Princípios do educador montessoriano #4

4. Seja ativo na preparação do ambiente. Tome cuidado constante e seja meticuloso com ele. Ajude a criança a estabelecer relações construtivas com ele. Mostre o local adequado onde são guardados os meios de desenvolvimento e demonstre o seu uso apropriado.

Ambiente preparado! Já falámos dele tantas vezes ao longo do blog.

Este ambiente que circunda a criança deverá ser alvo da nossa maior atenção enquanto pais. Se queremos que a mesma interiorize hábitos de arrumação e cuidado, deveremos apresentá-lo arrumado e cuidado.

Tudo começa em nós mesmos, os nossos filhos observam-nos, bem como aquilo que nós fazemos e, tendencialmente, imitam-nos. Dessa forma, mantendo um ambiente ordeiro, encorajamo-los a fazerem o mesmo. Se, quando queremos utilizar um objecto, o retirarmos do local onde ele pertence, o utilizarmos e, no final, o voltarmos a guardar no mesmo sítio, incentiva-los-emos a adoptarem este hábito.

Um cuidado que devemos ter passa por colocar à altura e alcance das crianças objectos que elas possam manipular livremente, ao invés de outros nos quais não podem mexer. Dessa forma, abrimos-lhes portas para que explorem o mundo que as rodeia e torna-se muito mais fácil para elas tirarem um maior partido da experiência sensorial. Temos que, a todo o tempo, estar atentos a este ambiente e fazer as mudanças necessárias para acompanhar o desenvolvimento delas, naquele momento. E, no caso de lhes serem acessíveis peças/ artigos que elas possam danificar ou que as possam magoar, dever-lhes-á (e isto leva o seu tempo e muita, muita tolerância da nossa parte) ser ensinada a forma correta de os utilizar, contrariamente ao que, muitas vezes assistimos, em que o pai/ mãe/ adulto diz imediatamente ao seu filho “não podes tocar”!

A cozinha é um excelente exemplo de um ambiente perfeito para a exploração infantil – tem acessórios de cutelaria, loiças, copos de vidro, tupperwares, … e oferece oportunidades de actividades que os nossos filhos adoram: cortar, descascar, cozinhar, lavar… Não só devemos encorajar a execução destas tarefas (elas são determinantes na aquisição de independência!), como devemos incluí-los e mantê-los ocupados durante o dia o maior tempo possível com elas.

A apresentação e demonstração do uso apropriado dos meios de desenvolvimento deve ser feita de forma incansável por nós, pais. E quando o nosso filho cometer um erro, se se tratar de um erro de procedimento, não devemos corrigi-lo! Devemos, sim, permitir que o erro seja cometido e que ele continue o seu caminho; daí por uns dias, voltamos a demonstrar novamente e logo chegará o momento em que ele conseguirá fazê-lo da forma correta 🙂

Se, por sua vez, estiver a causar um dano material no ambiente, cabe-nos ajudá-lo a estabelecer relações construtivas com o mesmo. É algo benéfico para ele e para o ambiente. Mostramos-lhe como se faz e dizemos-lhe que aquilo que ele estava a fazer não é o correto, mas sempre com uma alternativa de acção. Exemplo: o nosso filho atira um prato para o chão. O nosso papel, neste momento, deverá consistir em passar a mensagem clara (falando baixo, calmamente e ao nível dos olhos dele) de que aquele comportamento não está certo, apresentando-lhe, em alternativa, um objecto que seja do interesse dele e que, esse sim, possa ser lançado.

É muito importante estarmos sempre presentes, representando, a todo o momento, um apoio para as nossas crianças. Um suporte e um incentivo, sem castigos nem elogios, para a construção de uma relação muito positiva com o ambiente onde elas habitam 🙂

 

Vamos trabalhar(-nos) nesse sentido?

 

Até já!

Joana

Alteração do móbile e introdução das rocas

Alcançadas as 12 semanas do Vicente, chegou também a altura de fazer mais uma alteração no móbile. A descoberta das mãos leva a que o mesmo se constitua de elementos que proporcionam a experiência o mais rica possível: elementos de cores essencialmente primárias, de madeira, que produzem som aquando em movimento e que incluem argolas. Estas argolas visam ajudar a que o bebé perceba que a mão pode agarrar e manipular objectos. Uma delas, é pendurada com fio elástico, que fará com que, a determinada altura, ele consiga levá-la à boca, aumentando a qualidade da experiência sensorial.

