Bem vindo, Vicente!

20 de Abril de 2018. O dia da chegada do Vicente ao mundo 🙂

Saímos de manhã e, antes de fecharmos a porta de casa, olhámos lá para dentro uma última vez. Não mais seríamos dois. Nunca mais. E o misto de emoções que se sente não tem explicação. É a primeira ténue impressão de que a vida já mudou.

 

Passava um pouco das 18h30 e já éramos três. O Vicentinho nasceu perfeito após um trabalho de parto bem tranquilo. Nasceu, ali, o maior desafio das nossas vidas.

Desde esse dia até então, temos vindo a adaptar-nos a uma realidade completamente diferente. Tudo gira em torno das necessidades do bebezão e, é verdade, o cansaço atinge níveis nunca antes experimentados! Mas também não é menos verdade que o sentimento de felicidade pura é o maior que alguma vez sentimos. Sabem aquela sensação de que não nos falta nada, nada, nada? 🙂

Os dias vão voando entre embalos, amamentação, trocas e os normais afins, sobrando (de facto!) ainda pouco tempo para obter as primeiras impressões montessorianas. Mas uma coisa vos digo, a primeira delas deu-se sem que ninguém esperasse. Estávamos nós no sofá, com o Vicente ao colo, e apercebemo-nos de que ele abrira muito os olhos, com o sobrolho e testa franzidos, dirigindo a atenção para algo que não era bem a nossa cara. Parecia a expressão de um menino muito maior com um já enorme entendimento do mundo que o rodeia – mas não! – era apenas o nosso bebezão que ainda nem sequer foca ao perto, quanto mais a meia distância. E no que é que se concentrava ele? Simples: numa imagem muito grande de uma zebra, branca e preta, que temos por detrás do sofá. Com 3 dias de vida, o Vicente foi atraído por ela e, desde então, passa bastantes minutos seguidos a “contemplá-la”! É claro que não interrompemos estes momentos preciosos.

 

O móbile munari também já foi introduzido (logo na primeira semana) e a verdade é que já observamos algum foco nos vários elementos. Há que escolher muito bem a fase do dia em que proporcionamos esta experiência – o melhor mesmo é aproveitar depois de o bebé estar alimentado e devidamente confortável numa posição deitada ou semi-deitada (penso que esta última seja a melhor), com a sorte de ele não adormecer de imediato 🙂 🙂

 

E agora que já estou a conseguir encontrar uns instantes para regressar ao activo no blog, conto falar-vos um pouco mais desta experiência de chegar a casa com um ser humano a nosso cargo, do que pode ser importante preparar antecipadamente no sentido de não vermos o nosso lar transformado num caos em meia dúzia de horas, da experiência da amamentação (a parte que ninguém nos conta), bem como das rotinas do dia-a-dia, que em tudo se têm que adaptar!

Até breve!

Joana

Montessoriando pelo IKEA

Sabem quando as opções mais simples estão à porta de nossa casa e nem nos apercebemos disso? Senti isso com o IKEA, enquanto procurava por soluções “montessorianas” para o quartinho do Vi, fossem elas brinquedos, mobiliário, decoração…

Aproveitando uma visita durante esta semana à loja, dediquei uma parte do tempo a fotografar, para formar um pequeno álbum dessas opções, seja para vos dar a conhecer, seja para nós próprios nos lembrarmos do que lá existe quando pensarmos em adquirir mais qualquer coisinha 🙂 Na verdade, houve muito poucas zonas da área infantil que escaparam à objectiva!

 

  • Brinquedos

Como sabemos, a filosofia de Montessori privilegia a utilização de brinquedos com boa qualidade e de materiais naturais, ao invés dos de plástico, não apenas pela experiência sensorial mais rica, mas também porque a criança aprende a valorizar a beleza dos materiais nobres e a Natureza a partir da qual os mesmos são produzidos. Além disso, o tipo de utilização que se dá a um brinquedo de madeira ou tecido, por exemplo, deverá ser muito mais cuidada do que aquela que se pode dar a um qualquer objecto de plástico, sendo este quase indestrutível. E nós queremos ensinar as nossas crianças a serem cuidadosas no trato, seja consigo mesmas, com as pessoas/ animais/ natureza que as rodeia, seja com o ambiente e os materiais que o compõem.

