Princípios do educador montessoriano #5

“Esteja sempre pronto a responder à criança que precisa de si e escute sempre, e responda, à criança que a si recorre.”

Há atitudes e gestos que, diariamente, adultos têm para com as suas crianças sem que se apercebam da dimensão do dano que lhes causam. Gestos tão simples e tão destruidores.

“Ele(a) está apenas a chamar a atenção!”…

Quando um adulto faz esta afirmação, fica claro o seu distanciamento do cerne da questão. “Está apenas a chamar a atenção” aquele(a) que precisa de atenção e essa atenção dever-lhe-á ser dada. Não há nada pior para uma criança do que se sentir insegura e ignorada. É uma forma de abandono e o abandono é um sentimento com o qual ela nunca deveria ter que lidar.

Montessori demonstrou-nos que “necessidades geram comportamentos” e, de facto, podemos utilizar esta máxima como ponto de partida para entendermos todas aquelas reações inesperadas e que, por vezes, até nos causam alguma ira, vindas dos nossos filhos. Basta que estejamos atentos e que saibamos identificar a necessidade por detrás daquele comportamento, no sentido de a satisfazer. Por vezes é fácil e o “pedido” da criança é literal e reflete o que ela necessita. Outras vezes, requer uma maior reflexão da nossa parte… talvez nos tenha escapado algo; talvez não estejamos efetivamente preparados para lidar com a situação e devamos procurar uma orientação.

Uma criança segura e que não tenha que lidar com nenhum tipo de abandono (sim, abandono ao não ver as necessidades supridas pelos cuidadores, que deveriam estar sempre lá para ela) é naturalmente uma criança mais atenciosa para com os outros e, mais importante ainda, é uma criança que tem mais facilidade em confiar, comparativamente com aquela que cresce distanciada das pessoas mais importantes para si.

Como pais, cabe-nos mostrar e deixar claro aos nossos filhos que eles são importantes. E eles sentem-se importantes quando as suas necessidades são valorizadas e satisfeitas, quando há espaço para eles num mundo em que parece que só o adulto importa e onde o orgulho e a ira se sobrepõem ao amor. Não basta dizer-lhes, isto tem que lhes ser mostrado. Não nos esqueçamos que a criança não aprende por meio de palavras, mas sim pela experiência e pelo ambiente que a rodeia. Quanto mais nós formos disponíveis para os nossos filhos, mais até eles aprenderão a esperar; porque eles confiam e sabem que, se esperarem um pouco, serão certamente atendidos.

Vamos refletir sobre isto? Vamos colocá-lo em prática neste preciso momento?

 

Até breve!

Joana