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Simultaneamente com a introdução do móbile, as rocas aparecem agora com especial destaque. Na verdade, em breve, irão mesmo substituí-lo, constituindo então a principal ferramenta sensorial de exploração do mundo.

O bebé descobre que aquela sensação física nas suas mãos está relacionada com as formas e movimentos que ele está a ver. Gradualmente, vai desenvolvendo uma coordenação entre a visão, o toque e o som. Vai sentido e vendo que os diferentes movimentos com a roca se refletem em sons variados: alto e baixo, agradável e incomodativo. Experimenta também as diferenças na temperatura e textura: a madeira e o metal, por exemplo, são lisos e suaves e o metal é mais frio do que a madeira. Descobre, além disso, a relação entre peso e dimensão: materiais do mesmo tamanho, mas feitos de materiais diferentes, podem variar no peso. E por aí em diante…

A determinada altura, o bebé atinge então um ponto em que já descobriu as diferentes capacidades das suas mãos e não só já ganhou a habilidade para obter informação através delas, como aprendeu a usá-las para manipular o ambiente que o rodeia. Está, agora, preparado, para explorar objectos pela casa fora 🙂

No caso do Vicente, as primeiras rocas (de madeira) foram apresentadas aos 2 meses. Ficava muito atento quando eu ou o D as agitávamos e, com ajuda, conseguiu até, numa ou outra vez, segurá-las (porém, sem qualquer intenção).

Agora, quase com 3 meses, já manifesta vontade de as agarrar e capacidade para o fazer por si só, movendo-as bruscamente (como se espera de um bebé desta idade) e batendo com elas na cara, ficando sempre surpreendido com os sons obtidos e com o impacto que, por vezes, chega a magoar!

Está a ser delicioso assistir a esta evolução tão grande, num espaço de tempo tão curto! O Vi está a crescer a cada dia e uma coisa que quero muito enquanto mãe, é nunca me arrepender por ter deixado escapar uma etapa importante sem lhe ter dado o devido valor. E todas as etapas o são! E eu e o D estamos aqui, a desfrutar e a viver em conjunto cada uma delas 🙂

 

Até já!

Joana

 

 

 

Montessoriando pelo IKEA

Sabem quando as opções mais simples estão à porta de nossa casa e nem nos apercebemos disso? Senti isso com o IKEA, enquanto procurava por soluções “montessorianas” para o quartinho do Vi, fossem elas brinquedos, mobiliário, decoração…

Aproveitando uma visita durante esta semana à loja, dediquei uma parte do tempo a fotografar, para formar um pequeno álbum dessas opções, seja para vos dar a conhecer, seja para nós próprios nos lembrarmos do que lá existe quando pensarmos em adquirir mais qualquer coisinha 🙂 Na verdade, houve muito poucas zonas da área infantil que escaparam à objectiva!

 

  • Brinquedos

Como sabemos, a filosofia de Montessori privilegia a utilização de brinquedos com boa qualidade e de materiais naturais, ao invés dos de plástico, não apenas pela experiência sensorial mais rica, mas também porque a criança aprende a valorizar a beleza dos materiais nobres e a Natureza a partir da qual os mesmos são produzidos. Além disso, o tipo de utilização que se dá a um brinquedo de madeira ou tecido, por exemplo, deverá ser muito mais cuidada do que aquela que se pode dar a um qualquer objecto de plástico, sendo este quase indestrutível. E nós queremos ensinar as nossas crianças a serem cuidadosas no trato, seja consigo mesmas, com as pessoas/ animais/ natureza que as rodeia, seja com o ambiente e os materiais que o compõem.

O IKEA disponibiliza dezenas de brinquedos de madeira e tecido e alguns (poucos) de plástico, na verdade. Ainda assim, independentemente da matéria-prima, todos eles apresentam um propósito e podem beneficiar no desenvolvimento cognitivo e motor do bebé/ criança. Não encontramos na loja aqueles brinquedos multi-estímulos, de plástico, que entretêm a mente e nada acrescentam à mesma. Além disso, encontramos muitas réplicas realistas de uma série de artigos que são utilizados na vida real – loiças, mobiliário, peluches… tão importantes, principalmente até aos 6 anos da criança!

