Princípios do educador montessoriano #4

4. Seja ativo na preparação do ambiente. Tome cuidado constante e seja meticuloso com ele. Ajude a criança a estabelecer relações construtivas com ele. Mostre o local adequado onde são guardados os meios de desenvolvimento e demonstre o seu uso apropriado.

Ambiente preparado! Já falámos dele tantas vezes ao longo do blog.

Este ambiente que circunda a criança deverá ser alvo da nossa maior atenção enquanto pais. Se queremos que a mesma interiorize hábitos de arrumação e cuidado, deveremos apresentá-lo arrumado e cuidado.

Tudo começa em nós mesmos, os nossos filhos observam-nos, bem como aquilo que nós fazemos e, tendencialmente, imitam-nos. Dessa forma, mantendo um ambiente ordeiro, encorajamo-los a fazerem o mesmo. Se, quando queremos utilizar um objecto, o retirarmos do local onde ele pertence, o utilizarmos e, no final, o voltarmos a guardar no mesmo sítio, incentiva-los-emos a adoptarem este hábito.

Um cuidado que devemos ter passa por colocar à altura e alcance das crianças objectos que elas possam manipular livremente, ao invés de outros nos quais não podem mexer. Dessa forma, abrimos-lhes portas para que explorem o mundo que as rodeia e torna-se muito mais fácil para elas tirarem um maior partido da experiência sensorial. Temos que, a todo o tempo, estar atentos a este ambiente e fazer as mudanças necessárias para acompanhar o desenvolvimento delas, naquele momento. E, no caso de lhes serem acessíveis peças/ artigos que elas possam danificar ou que as possam magoar, dever-lhes-á (e isto leva o seu tempo e muita, muita tolerância da nossa parte) ser ensinada a forma correta de os utilizar, contrariamente ao que, muitas vezes assistimos, em que o pai/ mãe/ adulto diz imediatamente ao seu filho “não podes tocar”!

A cozinha é um excelente exemplo de um ambiente perfeito para a exploração infantil – tem acessórios de cutelaria, loiças, copos de vidro, tupperwares, … e oferece oportunidades de actividades que os nossos filhos adoram: cortar, descascar, cozinhar, lavar… Não só devemos encorajar a execução destas tarefas (elas são determinantes na aquisição de independência!), como devemos incluí-los e mantê-los ocupados durante o dia o maior tempo possível com elas.

A apresentação e demonstração do uso apropriado dos meios de desenvolvimento deve ser feita de forma incansável por nós, pais. E quando o nosso filho cometer um erro, se se tratar de um erro de procedimento, não devemos corrigi-lo! Devemos, sim, permitir que o erro seja cometido e que ele continue o seu caminho; daí por uns dias, voltamos a demonstrar novamente e logo chegará o momento em que ele conseguirá fazê-lo da forma correta 🙂

Se, por sua vez, estiver a causar um dano material no ambiente, cabe-nos ajudá-lo a estabelecer relações construtivas com o mesmo. É algo benéfico para ele e para o ambiente. Mostramos-lhe como se faz e dizemos-lhe que aquilo que ele estava a fazer não é o correto, mas sempre com uma alternativa de acção. Exemplo: o nosso filho atira um prato para o chão. O nosso papel, neste momento, deverá consistir em passar a mensagem clara (falando baixo, calmamente e ao nível dos olhos dele) de que aquele comportamento não está certo, apresentando-lhe, em alternativa, um objecto que seja do interesse dele e que, esse sim, possa ser lançado.

É muito importante estarmos sempre presentes, representando, a todo o momento, um apoio para as nossas crianças. Um suporte e um incentivo, sem castigos nem elogios, para a construção de uma relação muito positiva com o ambiente onde elas habitam 🙂

 

Vamos trabalhar(-nos) nesse sentido?

 

Até já!

Joana

Alteração do móbile e introdução das rocas

Alcançadas as 12 semanas do Vicente, chegou também a altura de fazer mais uma alteração no móbile. A descoberta das mãos leva a que o mesmo se constitua de elementos que proporcionam a experiência o mais rica possível: elementos de cores essencialmente primárias, de madeira, que produzem som aquando em movimento e que incluem argolas. Estas argolas visam ajudar a que o bebé perceba que a mão pode agarrar e manipular objectos. Uma delas, é pendurada com fio elástico, que fará com que, a determinada altura, ele consiga levá-la à boca, aumentando a qualidade da experiência sensorial.