O IKEA disponibiliza dezenas de brinquedos de madeira e tecido e alguns (poucos) de plástico, na verdade. Ainda assim, independentemente da matéria-prima, todos eles apresentam um propósito e podem beneficiar no desenvolvimento cognitivo e motor do bebé/ criança. Não encontramos na loja aqueles brinquedos multi-estímulos, de plástico, que entretêm a mente e nada acrescentam à mesma. Além disso, encontramos muitas réplicas realistas de uma série de artigos que são utilizados na vida real – loiças, mobiliário, peluches… tão importantes, principalmente até aos 6 anos da criança!

 

  • Mobiliário

Desde camas baixinhas para crianças pequenas, a cómodas adaptadas, móveis de arrumação, estantes e espelhos, no IKEA encontramos uma série de soluções para um quarto típico “montessoriano”. Além da quantidade de oferta, existe a vantagem da qualidade dos materiais (não é best, mas é muitíssimo aceitável para o tempo que vão servir) e do preço dos artigos, que é bastante baixo comparando com a concorrência e nos permite ter uma maior capacidade de desapego (não confundir com despesismo!) quando chegar a altura de substituir. O ex-libris, a meu ver, é a oferta de mesinhas e cadeiras pequenas – as opções são muitas e todas elas podem fazer sentido e ajustar-se a um determinado espaço/ contexto.

 

  • Artes/ artigos diversos

Também a secção de desenho e artes plásticas a loja nos oferece algumas opções – folhas texturizadas,  tintas acrílicas, aguarelas, canetas e lápis de cor, carimbos, marcadores… até aventais para proteção da roupa!

Além disso, foi com muita satisfação que encontrei elementos de utilização diária exactamente iguais aos dos adultos, porém, com o tamanho adequado para um bebé ou criança – neste caso, conjuntos de talheres, que era algo que procurava há algum tempo. Um dos desafios durante o crescimento dos nossos filhos, a meu ver, é justamente a introdução destes elementos “reais” que em nada facilitam a vida dos pais, mas que em tudo são fundamentais para o ganho de autonomia, responsabilidade pelas ações e coordenação motora, em particular dos movimentos finos. Incluem-se não só os talheres de metal/ aço, como também os pratos de cerâmica e os copos e jarros de vidro. Mais uma vez, os materiais de plástico não transmitem uma sensação real que induza a criança a desenvolver cuidado para com o ambiente que a rodeia.

 

Gostava, num dos próximos posts, de vos falar em soluções de outras duas lojas que, frequentemente, apresentam brinquedos e objetos muito adequados a ambientes pedagógicos. Revelar-vos-ei também a nossa wishlist de alguns artigos não tão fáceis de encontrar, mas que são utilizados em salas de aprendizagem Montessori e cuja importância e eficácia já é sobejamente reconhecida 🙂

 

Até já!

Joana

A mala para a maternidade

36 semanas – a altura ideal para começar a preparar verdadeiramente a mala para levar para a maternidade! Não adianta ter os items todos dispersos pelas gavetas, se depois não terei a destreza mental para os organizar rapidamente caso o Vi queira nascer antes da hora esperada 🙂

Estes assuntos mais específicos de maternidade e puericultura sempre me passaram um pouco ao lado, por isso tive que me informar e ler muito para tentar não cometer grandes erros nos diversos “momentos da verdade”. No que respeita à organização da mala, optei por imprimir toda a informação que o hospital onde vou ter o Vi disponibiliza e seguir, ponto por ponto, tudo aquilo que aconselham a levar. Muitas das coisas já adquiri há uns meses, aproveitando campanhas que algumas das lojas online de que mais gosto – entre elas, a Bebitus e a Vertbaudet – fizeram e que se tornaram muito vantajosas. Assim sendo, as listas são:

  • Para a mãe:
    • Documentos pessoais e da grávida;
    • 4 camisas de noite com abertura à frente (só comprei 3… para dois dias de internamento, parece-me mais do que suficiente!) e chinelos de quarto;
    • Discos e soutiens de amamentação;
    • Cuecas descartáveis e pensos higiénicos (que o hospital fornece, mas prefiro levar);
    • Objectos de higiene pessoal.
  • Para o bebé:
    • Duas mudas de roupa completas para cada dia (para parto normal, prevê-se uma estadia de 2 dias), em sacos identificados com o dia e a muda em questão. Estas roupas devem ser em algodão, lã ou linho;
    • Objectos de higiene e cuidado pessoal;
    • Fraldas (o hospital fornece, mas vou levar na mesma).

Partindo para a acção, escolhi a mala que me pareceu mais prática – um trolley pequeno com 4 rodas – e comecei por adicionar as camisas de noite, colocadas num saquinho de algodão branco. De seguida, separei as roupinhas do Vi – num saco de algodão com riscas, coloquei a primeira roupa que ele vestirá logo após nascer e, em sacos plásticos, as várias mudas identificadas, tal como é pedido. Na 2ª muda do 2º dia, acrescentei uma segunda opção de toilette, caso à saída esteja frio. Num outro saco de algodão xadrez, estarão as fraldas de pano e um doudou 🙂

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Preparei também um necessaire com as cuequinhas descartáveis, os pensos e os discos de amamentação (optei por discos laváveis, de algodão, ao invés dos descartáveis). Por fim (ou melhor, por agora!), adicionei uns chinelos descartáveis de quarto.

 

 

Das listas e daqueles extras que pretendo levar, ficam então a faltar:

  • Documentos (que só irei colocar no momento de ir);
  • Soutiens de amamentação (porque estou a utilizá-los… os meus habituais deixaram de servir logo nas primeiras semanas);
  • Objectos de higiene pessoal meus (que também só adicionarei na hora);
  • Fraldas + produtos de higiene do Vicente (é o próximo passo e quero contar-vos um pouco mais acerca das minhas escolhas :));
  • Avental de amamentação (por muito que queiramos receber poucas visitas na maternidade, há sempre a possibilidade de precisar de amamentar quando alguma delas está no quarto – outro assunto do qual vos quero falar segundo a óptica de Montessori e que é bem “sensível” para mim. Seja ou não alguém com quem esteja à vontade (se não estiver, a pessoa sairá, claro), imagino que fique bem mais confortável com este aliado!);
  • A minha roupa de saída.

Fora isto, é organizar também a “trouxa” do maridão, que me acompanhará do início ao fim da estadia, e aguardar pelo grande dia 🙂 🙂 🙂

 

Voltaremos a falar em breve!

Joana

 

Voltando aos brinquedos…

brinquedos montessori

O tema “brinquedos”, na ótica de Maria Montessori, daria aso a parágrafos e parágrafos de conversa (mais ainda do que aqueles que vos proponho hoje :):) ). Na verdade, todo o desenvolvimento do ser humano advém da sua interação com o ambiente e os materiais que o rodeiam, desde o nascimento.

Já referimos anteriormente algumas formas de ajudarmos o nosso bebé a ter uma experiência sensorial rica, nomeadamente através da visão e tacto – como acontece quando criamos um móbile adequado e evolutivo. Este móbile é seguido da introdução das rocas, que já oferecem a possibilidade de desenvolvimento de uma maior coordenação mão-cérebro (ou mão-mente), possibilitando igualmente uma experiência auditiva.

Até aos 6 meses de idade, devemos assim oferecer ao bebé brinquedos que o ajudam a desenvolver esta coordenação da visão/ mão/ audição-cérebro e, indirectamente, a percepção da permanência dos objectos, bem como da causa-efeito. No post “brinquedos e minimalismo” poderão ver alguns bons exemplos, em especial nas prateleiras superiores da estante do quarto do Vi 🙂

A selecção destes brinquedos é, assim, tão importante como qualquer outro elemento do “ambiente preparado” para o bebé, seja a cama, o espelho, a estante baixa, a luminosidade… e tendo muito cuidado com a mesma, estamos, inevitavelmente, a mostrar ao nosso filho o quanto ele é importante para nós.