 

  • Mobiliário

Desde camas baixinhas para crianças pequenas, a cómodas adaptadas, móveis de arrumação, estantes e espelhos, no IKEA encontramos uma série de soluções para um quarto típico “montessoriano”. Além da quantidade de oferta, existe a vantagem da qualidade dos materiais (não é best, mas é muitíssimo aceitável para o tempo que vão servir) e do preço dos artigos, que é bastante baixo comparando com a concorrência e nos permite ter uma maior capacidade de desapego (não confundir com despesismo!) quando chegar a altura de substituir. O ex-libris, a meu ver, é a oferta de mesinhas e cadeiras pequenas – as opções são muitas e todas elas podem fazer sentido e ajustar-se a um determinado espaço/ contexto.

 

  • Artes/ artigos diversos

Também a secção de desenho e artes plásticas a loja nos oferece algumas opções – folhas texturizadas,  tintas acrílicas, aguarelas, canetas e lápis de cor, carimbos, marcadores… até aventais para proteção da roupa!

Além disso, foi com muita satisfação que encontrei elementos de utilização diária exactamente iguais aos dos adultos, porém, com o tamanho adequado para um bebé ou criança – neste caso, conjuntos de talheres, que era algo que procurava há algum tempo. Um dos desafios durante o crescimento dos nossos filhos, a meu ver, é justamente a introdução destes elementos “reais” que em nada facilitam a vida dos pais, mas que em tudo são fundamentais para o ganho de autonomia, responsabilidade pelas ações e coordenação motora, em particular dos movimentos finos. Incluem-se não só os talheres de metal/ aço, como também os pratos de cerâmica e os copos e jarros de vidro. Mais uma vez, os materiais de plástico não transmitem uma sensação real que induza a criança a desenvolver cuidado para com o ambiente que a rodeia.

 

Gostava, num dos próximos posts, de vos falar em soluções de outras duas lojas que, frequentemente, apresentam brinquedos e objetos muito adequados a ambientes pedagógicos. Revelar-vos-ei também a nossa wishlist de alguns artigos não tão fáceis de encontrar, mas que são utilizados em salas de aprendizagem Montessori e cuja importância e eficácia já é sobejamente reconhecida 🙂

 

Até já!

Joana

Visitas à maternidade e amamentação

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O nascimento de um bebé desejado é sempre um motivo de felicidade e festa para os pais, em especial, e para toda a extensão familiar. Todos o querem conhecer, pegar nele, e dar-se igualmente a conhecer. Os quartos das maternidades transformam-se, como tal, em salas de estar de quem, ali, vai tendo vontade de ficar, e ficar e ficar…

Compreensível, até certa parte, porém, descolemo-nos daquilo que é “comum” e concentremo-nos no real interesse e necessidade do bebé. Não estaremos a pensar mais em nós próprios do que nele quando lhe impomos a presença de um excessivo número de pessoas logo após nascer? Respondam, para vocês mesmos, a esta pergunta, mas não caindo em desculpas emocionais! 🙂 Elas não nos permitem afastar o nosso egocentrismo.

O momento do nascimento é um turbilhão de novas emoções para a mãe e para o pai, e de novas sensações para o bebé. Este abandona o ambiente calmo, consistente e previsível intra-uterino e experimenta uma série de novos estímulos, os quais, de todo, ainda não consegue compreender. São poucas as âncoras que o podem ligar a um ambiente psíquico seguro – a presença da mãe, do pai e a amamentação. O bebé não precisa de mais nada nos primeiros dias de vida. E é nisto que eu e o D queremos estar focados.

Como tal, decidimos que as visitas à maternidade serão exclusivas aos familiares mais próximos e a um número muito limitado de amigos chegados. O tempo de cada visita também será curto, no sentido de influenciar o mínimo possível a rotina que estaremos, muito preliminarmente, a tentar estabelecer. Pessoas menos chegadas ao Vi terão muito tempo para o conhecer, sem que tenhamos que precipitar o excesso de estímulos à volta dele, em especial nesta fase que deverá ser o mais serena possível e durante a qual o bebé já conta com os mais diversos desafios.  🙂

Possivelmente, se pensasse neste assunto há 1 ou 2 anos atrás, sentiria que estávamos a adoptar uma postura demasiado pragmática. Talvez na altura ainda não estivéssemos preparados para assumir uma educação consciente e que respeita as necessidades do bebé, desde o 1º dia. Devemos ter sempre em mente duas palavras e questionarmo-nos acerca delas: “Contribuir ou Contaminar“? A resposta e resultado das nossas acções e decisões deverá ser sempre “Contribuir“. Contribuir, neste caso, para o desenvolvimento pleno do Ser Humano que está prestes a chegar.

