo leve. O “fazer por fazer” e o “logo se vê” nunca foram para mim. E na educação de um filho, muito menos. Ainda que a intuição e algum empirismo tenham o seu lugar bem estimado, penso que, quanto mais entendermos, nos interessarmos e explorarmos determinado assunto, mais capazes seremos de desempenhar o nosso papel de forma competente.

As leituras e pesquisas foram evoluindo e, claro, quis mais. Lancei-me na formação online e, desde então, alguns cursos/ workshops passaram a complementa-las.

Entretanto, aí pelo meio, apareceu o Vicente 🙂 🙂 🙂 🙂

Dado o timing e tudo aquilo que, até então, já sabia sobre o método (e que o D – meu marido – também foi sabendo por osmose e, claro, concordando), rapidamente começámos a idealizar o quartinho de bebé. Lançámos “as mãos na massa” no início do 2º trimestre da gravidez, já com as principais decisões absolutamente tomadas.

Falemos, então, da primeira delas: a perspectiva do bebé e a escolha do mobiliário principal.

Como falámos no post anterior, um dos principais princípios do método de Montessori é o ambiente preparado. É este ambiente que vai permitir o desenvolvimento pleno do bebé, proporcionando-lhe a oportunidade do movimento livre e seguro, promovendo a autonomia e confiança nas suas capacidades. Ora, nada mais importante do que um quarto que corresponda a este princípio. Para tal, a primeira decisão que tomámos foi a de que todo o mobiliário destinado à utilização do Vicente estivesse à altura do seu alcance, de forma a que, por exemplo, não fosse necessária a nossa intervenção para retirar brinquedos da estante ou, até, para que este saísse da cama!

Obviamente não estamos a falar de algo que vá ser posto em prática nos primeiros meses de vida, porém, a existência deste ambiente logo desde o nascimento é fulcral para a vivência e ligação que, rapidamente, o bebé vai criar com o seu espaço. Não esquecer que o sentimento de segurança se começa a trabalhar no 1º dia! 🙂

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Mais pormenores sobre cada elemento do quarto ser-vos-ão dados em breve!

Até lá!

Joana

 

Qual o objectivo?

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Falávamos no post anterior que o objectivo final da educação montessoriana é a formação de um Ser Humano completo; de um adulto completo. E o que se entende por adulto completo, nesta visão, é tão somente um adulto equilibrado e totalmente adaptado ao seu tempo, espaço e cultura, capaz de encontrar um significado para a sua existência na terra.

Enquanto pais, ou futuros pais de um bebé, se quisermos caminhar nesse sentido, deveremos, desde logo, ter em conta três conceitos fundamentais que estão na base de quase todas as fases que se seguem ao nascimento: independência, segurança e auto-confiança. A independência aparece como o ponto de partida e caminho subsequente para atingir os outros dois.

A ideia é o bebé passar de um estado em que necessita de ser totalmente servido, ser, gradualmente, ajudado a assumir acções simples de forma independente, e tornar-se finalmente capaz, ele próprio, de servir os outros.

Nós, pais, durante este trajeto, deveremos ir criando a dose certa de desafio, em cada fase, para que o bebé se vá superando. Esta dose deve ser tão rigorosa que permita que o nosso filho ganhe confiança em si próprio e nas suas capacidades. Caso contrário, se exagerarmos no grau de dificuldade, obteremos o efeito inverso e o mesmo pode perder essa confiança ao sentir que não é capaz.  Até nós adultos nos sentimos extremamente frustrados perante situações que nos “esmagam” e ultrapassam e que sabemos que não teremos a capacidade de resolver, não é verdade?

E, atenção, não se queiram iludir… esta independência que damos aos nossos bebés/ crianças não tem como objectivo tornar a nossa vida mais fácil! Nem torna! Pelo contrário… ajudá-los e guiá-los neste processo é bem desafiante e trabalhoso para os pais. Porém, conseguirmos que os nossos filhos se tornem rapidamente capazes de agir, não tendo que esperar que alguém faça sempre as coisas por eles, é tão compensador que justifica todo o nosso esforço até então, não vos parece? 🙂

Agora, em termos práticos, como é que podemos trabalhar esta questão da independência dos nossos filhos? A resposta é simples: promovendo, desde logo, o desenvolvimento do seu movimento (que cada vez vai sendo mais coordenado), através da criação de um ambiente preparado para tal. Este ambiente deverá encorajar a acção intencionada do bebé, existindo igualmente possibilidades de consequências para ele.

E eis que chegámos ao ponto onde vos começo a contar um pouco mais sobre a minha própria vida e experiência enquanto futura mãe e onde toda a organização de um ambiente preparado para receber o bebé Vi vos irá ser apresentada, passinho a passinho 🙂

Falaremos dele já no próximo post!

Até breve!

Joana