Uma criança com menos do que 6 anos (idade a partir da qual não me irei focar, para já) não tem ainda desenvolvida a sua capacidade de pensamento abstrato, apresentando, por sua vez, uma mente absorvente de tudo o que faz parte da realidade que a rodeia. Desta forma, até aí, todos os objectos baseados na realidade são úteis no processo. O problema aparece quando lhe são oferecidos brinquedos ou objetos que remetem para a fantasia ou lhe transmitem uma falsa ideia acerca do mundo – monstros, coelhos que falam, ursos que são vermelhos… Se a criança pequena não consegue desenvolver uma base sólida na formação da sua mente racional (ao ser colocada perante cenários nos quais ainda não consegue distinguir a realidade da ficção), aos 6 anos ver-se-á limitada no seu poder de imaginação e abstração. Como dizia Maria Montessori no livro The Advanced Montessori Method: “Como é que se pode desenvolver a imaginação das crianças através de algo que é o seu oposto, ou seja, a nossa própria imaginação? Somos nós quem imagina, não eles. Eles acreditam, não imaginam. A credulidade é, sem sombra de dúvida, característica de uma mente imatura (…). Assim sendo, será a credulidade aquilo que queremos desenvolver nos nossos filhos?”.

Outro obstáculo na escolha dos brinquedos mais adequados a oferecer ao bebé/ criança é a quantidade de opções que existem no mercado, bem como o número de acções que um mesmo objecto pode executar, retirando a possibilidade de ser a criança a autora daquilo que quer fazer com ele. Assistimos a cenários em que os pais (e até avós) são levados a consumir muito mais do que seria necessário e ideal, acreditando que, dessa forma, estão a demonstrar um amor maior por aquela criança. Na verdade, estão a passar-lhe a mensagem errada – a de que as pessoas gostam delas se e quando lhes dão “coisas” – quando elas, na realidade, apenas conseguem adorar uma boneca, um peluche e alguns (poucos) brinquedos de cada vez. Pode, à primeira vista, parecer “rebuscado”, mas esta experiência de ter poucos (e bons) brinquedos e “aquele” brinquedo de referência num determinado momento, constitui a base para a vivência adulta, onde precisamos de aprender a manter e estimar uma esposa/ marido, uma família, uma vida, em vez de fantasiarmos que podemos ter todas.

A introdução de electrónicos, como tablets, telemóveis ou consolas é mais um exemplo de obstáculo ao desenvolvimento. Estes objectos não respondem à criança com sentimentos iguais aos que receberia por parte de um ser “real”. As crianças podem tratar as personagens de um jogo da forma como entenderem, não necessitando de ter consideração por elas; não há qualquer feedback que lhes permita desenvolver sentimentos, cuidado e capacidade de resposta, como aconteceria se estivessem a lidar com outro ser humano. São objectos que ocupam o tempo que poderia ser dedicado a uma interação real. Constituem, dessa forma, uma base para o egocentrismo.

Que tipo de brinquedos deveremos, então, seleccionar e que poderão ajudar no desenvolvimento pleno do nosso bebé/ criança?

Antes dos 3 anos, todos os que possam ser utilizados de forma independente e que permitam a interação com outras pessoas, bem como a compreensão do mundo. Refutamos, assim, todos os que representem a fantasia de uma mente adulta, ao invés de fomentar a capacidade criativa da mente da criança. Também aqueles brinquedos chamados de “educativos” – caixas com rodas, luzes, sons, botões aleatórios – não têm qualquer benefício, pois apenas entretêm a mente, não envolvendo qualquer possibilidade de pensamento por parte da criança.