É também na maternidade que começamos a trabalhar a rotina da amamentação, sendo necessário (uma vez mais) espaço e tempo, em exclusivo, para tal. Sem fundamentalismos, sou defensora da mesma até (pelo menos) aos 6 meses. Acredito profundamente nos benefícios físicos e, muito em particular, nos emocionais. O vínculo e a segurança gerados neste momento de intimidade e partilha entre mãe e bebé só podem favorecer o seu crescimento pleno. Sabendo que demora cerca de 8 semanas até que o ritmo do aleitamento esteja estabelecido e seja confortável para ambos, quanto mais nos dedicarmos e nos empenharmos em superar a fase inicial de adaptação, mais prazeroso certamente será, não caindo (como tantas vezes acontece) no erro do abandono desta prática tão precocemente.

Maria Montessori fala em dois períodos embrionários – o Pré-Natal (antes do nascimento) e o Pós-Natal (após o nascimento e até aos 3 anos), sendo este último uma fase da vida embrionária construtiva, em que o bebé precisa de amor, acolhimento e de uma necessidade física (aleitamento) satisfeita logo quando nasce, num ambiente muito especial – o colo materno. O aleitamento aparece assim como “uma necessidade subconsciente da mãe dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento. (…) Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que une as duas criaturas, soluciona o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural“. (“The Absorbent Mind“).

Não deveria esta prática ser mais valorizada pelas mães dos tempos de hoje?

Até já!

Joana

A caminha no chão

Consideremos um quarto “normal” de recém nascido. O que encontramos?

Normalmente tem um berço/ cama de grades, um trocador, talvez uma cadeira de amamentação para o adulto… a sensação que temos, desde logo, é a de se trata de um espaço onde o bebé não faz muito mais além de dormir. E quando não o está a fazer, é levado para locais mais movimentados da casa. Já repararam que este bebé não tem a oportunidade de passar tempo acordado no seu próprio espaço, de ficar sozinho no mesmo, nem de trabalhar a sua capacidade de foco e concentração, sem que seja distraído por outros estímulos? Para que tal possa acontecer, é necessário o ambiente certo, aquele que vai de encontro ao seu nível de desenvolvimento, naquele momento, e este quarto que comummente encontramos não é exemplo disso.

Já um quarto típico “montessoriano” fornece tudo aquilo que procuramos para tal. É um quarto com cores neutras, bonito na sua simplicidade, que transmite calma, com o máximo de luz natural possível, com lâmpadas de cores quentes/ amareladas e com detalhes e alguns brinquedos (não muitos), esses sim, com cores mais vibrantes. É um quarto cujo mobiliário não tem um preço demasiado elevado e que facilmente pode ser “transformado” para acompanhar os vários estadios pelos quais o bebé vai passando.

Divide-se, logo à partida, em quatro áreas distintas, cada uma com fundamental importância:

  • Dormir
  • Vestir/ trocar fraldas
  • Amamentação
  • Actividade

E hoje vamos centrar-nos na área do dormir.

O elemento mais conhecido por quem conhece e até quem não conhece o método de Montessori é, sem dúvida, a cama do bebé, que se apresenta no chão, permitindo-lhe o movimento ilimitado.

Já aparecem no mercado várias caminhas deste género, até em forma de casinhas (aliciantes no aspecto, claro…), porém, o que se pretende verdadeiramente é um tão-simples colchão no chão, sem elementos que possam constituir perigo e magoar o bebé quando este se movimentar e um tapete (ou outra opção adaptada) que amorteça os poucos centímetros de “queda”, que é colocado imediatamente ao lado. Este colchão, idealmente, é colocado num dos cantos do quarto, ficando apenas com dois dos lados “abertos” à sua deslocação.