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Simultaneamente com a introdução do móbile, as rocas aparecem agora com especial destaque. Na verdade, em breve, irão mesmo substituí-lo, constituindo então a principal ferramenta sensorial de exploração do mundo.

O bebé descobre que aquela sensação física nas suas mãos está relacionada com as formas e movimentos que ele está a ver. Gradualmente, vai desenvolvendo uma coordenação entre a visão, o toque e o som. Vai sentido e vendo que os diferentes movimentos com a roca se refletem em sons variados: alto e baixo, agradável e incomodativo. Experimenta também as diferenças na temperatura e textura: a madeira e o metal, por exemplo, são lisos e suaves e o metal é mais frio do que a madeira. Descobre, além disso, a relação entre peso e dimensão: materiais do mesmo tamanho, mas feitos de materiais diferentes, podem variar no peso. E por aí em diante…

A determinada altura, o bebé atinge então um ponto em que já descobriu as diferentes capacidades das suas mãos e não só já ganhou a habilidade para obter informação através delas, como aprendeu a usá-las para manipular o ambiente que o rodeia. Está, agora, preparado, para explorar objectos pela casa fora 🙂

No caso do Vicente, as primeiras rocas (de madeira) foram apresentadas aos 2 meses. Ficava muito atento quando eu ou o D as agitávamos e, com ajuda, conseguiu até, numa ou outra vez, segurá-las (porém, sem qualquer intenção).

Agora, quase com 3 meses, já manifesta vontade de as agarrar e capacidade para o fazer por si só, movendo-as bruscamente (como se espera de um bebé desta idade) e batendo com elas na cara, ficando sempre surpreendido com os sons obtidos e com o impacto que, por vezes, chega a magoar!

Está a ser delicioso assistir a esta evolução tão grande, num espaço de tempo tão curto! O Vi está a crescer a cada dia e uma coisa que quero muito enquanto mãe, é nunca me arrepender por ter deixado escapar uma etapa importante sem lhe ter dado o devido valor. E todas as etapas o são! E eu e o D estamos aqui, a desfrutar e a viver em conjunto cada uma delas 🙂

 

Até já!

Joana

 

 

 

Montessoriando pelo IKEA

Sabem quando as opções mais simples estão à porta de nossa casa e nem nos apercebemos disso? Senti isso com o IKEA, enquanto procurava por soluções “montessorianas” para o quartinho do Vi, fossem elas brinquedos, mobiliário, decoração…

Aproveitando uma visita durante esta semana à loja, dediquei uma parte do tempo a fotografar, para formar um pequeno álbum dessas opções, seja para vos dar a conhecer, seja para nós próprios nos lembrarmos do que lá existe quando pensarmos em adquirir mais qualquer coisinha 🙂 Na verdade, houve muito poucas zonas da área infantil que escaparam à objectiva!

 

  • Brinquedos

Como sabemos, a filosofia de Montessori privilegia a utilização de brinquedos com boa qualidade e de materiais naturais, ao invés dos de plástico, não apenas pela experiência sensorial mais rica, mas também porque a criança aprende a valorizar a beleza dos materiais nobres e a Natureza a partir da qual os mesmos são produzidos. Além disso, o tipo de utilização que se dá a um brinquedo de madeira ou tecido, por exemplo, deverá ser muito mais cuidada do que aquela que se pode dar a um qualquer objecto de plástico, sendo este quase indestrutível. E nós queremos ensinar as nossas crianças a serem cuidadosas no trato, seja consigo mesmas, com as pessoas/ animais/ natureza que as rodeia, seja com o ambiente e os materiais que o compõem.

O IKEA disponibiliza dezenas de brinquedos de madeira e tecido e alguns (poucos) de plástico, na verdade. Ainda assim, independentemente da matéria-prima, todos eles apresentam um propósito e podem beneficiar no desenvolvimento cognitivo e motor do bebé/ criança. Não encontramos na loja aqueles brinquedos multi-estímulos, de plástico, que entretêm a mente e nada acrescentam à mesma. Além disso, encontramos muitas réplicas realistas de uma série de artigos que são utilizados na vida real – loiças, mobiliário, peluches… tão importantes, principalmente até aos 6 anos da criança!