Um simples urso de peluche, idêntico à imagem do urso na realidade, pode ser um ótimo exemplo de brinquedo, ou mesmo uma boneca (ambos, na vida real, são seres com emoções e reacções que podem ser imitadas). A criança pode brincar com a boneca, por exemplo, simulando acções que acontecem consigo mesma no seu dia-a-dia: dando-lhe banho, vestindo-a, alimentando-a, colocando-a para dormir… e esta “brincadeira” repetida desenvolve a sua própria capacidade de se vestir a si mesma, tomar banho, alimentar-se sem ajuda. A boneca aparece assim como símbolo de si mesma ou de outro membro da família.

Também as actividades da vida prática podem ajudar no desenvolvimento de um pensamento mais profundo e da concentração, factores importantes na construção de “cenários” para as suas brincadeiras. Um exemplo de uma actividade deste género é a de cortar cenouras ou outro vegetal – um conjunto de tarefas estruturadas, com princípio, meio e fim, que induz ao pensamento ordenado. Estas actividades que envolvem experiências reais do mundo real são a chave da brincadeira imaginativa da criança.

Uma casa de bonecas, por exemplo, também pode resultar em horas de criatividade e até na oportunidade de aprender como o mobiliário se distribui numa casa (a ordem é, uma vez mais, trabalhada) – a cama no quarto, as cadeiras e a mesa na sala de jantar, o sofá na sala de estar… Outro bom exemplo são os modelos realistas em miniatura de animais que existem nos tempos de hoje. Estes podem ser dispostos em cestos diferentes, separados por domésticos/ selvagens, por famílias dentro da mesma espécie, por localização geográfica… e podemos aproveitar para desenvolver a linguagem da criança, pegando num dos cestos e ensinando-a acerca do nome de cada animal, enquanto vão sendo dispostos, cuidadosamente, lado a lado.

Mesmo sólidos de madeira coloridos e carrinhos são benéficos para crianças dos 15 meses aos 3 anos, se dermos alguma orientação e propósito à actividade. Podemos ter num cesto 3 carrinhos com cores primárias – vermelho, azul e amarelo – e ir retirando, um a um, indicando o respectivo nome – “carro vermelho”, “carro azul”, “carro amarelo” – à medida que os vamos dispondo lado a lado (tal como fazemos na actividade com os animais). Noutro cesto, podemos colocar 3 veículos diferentes com a mesma cor – carro, camião, mota – e repetir o exercício anterior, desta vez focados apenas no tipo de veículo.

O grande propósito desta brincadeira não é mais do que dar à criança mais uma chave para a descoberta do mundo que a rodeia. Um aspecto que devemos ter, contudo, em consideração, é a forma como vamos apresentando os materiais – tendencialmente, caímos no erro de substituir uma afirmação como “isto é um carro azul” por algo como “o que é isto?”. Esta pergunta representa um teste de conhecimento, não um conhecimento oferecido por nós, pais, à criança – e os testes (que nos são tão incutidos desde cedo no ensino regular…) são totalmente inapropriados para crianças pequenas!

 

E parece que me alonguei bastante, não é?

É um tema ainda tão pouco debatido e tão importante no dia a dia dos pais e futuros pais, que não podia deixar de tocar em vários aspectos que a própria Maria Montessori entendeu como cruciais. 🙂

Voltamos a falar em breve!

Joana

 

 

#Babyshower do Vicente

Não vos vou mentir. Antes de engravidar, não encontrava qualquer sentido num babyshower. Havia pressupostos que me deixavam um pouco intrigada, como, por exemplo (e principalmente), o facto de o marido/ pai não estar presente, e mesmo a razão de ser do mesmo.

Até que engravidei do Vicente e o tempo foi passando, a barriga crescendo, as ecografias trazendo sempre boas notícias, a barriga crescendo mais, o Vi ficando com cada vez menos espaço e eu/ nós sentindo-o cada vez mais… e uma “mística” se foi formando, tornando cada dia num verdadeiro motivo de gratidão. “É claro que vou organizar um babyshower para o meu bebé” – acordei assim um dia e o D, de imediato, entrou no clima 🙂 O grande motivo, para nós, surgiu naturalmente com o decorrer de toda esta fase bonita da vida e não foi mais do que o partilhar da nossa felicidade com os nossos amigos e familiares mais próximos. Sabemos que, depois do nascimento do Vi, queremos estar totalmente focados nele (e ele não precisará de festas nem de eventos), por isso, nada melhor do que aproveitar esta fase final para reunir um grupo de pessoas que são importantes para nós e dar graças a tudo o que, de bom, a vida nos tem oferecido 🙂