As camas de grades a que estamos habituados apareceram com o objectivo de “proteger” o bebé dos perigos da casa, porém, na verdade, podem elas sim constituir um perigo quando o mesmo tenta sair e trepar as laterais – a queda, nesse caso, não é de poucos centímetros… Também a passagem de uma cama de grades para uma cama normal de criança se revela mais dificil do que passado de uma cama no chão e estando já acostumado ao facto de não existirem barreiras que circunscrevem o espaço e impedem a queda.

Para o quarto do Vi, procurámos um estrado simples o suficiente para ser fácil de colocar directamente no chão e um colchão evolutivo (o melhor possível, que neste tipo de coisas não gostamos de descurar na qualidade nem de olhar a preços), que colocámos por cima. Este colchão evolutivo (do IKEA) é constituido por 3 partes – a maior (o colchão propriamente dito) e duas mais pequenas, que vamos juntado com um sistema de fixação, à medida que a criança cresce, e que se ajustarão posteriormente a uma grande oferta de camas baixinhas que a mesma loja oferece. Como inicialmente só precisamos da parte maior do colchão, guardámos uma das outras e a terceira aproveitámos para fazer a cabeceira da cama (poderão ver na foto). Para que esta cabeceira fique com um acabamento mais bonito, comprámos um tecido ao nosso gosto (e a condizer com o quarto) e entregámo-lo às mãos de uma costureira para fazer uma forra – depois fotografo novamente quando estiver tudo pronto 🙂

Depois precisámos apenas de adquirir lençóis com elásticos, um sobrecolchão impermeável e, para tapar o bebé, utilizaremos apenas um edredon revestido por uma capa (há que ter cuidado com a utilização de edredons devido ao sobreaquecimento durante a noite! O ideal será colocar uma almofada grande nos pés da cama, por dentro do edredon, de forma a que o bebé não se possa “afundar” para dentro do mesmo). No verão, dormirá apenas com a dita capa do edredon por cima.

Ao lado da cama, e a revestir metade da área do quarto, colocámos um tapete de espuma (daqueles tipo puzzle), que amortecerá eficientemente todas as quedas. Aconselho-vos, na escolha de uma solução deste género, a terem muito cuidado com os componentes utilizados no fabrico dos mesmos. Quase todos eles têm químicos que podem ser nocivos para o bebé e o risco de sufoco é uma realidade! Nós optámos pelo único que encontrámos no mercado sem qualquer químico na composição, nem quaisquer riscos para o bebé – o Skip Hop Playspot Geo Kid Foam Tiles. Não estava disponível em qualquer loja física em Lisboa, mas facilmente o adquirimos online.

Et voilà, o Vi já tem um espaço de dormir seguro para o receber após os primeiros meses em que, durante a noite, ficará no nosso quarto, num bercinho pequeno que adquirimos para o efeito 🙂

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Até breve!

Joana

O quartinho…

Há cerca de 1 ano atrás, sentimos que havia chegado o momento de pensarmos muito seriamente num novo projecto a dois: sermos pais. As condições estavam praticamente reunidas e queríamos apenas utilizar o primeiro semestre de 2017 para ultimar preparativos que dificilmente seriam concretizáveis de uma forma tão eficiente depois.

Aumentando, inevitavelmente, o interesse por “bebés e crianças” nesta fase em que já estava focada naquilo que se viria a suceder, deparei-me com o método de Montessori. Explorei (primeiramente, de forma superficial) um pouco mais sobre ele e senti, de imediato, que seria o caminho que gostaria de seguir assim que fosse mãe. E logo quis saber mais. Aproveitando o privilégio de ter a profissão que tenho e o que a mesma me permite – viajar mundo fora – coletei alguma da melhor bibliografia acerca do tema, em vários locais por onde fui passando, e os meus livros de cabeceira viraram-se totalmente para este tema.

Na verdade, nunca fui pessoa de fazer algo ou tomar decisões importantes de ânimo leve. O “fazer por fazer” e o “logo se vê” nunca foram para mim. E na educação de um filho, muito menos. Ainda que a intuição e algum empirismo tenham o seu lugar bem estimado, penso que, quanto mais entendermos, nos interessarmos e explorarmos determinado assunto, mais capazes seremos de desempenhar o nosso papel de forma competente.

As leituras e pesquisas foram evoluindo e, claro, quis mais. Lancei-me na formação online e, desde então, alguns cursos/ workshops passaram a complementa-las.