 

  • Mobiliário

Desde camas baixinhas para crianças pequenas, a cómodas adaptadas, móveis de arrumação, estantes e espelhos, no IKEA encontramos uma série de soluções para um quarto típico “montessoriano”. Além da quantidade de oferta, existe a vantagem da qualidade dos materiais (não é best, mas é muitíssimo aceitável para o tempo que vão servir) e do preço dos artigos, que é bastante baixo comparando com a concorrência e nos permite ter uma maior capacidade de desapego (não confundir com despesismo!) quando chegar a altura de substituir. O ex-libris, a meu ver, é a oferta de mesinhas e cadeiras pequenas – as opções são muitas e todas elas podem fazer sentido e ajustar-se a um determinado espaço/ contexto.

 

  • Artes/ artigos diversos

Também a secção de desenho e artes plásticas a loja nos oferece algumas opções – folhas texturizadas,  tintas acrílicas, aguarelas, canetas e lápis de cor, carimbos, marcadores… até aventais para proteção da roupa!

Além disso, foi com muita satisfação que encontrei elementos de utilização diária exactamente iguais aos dos adultos, porém, com o tamanho adequado para um bebé ou criança – neste caso, conjuntos de talheres, que era algo que procurava há algum tempo. Um dos desafios durante o crescimento dos nossos filhos, a meu ver, é justamente a introdução destes elementos “reais” que em nada facilitam a vida dos pais, mas que em tudo são fundamentais para o ganho de autonomia, responsabilidade pelas ações e coordenação motora, em particular dos movimentos finos. Incluem-se não só os talheres de metal/ aço, como também os pratos de cerâmica e os copos e jarros de vidro. Mais uma vez, os materiais de plástico não transmitem uma sensação real que induza a criança a desenvolver cuidado para com o ambiente que a rodeia.

 

Gostava, num dos próximos posts, de vos falar em soluções de outras duas lojas que, frequentemente, apresentam brinquedos e objetos muito adequados a ambientes pedagógicos. Revelar-vos-ei também a nossa wishlist de alguns artigos não tão fáceis de encontrar, mas que são utilizados em salas de aprendizagem Montessori e cuja importância e eficácia já é sobejamente reconhecida 🙂

 

Até já!

Joana

Visitas à maternidade e amamentação

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O nascimento de um bebé desejado é sempre um motivo de felicidade e festa para os pais, em especial, e para toda a extensão familiar. Todos o querem conhecer, pegar nele, e dar-se igualmente a conhecer. Os quartos das maternidades transformam-se, como tal, em salas de estar de quem, ali, vai tendo vontade de ficar, e ficar e ficar…

Compreensível, até certa parte, porém, descolemo-nos daquilo que é “comum” e concentremo-nos no real interesse e necessidade do bebé. Não estaremos a pensar mais em nós próprios do que nele quando lhe impomos a presença de um excessivo número de pessoas logo após nascer? Respondam, para vocês mesmos, a esta pergunta, mas não caindo em desculpas emocionais! 🙂 Elas não nos permitem afastar o nosso egocentrismo.

O momento do nascimento é um turbilhão de novas emoções para a mãe e para o pai, e de novas sensações para o bebé. Este abandona o ambiente calmo, consistente e previsível intra-uterino e experimenta uma série de novos estímulos, os quais, de todo, ainda não consegue compreender. São poucas as âncoras que o podem ligar a um ambiente psíquico seguro – a presença da mãe, do pai e a amamentação. O bebé não precisa de mais nada nos primeiros dias de vida. E é nisto que eu e o D queremos estar focados.

Como tal, decidimos que as visitas à maternidade serão exclusivas aos familiares mais próximos e a um número muito limitado de amigos chegados. O tempo de cada visita também será curto, no sentido de influenciar o mínimo possível a rotina que estaremos, muito preliminarmente, a tentar estabelecer. Pessoas menos chegadas ao Vi terão muito tempo para o conhecer, sem que tenhamos que precipitar o excesso de estímulos à volta dele, em especial nesta fase que deverá ser o mais serena possível e durante a qual o bebé já conta com os mais diversos desafios.  🙂

Possivelmente, se pensasse neste assunto há 1 ou 2 anos atrás, sentiria que estávamos a adoptar uma postura demasiado pragmática. Talvez na altura ainda não estivéssemos preparados para assumir uma educação consciente e que respeita as necessidades do bebé, desde o 1º dia. Devemos ter sempre em mente duas palavras e questionarmo-nos acerca delas: “Contribuir ou Contaminar“? A resposta e resultado das nossas acções e decisões deverá ser sempre “Contribuir“. Contribuir, neste caso, para o desenvolvimento pleno do Ser Humano que está prestes a chegar.