Para vos situar no tempo, tudo isto se passou no início de Fevereiro e a data do evento seria então a 11 de Março – nem muito tarde (eu teria que estar “em condições” para levar avante todos os planos), nem muito cedo (para não nos afastarmos demasiado da data prevista do parto – meados de abril). Começámos, de imediato, a planear alguns aspectos como a hora mais conveniente, o número de convidados, a decoração, a ementa, a logística, a banda sonora… uma vez que 1 mês e 10 dias parece muito tempo, mas se queremos uma festa com algum cuidado e com as melhores escolhas, acaba por não ser assim tanto. Felizmente, tenho a vantagem de estar em casa desde o início da gravidez (por conta da especificidade do meu trabalho) e pude dedicar-me inteiramente a este tema, sem demasiada pressão para fazer tudo a correr.

Quanto à hora, decidimos que um lanche seria o mais adequado, não só pelo número de convidados, que tornaria inviável uma refeição principal na nossa casa (que não é enorme), mas também pelas possibilidades de decoração infinitas para um evento em que a comida é servida numa escala um pouco menor. Voltando ao número de convidados, já com algumas baixas, tivemos 25 amigos e 13 familiares, sendo que, para que todos ficassem à vontade e não houvesse atropelos, dividimos a tarde em dois momentos, recebendo em primeiro lugar os amigos e, três horas mais tarde, os familiares. Quebrámos alguns paradigmas com os quais não concordávamos e criámos uma festa aberta a homens e mulheres, sem listas de presentes (para nós nunca foi o importante – ainda assim, recebemos muitos e lindos!) e onde o pai pôde usufruir tal como a mãe!

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Escolhemos uma decoração simples, em tons de azul, nem demasiado formal, nem demasiado “abebezada”. Não tínhamos propriamente um tema, mas, uma vez que ambos adoramos bambis, utilizámo-los em alguns elementos, como no convite, no elevador do prédio e na porta de nossa casa (em forma de imagem) para assinalar o evento, bem como em algumas comidas das quais vos falarei mais à frente. Na parede junto à mesa principal (que era o nosso aparador coberto com uma toalha branca que usámos no nosso casamento), colocámos uma fita de estrelinhas, com decorações de papel a caírem do teto, junto a ela, e a dividir o espaço de refeição do espaço social, colocámos uma outra fita com o típico “It’s a boy” 🙂 🙂 🙂 Tinhamos ainda planeado colocar uns balões dourados, grandes, com as letras de “Babyshower”, porém, optámos por não os usar, uma vez que a decoração até então tinha ficado super delicada e sem excessos e não queríamos estragar esse efeito.

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Retirámos do espaço (que normalmente é a nossa sala de jantar) a mesa principal e as cadeiras (ficou tudo guardado no nosso quarto, que assumiu funções de armazém) e colocámos, encostada à parede, uma outra mesa, rectangular e muito mais pequena, o que permitiu aumentar a área útil de convívio.

Quanto à ementa, tentámos optar por soluções fáceis e práticas para que os convidados escolhessem o que quer que fosse sem dificuldades de quaisquer tipos – ninguém gosta de ir a uma festa e estar constrangido, não é? Desta forma, tudo foi disposto em doses pequenas, não sendo necessários demasiados talheres nem complicações para disfrutar do lanche.