Entretanto, aí pelo meio, apareceu o Vicente 🙂 🙂 🙂 🙂

Dado o timing e tudo aquilo que, até então, já sabia sobre o método (e que o D – meu marido – também foi sabendo por osmose e, claro, concordando), rapidamente começámos a idealizar o quartinho de bebé. Lançámos “as mãos na massa” no início do 2º trimestre da gravidez, já com as principais decisões absolutamente tomadas.

Falemos, então, da primeira delas: a perspectiva do bebé e a escolha do mobiliário principal.

Como falámos no post anterior, um dos principais princípios do método de Montessori é o ambiente preparado. É este ambiente que vai permitir o desenvolvimento pleno do bebé, proporcionando-lhe a oportunidade do movimento livre e seguro, promovendo a autonomia e confiança nas suas capacidades. Ora, nada mais importante do que um quarto que corresponda a este princípio. Para tal, a primeira decisão que tomámos foi a de que todo o mobiliário destinado à utilização do Vicente estivesse à altura do seu alcance, de forma a que, por exemplo, não fosse necessária a nossa intervenção para retirar brinquedos da estante ou, até, para que este saísse da cama!

Obviamente não estamos a falar de algo que vá ser posto em prática nos primeiros meses de vida, porém, a existência deste ambiente logo desde o nascimento é fulcral para a vivência e ligação que, rapidamente, o bebé vai criar com o seu espaço. Não esquecer que o sentimento de segurança se começa a trabalhar no 1º dia! 🙂

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Mais pormenores sobre cada elemento do quarto ser-vos-ão dados em breve!

Até lá!

Joana

 

Qual o objectivo?

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Falávamos no post anterior que o objectivo final da educação montessoriana é a formação de um Ser Humano completo; de um adulto completo. E o que se entende por adulto completo, nesta visão, é tão somente um adulto equilibrado e totalmente adaptado ao seu tempo, espaço e cultura, capaz de encontrar um significado para a sua existência na terra.

Enquanto pais, ou futuros pais de um bebé, se quisermos caminhar nesse sentido, deveremos, desde logo, ter em conta três conceitos fundamentais que estão na base de quase todas as fases que se seguem ao nascimento: independência, segurança e auto-confiança. A independência aparece como o ponto de partida e caminho subsequente para atingir os outros dois.

A ideia é o bebé passar de um estado em que necessita de ser totalmente servido, ser, gradualmente, ajudado a assumir acções simples de forma independente, e tornar-se finalmente capaz, ele próprio, de servir os outros.

Nós, pais, durante este trajeto, deveremos ir criando a dose certa de desafio, em cada fase, para que o bebé se vá superando. Esta dose deve ser tão rigorosa que permita que o nosso filho ganhe confiança em si próprio e nas suas capacidades. Caso contrário, se exagerarmos no grau de dificuldade, obteremos o efeito inverso e o mesmo pode perder essa confiança ao sentir que não é capaz.  Até nós adultos nos sentimos extremamente frustrados perante situações que nos “esmagam” e ultrapassam e que sabemos que não teremos a capacidade de resolver, não é verdade?

E, atenção, não se queiram iludir… esta independência que damos aos nossos bebés/ crianças não tem como objectivo tornar a nossa vida mais fácil! Nem torna! Pelo contrário… ajudá-los e guiá-los neste processo é bem desafiante e trabalhoso para os pais. Porém, conseguirmos que os nossos filhos se tornem rapidamente capazes de agir, não tendo que esperar que alguém faça sempre as coisas por eles, é tão compensador que justifica todo o nosso esforço até então, não vos parece? 🙂

Agora, em termos práticos, como é que podemos trabalhar esta questão da independência dos nossos filhos? A resposta é simples: promovendo, desde logo, o desenvolvimento do seu movimento (que cada vez vai sendo mais coordenado), através da criação de um ambiente preparado para tal. Este ambiente deverá encorajar a acção intencionada do bebé, existindo igualmente possibilidades de consequências para ele.

E eis que chegámos ao ponto onde vos começo a contar um pouco mais sobre a minha própria vida e experiência enquanto futura mãe e onde toda a organização de um ambiente preparado para receber o bebé Vi vos irá ser apresentada, passinho a passinho 🙂

Falaremos dele já no próximo post!

Até breve!

Joana