É também na maternidade que começamos a trabalhar a rotina da amamentação, sendo necessário (uma vez mais) espaço e tempo, em exclusivo, para tal. Sem fundamentalismos, sou defensora da mesma até (pelo menos) aos 6 meses. Acredito profundamente nos benefícios físicos e, muito em particular, nos emocionais. O vínculo e a segurança gerados neste momento de intimidade e partilha entre mãe e bebé só podem favorecer o seu crescimento pleno. Sabendo que demora cerca de 8 semanas até que o ritmo do aleitamento esteja estabelecido e seja confortável para ambos, quanto mais nos dedicarmos e nos empenharmos em superar a fase inicial de adaptação, mais prazeroso certamente será, não caindo (como tantas vezes acontece) no erro do abandono desta prática tão precocemente.

Maria Montessori fala em dois períodos embrionários – o Pré-Natal (antes do nascimento) e o Pós-Natal (após o nascimento e até aos 3 anos), sendo este último uma fase da vida embrionária construtiva, em que o bebé precisa de amor, acolhimento e de uma necessidade física (aleitamento) satisfeita logo quando nasce, num ambiente muito especial – o colo materno. O aleitamento aparece assim como “uma necessidade subconsciente da mãe dar ao seu filho o auxílio de um completo ambiente social que lhe determine o desenvolvimento. (…) Assim sendo, a nutrição da criança e o amor que une as duas criaturas, soluciona o problema da adaptação ao ambiente de um modo natural“. (“The Absorbent Mind“).

Não deveria esta prática ser mais valorizada pelas mães dos tempos de hoje?

Até já!

Joana

A mala para a maternidade

36 semanas – a altura ideal para começar a preparar verdadeiramente a mala para levar para a maternidade! Não adianta ter os items todos dispersos pelas gavetas, se depois não terei a destreza mental para os organizar rapidamente caso o Vi queira nascer antes da hora esperada 🙂

Estes assuntos mais específicos de maternidade e puericultura sempre me passaram um pouco ao lado, por isso tive que me informar e ler muito para tentar não cometer grandes erros nos diversos “momentos da verdade”. No que respeita à organização da mala, optei por imprimir toda a informação que o hospital onde vou ter o Vi disponibiliza e seguir, ponto por ponto, tudo aquilo que aconselham a levar. Muitas das coisas já adquiri há uns meses, aproveitando campanhas que algumas das lojas online de que mais gosto – entre elas, a Bebitus e a Vertbaudet – fizeram e que se tornaram muito vantajosas. Assim sendo, as listas são:

  • Para a mãe:
    • Documentos pessoais e da grávida;
    • 4 camisas de noite com abertura à frente (só comprei 3… para dois dias de internamento, parece-me mais do que suficiente!) e chinelos de quarto;
    • Discos e soutiens de amamentação;
    • Cuecas descartáveis e pensos higiénicos (que o hospital fornece, mas prefiro levar);
    • Objectos de higiene pessoal.
  • Para o bebé:
    • Duas mudas de roupa completas para cada dia (para parto normal, prevê-se uma estadia de 2 dias), em sacos identificados com o dia e a muda em questão. Estas roupas devem ser em algodão, lã ou linho;
    • Objectos de higiene e cuidado pessoal;
    • Fraldas (o hospital fornece, mas vou levar na mesma).

Partindo para a acção, escolhi a mala que me pareceu mais prática – um trolley pequeno com 4 rodas – e comecei por adicionar as camisas de noite, colocadas num saquinho de algodão branco. De seguida, separei as roupinhas do Vi – num saco de algodão com riscas, coloquei a primeira roupa que ele vestirá logo após nascer e, em sacos plásticos, as várias mudas identificadas, tal como é pedido. Na 2ª muda do 2º dia, acrescentei uma segunda opção de toilette, caso à saída esteja frio. Num outro saco de algodão xadrez, estarão as fraldas de pano e um doudou 🙂

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Preparei também um necessaire com as cuequinhas descartáveis, os pensos e os discos de amamentação (optei por discos laváveis, de algodão, ao invés dos descartáveis). Por fim (ou melhor, por agora!), adicionei uns chinelos descartáveis de quarto.