Assumi, eu mesma, a execução das mousses de chocolate, gelatinas, muffins de cenoura, espetadas de fruta, sanduíches, mini pizzas, folhadinhos salgados, bolinhos de canela e, claro, das bebidas e tive muita ajuda quer de familiares, quer de fornecedores externos, que gostaria de destacar e de vos aconselhar com toda a segurança para eventos que queiram organizar (todos da zona de Lisboa/ Grande Lisboa):

  • Salgados – Rissóis de camarão e croquetes de carne – simplesmente os MELHORES do mundo, acreditem! – D. Emília (contacto: 936282240) – a senhora mais querida do mundo.
  • Bolo de chocolate (o bolo principal da nossa festa), pão-de-ló e pão alentejano recheado – Teresa Feio (contacto: 914518515). O que vos posso dizer? O que quer que a Tité (como é mais conhecida) faça, é maravilhoso. O bolo de chocolate é, para quase todos os que o provam, dos melhores que existem; o pão-de-ló, o mais fofo; o pão alentejano recheado precisaria de outros adjectivos que ainda não foram inventados para lhe fazer jus… não há palavras! – a par da D. Emília, a Tité é um encanto de pessoa.
  • As bolachinhas temáticas com bambis – Sweetbiteslisbon (sweetbites.for.you) – procurem no Instagram/ Facebook! – a Ana e a Vera fazem as bolachas mais bonitas, cuidadas e deliciosas que possam imaginar, seja qual for o tema. Já tínhamos experimentado no nosso casamento e, mal avançámos com a ideia do Babyshower, sabíamos que não poderiam faltar 🙂

Alguns items não couberam inicialmente nas mesas (como foi o caso do pão-de-ló, de uma tarte de chocolate e amêndoa e de bolinhos secos), tendo sido colocados à medida que o tempo foi passando e que o espaço foi sendo libertado 🙂

Penso que o resultado final agradou a todos e a banda sonora criada pelo D foi perfeita – nada ruidosa e dificultadora de diálogos e, ainda assim, audível 🙂 Pudemos ter momentos de convívio com amigos e família que dificilmente juntamos em eventos mais pequenos, o que tornou aquela tarde de Domingo numa tarde muito agradável e gratificante para nós. Oferecemos a cada convidado/ casal uma pequena lembrança – uma caixinha azul (gostava de a ter fotografado, mas acreditam que me passou por completo?!) com rebuçados artesanais e personalizados da Papabubble – estes sim, ainda fotografei – e, às crianças, uma bolachinha do bambi com a inicial do respectivo nome. Ainda houve espaço para uma lembrança para o Vicente – cada convidado deixou a sua impressão digital num body que será guardado ou mesmo emoldurado (ainda não sabemos bem) 🙂

O evento terminou perto da 01:00h e, não vou mentir, cheguei exausta a esta hora, mas tão, tão, tão feliz com a festa que conseguimos proporcionar aos convidados e, principalmente, ao nosso filho! Ainda bem que decidimos fazê-la! Vamos recordá-la para sempre e mostrá-la mais tarde, em fotos e vídeos 🙂

Quaisquer questões que possam ter, principalmente se estiverem a pensar em planear um evento deste género e precisarem de alguma dica, não hesitem em enviar mp!

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Até breve!

Joana

 

Ps.: A pequena compilação do babyshower no Youtube: https://youtu.be/z2qNBzSMYnw

Qual o objectivo?

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Falávamos no post anterior que o objectivo final da educação montessoriana é a formação de um Ser Humano completo; de um adulto completo. E o que se entende por adulto completo, nesta visão, é tão somente um adulto equilibrado e totalmente adaptado ao seu tempo, espaço e cultura, capaz de encontrar um significado para a sua existência na terra.

Enquanto pais, ou futuros pais de um bebé, se quisermos caminhar nesse sentido, deveremos, desde logo, ter em conta três conceitos fundamentais que estão na base de quase todas as fases que se seguem ao nascimento: independência, segurança e auto-confiança. A independência aparece como o ponto de partida e caminho subsequente para atingir os outros dois.

A ideia é o bebé passar de um estado em que necessita de ser totalmente servido, ser, gradualmente, ajudado a assumir acções simples de forma independente, e tornar-se finalmente capaz, ele próprio, de servir os outros.