 

 

Das listas e daqueles extras que pretendo levar, ficam então a faltar:

  • Documentos (que só irei colocar no momento de ir);
  • Soutiens de amamentação (porque estou a utilizá-los… os meus habituais deixaram de servir logo nas primeiras semanas);
  • Objectos de higiene pessoal meus (que também só adicionarei na hora);
  • Fraldas + produtos de higiene do Vicente (é o próximo passo e quero contar-vos um pouco mais acerca das minhas escolhas :));
  • Avental de amamentação (por muito que queiramos receber poucas visitas na maternidade, há sempre a possibilidade de precisar de amamentar quando alguma delas está no quarto – outro assunto do qual vos quero falar segundo a óptica de Montessori e que é bem “sensível” para mim. Seja ou não alguém com quem esteja à vontade (se não estiver, a pessoa sairá, claro), imagino que fique bem mais confortável com este aliado!);
  • A minha roupa de saída.

Fora isto, é organizar também a “trouxa” do maridão, que me acompanhará do início ao fim da estadia, e aguardar pelo grande dia 🙂 🙂 🙂

 

Voltaremos a falar em breve!

Joana

 

Minimalismo e brinquedos

Já vos tinha dito que sou adepta do minimalismo? Não num sentido extremo da palavra (porque não consigo chegar tão longe em todos os campos da vida), mas no que toca ao não me agarrar demasiado a bens materiais que não têm utilidade no meu dia-a-dia. Felizmente, tanto para mim quanto para o D, uma vivência pacífica cá em casa tem, na sua base, uma organização muito grande da mesma e a libertação de tudo o que, francamente avaliando, não acrescenta muito à nossa rotina. Passa por sermos capazes de fazer avaliações muito pragmáticas acerca daquilo que vamos acumulando nos armários e fora deles e, de vez em quando, por enchermos uns saquinhos de coisas “para dar” 😉

Possivelmente exagerada aos olhos de alguns, a nossa forma de vida está, ainda assim, muito longe de se assemelhar ao minimalismo puro que muitas pessoas seguem. Isto porque, apesar de sermos ambos muito arrumados e gostarmos de destralhar cá por casa, não nos coibimos de a decorar com bastantes adornos que a tornam muito mais confortável e agradável à nossa vista. A ideia do “lar minimalista” com quase nada nas paredes e prateleiras é assustadora para nós. Uma estante sem livros (que tenhamos lido ou pretendamos ler, claro)? Jamais! Uma parede sem quadros? Jamais! Focamo-nos mais em manter essas estantes bem arrumadas e com cores que não ofusquem o olhar e em preencher as nossas paredes com pinturas e imagens que nos dizem algo e que também se enquadrem bem nos tons calmos com que decorámos o resto da casa. Cores fortes e destacáveis aparecem muito pontualmente. Luzes, por cá, só indirectas e lâmpadas só amarelas (há leds amarelos, sim!) – só assim mantemos o ambiente tranquilo que nos “chama à terra” diariamente.

À semelhança desta forma de estar, o quarto do Vicente é muito contido na quantidade e organizado na disposição de brinquedos e livros, o que, em tudo, nos conduz aos ideais montessorianos. Optámos por uma pequena estante, que montámos sem os pés para que ficasse o mais baixa possível e por uma prateleira onde cabem os primeiros livrinhos que o Vi irá explorar. Adquirimos também uma caixa organizadora que, na verdade, é um carrinho de mão e poderá, mais tarde, auxiliar na aquisição do equilíbrio e marcha, bem como dois cestinhos (só um está em uso) onde, para já, colocámos os peluches maiores – um já existente e dois oferecidos.

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Nas prateleiras superiores da estante maior, dispusemos três brinquedos pedagógicos de madeira, cada um com o seu propósito e que o Vi poderá explorar livremente assim que estiver preparado para tal (a partir dos 6 meses, talvez?). Em baixo, reservámos uma secção para instrumentos musicais simples, que pretendo apresentar desde cedo pois valorizo muito a aquisição de noções de tom, ritmo e notas. A secção ao lado subdivide-se em 3 cestinhos com brinquedos aleatórios, entre eles animais de peluche, bolas, rocas (que serão introduzidas e têm um papel importante logo após os móbiles) e um ou outro brinquedo de borracha ou madeira.

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A pequena prateleira para livros já está completa e é constituída por alguns exemplares com imagens reais de animais, outros com imagens não reais mas ainda assim realistas (é o caso dos livros moles para uma fase mais precoce) e outros ainda com alguma história e personagens – por muito que gostemos deles, sabemos que não devem ser introduzidas, aos bebés e crianças até aos 4 anos de idade, histórias onde exista demasiada fantasia e onde, por exemplo, os animais falem ou adotem acções humanas, justamente porque não correspondem à realidade e é apenas a realidade que deve ser apresentada até esta idade. É aqui que, pontualmente, nos assumimos permeáveis a alguns “maus hábitos” 😉

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Dentro do carrinho de mão, colocámos um jogo de pares (vai ser utilizado bem mais tarde, mas adorámo-lo e não resistimos…) e um balde com sólidos geométricos coloridos para exploração e criação livres desde cedo. A disposição destes sólidos, a seu tempo, será colocada de forma estratégica e rotativa, em cestinhos separados por cor, ou por forma, ou por quantidade (variaremos de tempos a tempos).

 

Fora isto, guardámos dentro do roupeiro 4 doudous (apenas um comprado por nós e 3 oferecidos) e veremos se os apresentamos à vez, todos ao mesmo tempo mas em zonas diferentes onde o Vi possa estar ao longo do dia, ou se acabamos mesmo por não utilizar alguns.

E, com facilidade, apresentei-vos tudo o que havia para apresentar! Temos apenas um ou dois livros bem grandes com texto e imagens que iremos utilizar para lermos ao Vi logo desde o nascimento. Mas esses, ficarão connosco e não no quartinho dele.

A nossa ideia, inicialmente, era comprar ainda menos artigos do que comprámos, porém, cedemos um pouco à enormíssima oferta! Ainda assim, parece-nos que a quantidade é razoável e, sendo que os brinquedos não aparecem na nossa lista de desejos quando nos questionam acerca de presentes para o bebé, não nos parece haver grande espaço para “descalabros” 😉

No próximo post, conto falar-vos um pouco mais acerca deste tema – brinquedos – mas mais na perspectiva da filosofia de Montessori, pois considero que há muito know-how a absorver por nós, pais, e que pode ser determinante no momento de escolher o que de melhor podemos oferecer ao nosso filho.

Até breve!

Joana

A evolução do móbile

O meu primeiríssimo trabalho manual para o quarto do Vi foi o seu móbile evolutivo. Há, sem dúvida, opções  de móbiles muito apelativos no mercado, difíceis de resistir de tão bonitos que são, porém, se nos detivermos sobre a vantagem e utilidade que os mesmos trazem para o bebé, a resposta é simples: pouca ou nenhuma. São items que apenas embelezam o ambiente e agradam aos olhos dos pais e de quem o visita.

Se queremos oferecer ao nosso bebé um ambiente verdadeiramente enriquecedor, temos que pensar no propósito de tudo o que lhe oferecemos. O móbile, nos primeiros meses, é um elemento que o ajuda na progressão da sua habilidade para explorar visualmente o mundo. O bebé desenvolve, gradualmente, o foco em objectos em movimento, a procura por um objecto em particular e a percepção de cor e profundidade. Este móbile deverá, dessa forma, ser mudado a cada 2/3 semanas para permitir, por um lado, a habituação “àquele” móbile em específico e, por outro, o acompanhamento dessa constante progressão visual.