Nós, pais, durante este trajeto, deveremos ir criando a dose certa de desafio, em cada fase, para que o bebé se vá superando. Esta dose deve ser tão rigorosa que permita que o nosso filho ganhe confiança em si próprio e nas suas capacidades. Caso contrário, se exagerarmos no grau de dificuldade, obteremos o efeito inverso e o mesmo pode perder essa confiança ao sentir que não é capaz.  Até nós adultos nos sentimos extremamente frustrados perante situações que nos “esmagam” e ultrapassam e que sabemos que não teremos a capacidade de resolver, não é verdade?

E, atenção, não se queiram iludir… esta independência que damos aos nossos bebés/ crianças não tem como objectivo tornar a nossa vida mais fácil! Nem torna! Pelo contrário… ajudá-los e guiá-los neste processo é bem desafiante e trabalhoso para os pais. Porém, conseguirmos que os nossos filhos se tornem rapidamente capazes de agir, não tendo que esperar que alguém faça sempre as coisas por eles, é tão compensador que justifica todo o nosso esforço até então, não vos parece? 🙂

Agora, em termos práticos, como é que podemos trabalhar esta questão da independência dos nossos filhos? A resposta é simples: promovendo, desde logo, o desenvolvimento do seu movimento (que cada vez vai sendo mais coordenado), através da criação de um ambiente preparado para tal. Este ambiente deverá encorajar a acção intencionada do bebé, existindo igualmente possibilidades de consequências para ele.

E eis que chegámos ao ponto onde vos começo a contar um pouco mais sobre a minha própria vida e experiência enquanto futura mãe e onde toda a organização de um ambiente preparado para receber o bebé Vi vos irá ser apresentada, passinho a passinho 🙂

Falaremos dele já no próximo post!

Até breve!

Joana

Quem foi, afinal, Maria Montessori?

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Maria Montessori foi uma médica italiana. Na verdade, foi a primeira mulher a formar-se em medicina em Itália. Nascida a 31 de Agosto de 1870, pertencia a uma família conservadora, mas que nunca a impediu de seguir os seus ideais. Nunca pôde exercer a sua profissão em pleno porque, naquele tempo, era proibido uma mulher examinar o corpo de um homem.

Iniciou então um trabalho com crianças na clínica da universidade, que consistia essencialmente em observação. Encontrou ali a sua vocação e, em 1898, já era co-directora de uma escola de crianças com deficiência mental. Foi neste momento que, utilizando técnicas pedagógicas que testara e aperfeiçoara anteriormente, provou que todas as crianças, ainda que com alguma deficiência, podem atingir objetivos que nunca antes se pensaria serem alcançáveis. Todas têm um potencial que, muitas vezes, é subestimado.

Em 1904, Maria Montessori torna-se docente na Universidade de Roma, ao mesmo tempo que trabalha numa creche, até que, em 1907 inaugura a primeira Casa dei Bambini (Casa das Crianças), o modelo de todas as instituições montessorianas até aos dias de hoje.

A partir de 1911, dedica-se somente à pedagogia do método criado nesta instituição. Muitas escolas públicas italianas e suíças passam também a adotá-lo. Rapidamente, mais países seguem o exemplo. Maria Montessori passa igualmente a oferecer um curso de formação de professores.

Mas afinal, que método é este?

Muito resumidamente, o método montessoriano parte do princípio de que todas as crianças têm a capacidade de aprender através de um processo que deve ser desenvolvido espontaneamente, a partir das experiências efetuadas no ambiente. Este ambiente deve estar organizado para proporcionar a manifestação dos interesses naturais da criança, estimulando a capacidade de aprender fazendo e a experimentação da criança, respeitando também fatores como o tempo e ritmo, a personalidade, a liberdade e a individualidade dos alunos.

Maria Montessori vem a falecer a 6 de Maio de 1952, na sua residência na Holanda.

Iremos, sem nos tornarmos demasiado teóricos, abordar alguns princípios e conceitos à medida que formos avançando no blog, tentando sempre utilizar exemplos práticos para que se torne de muito fácil interpretação. Asseguro-vos que Maria Montessori iniciou todo um caminho cujo resultado final não poderia ser mais brilhante – um Ser Humano completo.

Até breve!

Joana