Com o mesmo propósito  sempre em vista – o desenvolvimento pleno do meu bebé – pus mãos à obra. Como suporte, ao invés de colocar um gancho no tecto do quarto, utilizei um móbile já existente do IKEA que permite ir substituindo o conteúdo e que ainda tem a vantagem de ser portátil, não ficando restrito à área da cama (ou não tendo nós que colocar múltiplos ganchos em várias zonas do tecto da casa!). Comecei por comprar umas palhinhas (de bebidas mesmo) em papel, onde os objectos viriam a ficar presos por um fio. Para que ficassem mais bonitas, revesti-as com linha de crochet:

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De seguida, passei para o primeiro móbile – o móbile Munari. É um móbile constituído por formas geométricas brancas e pretas, planas, e por uma esfera transparente onde a luz pode reflectir. Deve ser utilizado das 3 às 6 semanas de vida e as duas cores utilizadas são aquelas que o bebé consegue distinguir nesta fase – os dois limites sensoriais que o estimularão a focar a sua atenção ininterruptamente. As formas foram especialmente concebidas para que, primeiro que tudo, o bebé distinga aquelas que são rectas e, depois, as que são curvas.

Não encontrei uma esfera transparente na altura da sua execução, porém, um coração também transparente tomou o seu lugar sem problema. Total coincidência, semanas mais tarde, quando o trabalho já estava terminado, um familiar que vive fora e nos veio visitar ofereceu-nos, entre outras coisas, a dita esfera, com o pormenor da Sophie la Girafe dentro 😀 É claro que foi imediatamente adicionada!

 

O segundo móbile deverá aparecer entre as 6 e as 8 semanas e é constituído por 3 octaedros, em papel metalizado, com cores primárias.

São agora introduzidas as três dimensões, com cores que permitem uma maior organização mental ao bebé e num material que faz reflectir a luz, atraindo a sua atenção. Os octaedros, em particular, constituem uma remota base para futuros entendimentos de aspectos relacionados com proporções geométricas, relações e padrões.

Foi de simples execução – imprimi em papel branco autocolante a forma dos octaedros, recortei-os e colei-os em folhas holográficas das várias cores. Depois foi só dar-lhes forma, tendo o cuidado de introduzir o fio de linha antes do último passo da montagem 🙂

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Entre as 7 e as 9 semanas, chega a altura de introduzir uma nova componente que permitirá mais um passo no desenvolvimento visual do bebé: as variações subtis dentro da mesma cor. O móbile Gobbi é constituído por 5 esferas de lã/ linha (ou de esferovite coberto com lã/linha), num degradê, colocadas de forma ascendente, da mais escura para a mais clara.

Comprei meadas de vários tons de azul (não são todos do “mesmo azul”, mas o efeito pretendido não ficará comprometido) e transformei-as em pequenos novelos que ficarão presos, também eles, nas palhinhas que forrei.

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Segue-se o móbile dos dançarinos, ideal para as semanas 10-12. Este móbile apresenta-se sob a forma de figuras estilizadas, feitas em papel metalizado, que se movem facilmente com qualquer circulação de ar. Uma vez mais, o reflexo que a luz fará sobre o mesmo irá captar a atenção do bebé para estas figuras constituídas por 3 partes independentes – cabeça, braços e pernas – estimulando a sua percepção e habilidade de foco visual dinâmico e em profundidade.

Foi, sem dúvida, o de mais desafiante execução. Utilizei cartolinas, onde imprimi as figuras, recortei-as e colei-as (com cola baton) a papel holográfico azul e cinza, de um lado e do outro. Falta apenas comprar fio de pescador/ nylon para ligar as 3 partes de cada uma et voilà!

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Após as 12 semanas, e porque o bebé começa a ter um propósito e a querer alcançar os objectos com as mãos, podemos colocar uma ou mais argolas de madeira, com um fio elástico, de forma a que possam ser puxadas, colocadas na boca, largadas e alcançadas novamente. Com isto, promovemos a exploração táctil, a concentração, a coordenação motora bem como o início da relação cérebro-mão (uma das grandes bases de toda a experiência sensorial e aquisição de conhecimento por parte do bebé). Estas argolas devem ser bem lisas, de material seguro e com um tamanho que não permita que as mesmas sejam engolidas.

Nesta fase, além das argolas, irei colocar no móbile as peças que o original do IKEA trazia – sólidos geométricos, em madeira, com cores chamativas 🙂

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Com isto, terminamos a saga “móbiles” e, gradualmente, começam as rocas a ganhar o papel de destaque no período de desenvolvimento seguinte. Como referi antes, o conceito de relação cérebro-mão começará a ser abordado nesta fase e dele falaremos com todo o cuidado e pormenor merecidos.

Até breve!

Joana